O Wolves continua em grande. Após uma campanha fenomenal que o trouxe à elite do futebol inglês, o elevado pormenor técnico que apresenta; uma fluídez q.b.; e uma defesa que dá garantias, contam como fatores muito importantes nas aspirações do emblema. Apesar do histórico mais recente, em que contabiliza três derrotas consecutivas, tal não me impede de apreciar todo o potencial desta equipa recém promovida à Premier. A última, frente ao Tottenham, foi esquisita: afinal, sofreram dois golos numa primeira parte em que ameaçaram muito mais do que o adversário, e inclusive estiveram a perder por uma diferença de três golos! Para quem viu o jogo, foi completamente contra a maré, e também provou que individualidades como Lamela ou Kane são mortíferas…

É claramente inevitável falar de Portugal quando o tema é o Wolverhampton. Comando técnico, jogadores naturais de Portugal, jogadores com passagem pelo país mais a oeste da Europa, fazem parte do conjunto recordista no último Championship. Bons investimentos, particularmente, no mercado português deram azo a essa conquista: Nuno, Rúben Neves, Ivan Cavaleiro, Hélder Costa, Rúben Vinagre, Diogo Jota foram peças fundamentais nesse trajeto.

Correu tão bem que os reforços para dar azo a uma campanha consolidada no patamar máximo do futebol britânico, foram novamente resgatados pela mesma via: afinal, Patrício, João Moutinho, com vasta experiência internacional; Raúl Jiménez, Boly, estes últimos com uma fome tremenda de afirmação, contribuíram imenso para uma maior estabilidade da equipa em contexto de maior competitividade.

De modo a analisar mais ao detalhe a prestação de cada um dos jogadores enunciados, realço, por ordem hierárquica de boas exibições: Neves, Patrício, Moutinho, Boly, Hélder Costa, Jiménez, Ivan Cavaleiro, Diogo Jota. Os três primeiros, imperiais. Muita experiência aliada com uma categoria invejável, complementam fundamentalmente a também “mocidade” facilmente encontrada no plantel.

Diogo Jota tem sentido bem a diferença de escalões
Fonte: Wolves FC

Hélder, Patrício, Neves, Moutinho, são os portugueses mais em forma. Por oposição, vimos Diogo Jota desaparecer aos poucos, devido à sua quebra de rendimento. Acredito no seu potencial, mas na via inversa, assistimos ao regresso de Ivan Cavaleiro em grande estilo, já que marcou logo quando entrou após lesão, num jogo bastante difícil. Rúben Vinagre conta com menos espaço que no ano passado, mas é compreensível, dada a sua idade.

Mas tenho de realçar Rúben Neves e Rui Patrício como os melhores até agora: o primeiro, continua a surpreender. Passes magníficos de longa distância, tendo como fiel aliada a sua visão de jogo. É raro vê-lo perder o timing, cada lance seu é pertinente para o jogo. Joga com muita objetividade, algo que aprecio bastante. Os golos que vai fazendo são prova disso mesmo!

Mais atrás, Patrício tem sido uma grande referência defensiva: embora seja um pouco suspeito, visto ser um grande fã do nosso guarda-redes, com defesas incríveis, daquelas mesmo que desvia só com a pontinha do dedo e tal é suficiente para salvar; ou as manchas que tapam a baliza ao oponente por completo… Foi realmente uma excelente aquisição, para uma posição que requer brilhantismo, em Inglaterra.

Pelo potencial reconhecido, e por ter sido o melhor marcados da equipa na época transata, não será estranho voltar a ver Diogo Jota em grande. Hélder e Ivan também são bons de bola, mas isso não chega. E nenhuma liga é melhor que a inglesa para colocar qualquer profissional de futebol à prova!

Foto de capa: Wolverhampton Wanderers FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

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