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Após um começo de época decerto conturbado, o AS Mónaco conseguiu, finalmente, adquirir estabilidade no que concerne a resultados e a exibições. Neste momento, os monegascos seguem em zona europeia na Ligue 1 e com menos um jogo que os rivais, estando no quarto posto e a quatro pontos do terceiro lugar, tendo recentemente carimbado o passaporte para os quartos de final da Liga dos Campeões. Grande parte deste sucesso deve-se ao português Leonardo Jardim.

Quando o treinador luso chegou ao principado, certamente não estava a contar perder duas das principais peças da equipa, até porque era de esperar que o projeto de investimento monetário que já tinha sido realizado na temporada 2013/14 fosse para continuar no presente ano. Porém, tal não sucedeu. A venda de James Rodríguez para o Real Madrid e o empréstimo de Falcao ao Manchester United provam-no. Aliado a isto, devido a questões de cariz externo o clube não investiu na compra de atletas de topo mundial, optando antes pelo empréstimo de jovens jogadores. O Mónaco procedeu, então, à aquisição dos passes do defesa-central Abdennour e do médio-defensivo Bakayoko, assegurando o empréstimo de Wallace e Bernardo Silva (que foi posteriormente adquirido em definitivo, por 15 milhões de euros).

Assim, previa-se uma tarefa nada fácil para Leonardo Jardim conseguir manter este emblema no cimo do futebol francês. Depois de um mau começo, no qual levou algum tempo a conseguir incutir as suas ideias de jogo aos jogadores, Jardim vê agora o conjunto monegasco a cumprir os seus ideais em campo. O Mónaco é uma equipa que opta pela filosofia de que “a defesa é o melhor ataque”, sendo atualmente uma das que melhor defende na Europa e o clube da Liga Francesa com menos golos sofridos.

A equipa alia à segurança concedida pelo guarda-redes croata Subašić, um conjunto defensivo que prima pelo entrosamento entre a experiência que jogadores como o português Ricardo Carvalho ou Raggi e até mesmo Abdennour transmitem, com o carisma jovem e talento de outros como Fabinho, Wallace ou Kurzawa, formando assim uma autêntica “parede de betão” em frente à sua baliza.

No meio-campo, João Moutinho é, decerto, o jogador mais cotado. E o português tem feito por isso na presente época. O ex- Porto funciona como um autêntico maestro na orquestra de Leonardo Jardim, manobrando a equipa ofensiva e defensivamente, gerindo os tempos de jogo e pautando-o com toda a sua qualidade técnica e inteligência. Jérémy Toulalan, com toda a sua experiência e conhecimento tático e Kondogbia, jovem irreverente e com uma capacidade física fantástica para aguentar o meio-campo defensivo, providenciam uma maior consistência tática ao emblema monegasco.

Onze anos depois, o Mónaco está nos quartos da Champions Fonte: Facebook do AS Mónaco
Onze anos depois, o Mónaco está nos quartos da Champions
Fonte: Facebook do AS Mónaco

Sendo certo que a sua principal qualidade é defender, o AS Mónaco não descura o ataque. O seu primordial foco ofensivo passa pelo contra-ataque, no qual a velocidade e virtuosismo técnico de jogadores como Martial (que está a fazer uma excelente temporada), Ferreira-Carrasco, Bernardo Silva e Nabil Dirar são um perfeito complemento ao instinto goleador do búlgaro Dimitar Berbatov.

A recente passagem do clube aos quartos de final da Liga dos Campeões é de um mérito tremendo, não apenas dos jogadores mas, também, em grande parte do treinador luso. Após uma vitória inesperada por 3-1 em Londres, face ao Arsenal, os monegascos entraram para a segunda mão com a vantagem da eliminatória e de jogar em casa. Fazendo o que melhor sabe, o conjunto de Jardim defendeu o resultado trazido de Inglaterra. No final do encontro, que foi cheio de sofrimento para as hostes rouges et blancs, o resultado ficou em 2-0 para os londrinos, mas a vantagem de golos marcados fora de portas fez a eliminatória sorrir à equipa do Stade Louis II. Onze anos depois, os vice-campeões europeus de 2004 voltam a estar presente nos “quartos” da liga milionária.

O Mónaco é, assim, um emblema afirmado nos ideais do seu treinador, com uma tremenda segurança na linha defensiva, aliada a um espírito de sacrifício combativo, que faz o melhor uso dos seus venenosos contra-ataques. Uma equipa sem grandes “estrelas”, mas que vale pelo seu todo, fazendo do seu conjunto a sua principal arma.

Leonardo Jardim, técnico que faz da sua atitude, compostura e sabedoria as suas principais forças, está a executar este excelente trabalho no seu primeiro ano ao leme de um Mónaco que teve que repensar a sua estratégia financeira da época passada para esta. Se o português tem conseguido estes feitos, o que poderia alcançar se tivesse os recursos financeiros para transferências de que o emblema monegasco dispunha na temporada anterior? Certamente que tentaria atingir outras metas e objetivos ainda mais promissores, talvez até a conquista do campeonato francês.

Foto de Capa: Facebook do AS Mónaco

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