Depois de um mercado de verão atribulado por Paris, muito devido à novela Neymar (de quem se falou que queria tanto sair, que estaria até disposto a pagar parte da sua transferência para o Barcelona, pelo próprio bolso), parece que, este ano, algo mudou no Parque dos Príncipes. A equipa está mais madura, mais consistente, apresenta melhores resultados e melhores exibições, não só a nível interno – como facilmente o faz – mas também a nível externo, mais concretamente na Liga dos Campeões.

Este ano a equipa já venceu a Supertaça Francesa, no campeonato lidera, confortavelmente, com 7 pontos de avanço sobre o segundo classificado (com menos um jogo) e venceu o seu grupo na Liga dos Campeões – que contava com o Real Madrid, o Club Brugge e o Galatasaray – com cinco vitórias e um empate. Mas quais são os fatores que levaram a este upgrade nas hostes parisienses?

Primeira de muitas, esta época?                                                                              Fonte: Paris Saint-Germain

Neste mercado de verão esteve um dos maiores segredos deste PSG que, alheio à novela Neymar, foi contratando vários jogadores para várias posições, mas em vez das habituais “vedetas”, contratou jogadores de “fato-macaco”, jogadores lutadores e de raça, como por exemplo Diallo, Gueye e Sarabia. Isto levou a um melhoramento/aprofundamento geral do plantel – o que para uma equipa que joga em tantas competições poderá ser muito importante -, e, também, a uma maior consistência da equipa, pois equipas vencedoras precisam deste tipo de jogadores, que trabalham na sombra, mas que são essenciais para o sucesso.

Outro ponto, foi o empréstimo de Icardi, jogador que vivia dias difíceis por Milão e que parece retratar-se neste PSG, leva já 14 golos (5 dos quais na liga dos campeões) em 18 jogos, estando, novamente, a demonstrar tudo o que vale e a sua veia goleadora por Paris. Poderá ser fundamental a presença de Icardi nesta equipa, devido à fase decadente em que se encontra Cavani e também para suprir a ausência que por vezes acontece das grandes estrelas do clube.

Iremos ver esta imagem muitas vezes, em 2020?                                                    Fonte: Paris Saint-Germain
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Um novo Neymar poderá ser também importante para a caminhada europeia deste PSG. Depois da novela deste verão acerca da sua transferência (e após recuperar de mais uma lesão que o atormentou), Neymar parece ter entrado em paz com os adeptos, com a equipa, com a direção e, principalmente, consigo mesmo.

Leva cinco golos nos últimos cinco jogos pelo Paris Saint-Germain e teve até um gesto bonito no último jogo da fase de grupos da liga dos campeões, contra o Galatasaray, “dando” um penalti a Cavani, que tem vindo a perder preponderância no clube e que precisava de ganhar confiança. Este gesto pode ser uma evidência do novo Neymar, mas teremos de esperar pela altura de fevereiro/março para perceber se assim é, ou se, como tem sido habitual nessa altura da época, desaparece mais uma vez nos momentos decisivos do ano desportivo.

A poderosíssima linha avançada do PSG, aliada a um ressurgimento do melhor Di Maria, são fundamentais para o clube francês, uma vez que não ficam tão dependentes de Neymar e Mbappé, como têm sido nos últimos anos, pois muitas vezes, numa altura em que um ou os dois se lesionam, ou não estão disponíveis, a equipa caía de rendimento e agora com o melhor Di Maria, com Icardi, com Sarabia e até com Cavani, esta “estrelasdependência” não existe tanto e pode levar mais longe este PSG, mas, e como é óbvio, a presença de Mbappé e de Neymar poderá ser crucial nos grandes jogos “milionários”.

Ressurgimento de Di Maria                                                                                      Fonte: Paris Saint-Germain

Por último, aquele que, para mim, pode ser o ponto fulcral de uma possível epopeia europeia, Keylor Navas. A contratação do guarda-redes costa-riquenho pode ser FUNDAMENTAL para o clube parisiense conseguir conquistar a orelhuda. Navas, por exemplo, só sofreu golos num jogo da liga dos campeões, contra o Real Madrid e fora, mostrando toda a qualidade e o porquê de ter ajudado o Real a conquistar três Champions seguidas. O seu papel nestas conquistas foi muito relativizado e, Keylor, é até bastante subvalorizado na sua posição, sendo, para mim, um dos melhores guarda-redes do Mundo e tendo qualidade para ajudar, quase por si só, os clubes onde joga a atingir o sucesso.

Agora, na sua caminhada europeia, o Paris Saint-Germain terá como adversário, nos oitavos de final da Liga dos Campeões, o Borussia Dortmund. Neste momento, acho que ultrapassaria facilmente este clube alemão que tem sido bastante inconstante esta época. No entanto, até fevereiro ainda haverá pelo meio o mercado de inverno, e será preciso ter em conta a “prestação” das duas equipas neste campo, que poderá inclinar o jogo para algum dos lados. A partir daí, será preciso contar com alguma sorte no sorteio, mas também uma continuação das prestações de qualidade e consistentes que o PSG tem apresentado, para conseguir sonhar pela conquista europeia. Terá as condições? Só o tempo o dirá, mas pela primeira vez nos últimos anos, o PSG tem talvez a verdadeira primeira oportunidade de almejar deixar de ser o príncipe de França para – qual Napoleão Bonaparte -, lutar pelo trono Europeu.

Foto de Capa: PSG

Artigo revisto por Joana Mendes

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