Alerta Red, mas os Saints podem descansar!

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Percorrido um deserto de 23 anos sem a conquista da Premier League, pensou-se, no ano passado, que o Liverpool encontraria, finalmente, o oásis competitivo de que necessitava para sossegar os seus adeptos… mas ficou a 3 pontos de distância.

Anfield Road partia, por isso, e apesar da ausência da referência da equipa no ano passado (Suárez), com uma ambição renovada para a edição deste ano do principal campeonato inglês. Afinal, também a pré-época tinha sido pródiga em sinais esperançosos, com vitórias sobre colossos mundiais como o Milan (2-1) ou Dortmund (4-0!).

Assim, nos momentos imediatamente anteriores ao jogo com o Southampton, cada sílaba do “You Will Never Walk Alone” foi entoada de forma apaixonante por 45 mil almas que trazem na voz o embargo próprio da esperança e do sonho (agora, mais do que nunca, concebível) da reconquista do título nacional.

Foi assim, com a ilusão dos seus aficcionados sobre as costas, que os jogadores dos reds começaram o jogo inaugural da Premier League. Talvez por isso, pensou-se, a equipa entrou algo arrastada, sem conseguir penetrar a àrea contrária, criando lances de apenas “quase-perígo”, com remates ora fora da àrea ora interceptados… até que, quase caído do céu, surgiu o golo de Sterling numa bola longa de Jordan Henderson. A tranquilidade, pensava-se, chegaria; a equipa saberia estabilizar o seu jogo e ser mais criteriosa na procura do golo, algo que até foi conseguido nos primeiros instantes, pela galvanização dos seus jogadores (principalmente os alas), mas isso durou pouco e saints caíram em cima do Liverpool.

Koeman conseguiu fazer com os saints se superiorizassem aos reds durante grande parte do jogo  Fonte: Getty Images
Koeman conseguiu fazer com  que os saints se superiorizassem aos reds durante grande parte do jogo
Fonte: Getty Images

Foram senhores do jogo desde o final da primeira parte, e entre a primeira meia-hora de jogo e a entrada para o último quarto de hora da partida (ou seja, durante 45 minutos), foi a equipa orientada por Ronald Koeman que mais oportunidades criou, rematando por 7 vezes, contra apenas 2 dos reds. Conseguiu empatar, com justiça, mas, novamente com um golpe de sorte, o Liverpool adiantou-se no marcador, que não se alterou para além do 2-1. O mais forte, teoricamente, venceu…

… embora não o merecendo. Creio que é o melhor elogio que se pode fazer a este novo Southampton de Ronald Koeman. A equipa ficou completamente desfalcada com as saídas de Adam Lallana, Rickie Lambert no ataque e de Luke Shaw e Dejan Lovren (na defesa). O treinador holandês, com reforços (de qualidade, para já, incerta) para colmatar estas ausências, mas com pouco tempo para implementar as suas ideias, soube manter a competitivdade dos saints, à imagem daquilo que esta equipa foi na Premier League do ano passado (um dos melhores conjuntos, a principal surpresa), jogando de igual para igual em casa do vice-campeão nacional.

O segredo esteve na pressão alta que não se coibiu de exercer sobre a primeira zona de construção dos reds, tendo com os incansáveis Ward-Prowse e Tadic, secundados por Davis, a condicionar a saída de bola do adversário e Schneiderlin e Wanyama, autênticos pêndulos do meio-campo da equipa, a trabalhar na recuperação do esférico.

Foi assim, destemido, que Koeman assustou Anfield Road, e descansou os adeptos dos saints (que sairam de Anfield legitimamente injustiçados pelo resultado) – é possível repetir a performance da temporada passada.

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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