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Arsenal e Manchester City tinham encontro marcado para o mítico Wembley, numa  partida referente à meia-final da FA Cup. Tendo a perfeita noção que conquistar o título é cada vez mais um objetivo inalcançável, os dois clubes apostariam tudo no jogo que valia uma presença na final do único troféu que poderiam ambicionar erguer esta época. Do lado da casa, a equipa de Arsène Wenger, que não tem tido um ano fácil devido à enorme contestação que tem sofrido por parte da massa adepta dos Gunners – até levou à criação do slogan Wenger Out, iria querer aproveitar o fator casa para ultrapassar o seu adversário, ao passo que os visitantes liderados por Pep Guardiola iriam fazer todos os possíveis para seguir em frente na prova, de modo a ter alguma fonte de motivação para a parte final da época.

 

Os onzes iniciais apresentados pelos treinadores não revelaram quaisquer surpresas para o jogo de hoje, estando reunidas as melhores condições para se aguardar um belíssimo espetáculo entre Arsenal e Manchester City.

 

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Com um incrível ambiente criado pelos adeptos presentes nas bancadas do Wembley, o encontro começou a um ritmo moderado, mas com o City desde logo a fazer uma boa circulação de bola, caraterística típica das equipas treinadas por Guardiola. O Arsenal, certamente ciente de que o seu adversário gosta de ter a bola nos seus pés durante largos períodos de tempo, ia aproveitando as desconcentrações do meio-campo do Manchester para tentar contra-ataques rápidos à baliza de Bravo, embora sem conseguir um remate perigoso nos primeiros 15 minutos. Aos 21’, Koscielny teve um golo anulado por fora-de-jogo, numa decisão correta do fiscal de linha, após a marcação de um livre.

Poucos minutos depois, Guardiola viu-se obrigado a substituir David Silva, que se lesionou numa disputa de bola com Gabriel Paulista, por Sterling. Uma mudança que poderia ter algumas consequências na estratégia do técnico espanhol. Até aos últimos 10 minutos da 1.ª parte, o medo de querer arriscar dos dois lados sobrepôs-se, daí que não tivessem surgido boas oportunidades para se alterar o resultado. Aos 39’, o City teve perto de festejar o 1-0, mas o lance foi invalidado pelo fiscal de linha, uma vez que a bola cruzada por Sané já tinha saído do terreno de jogo. Com o decurso do jogo, a euforia do público desvaneceu e aguardavam que o árbitro apitasse para o intervalo. A segunda meia-final chegou empatada a zero ao intervalo, com poucos motivos de interesse para o histórico do jogo. A 2.ª parte seria mais emotiva, dado que os treinadores e jogadores não quereriam ir para prolongamento para decidir quem é que iria acompanhar o Chelsea na final da FA Cup.

 

Os minutos iniciais da 2.ª parte foram bastante mais mexidos em relação a toda a 1.ª parte, com a bola a andar mais perto das áreas. O Arsenal começou melhor o segundo tempo, tentando desde logo assumir o controlo da partida e fazer o primeiro golo do jogo. O Manchester City, que havia dominado a posse de bola no primeiro tempo, procurava estagnar o bom recomeço dos Gunners e voltar a tomar conta do jogo. Aos 62’, Aguero fez 0-1, após uma boa recuperação defensiva de Yaya Touré, o avançado argentino correu com a bola até à baliza de Cech e picou-a por cima do guardião checo. O golo surgia numa altura em que o Arsenal estava por cima no jogo, e agora seria obrigado a ter de correr atrás do prejuízo. A vantagem do marcador trouxe de novo a realidade observada na 1.ª parte: o City a fazer uma circulação de bola segura por todos os seus elementos e o Arsenal a correr atrás da redondinha, o que exigia um esforço adicional dos homens de Wenger.

Arsenal operou reviravolta no marcador: Fonte: GettyImages
Arsenal operou reviravolta no marcador:
Fonte: GettyImages

Esse esforço seria recompensado: aos 72’, Monreal empatou o jogo, num remate de primeira a cruzamento de Oxlade-Chamberlain. O encontro voltava a estar empatado, o que acabava por ser um resultado justo, tendo em conta a prestação dos dois conjuntos. Aos 78’, Yaya Touré teve pertíssimo de devolver a vantagem ao City, mas o seu remate embateu no poste da baliza. Com 1-1 no marcador, os últimos 10 minutos seriam bastante entretidos, dado que o prolongamento era uma possibilidade a ser totalmente posta de parte, por Wenger e Guardiola. Fernandinho, após um canto, quase que fez o 1-2 aos 82’, embora o seu cabeceamento tenha ido à barra. Welbeck, lançado aos 83’ para o lugar o Giroud, teve uma excelente ocasião para completar a reviravolta no marcador, mas o seu remate não levou o rumo desejado pelo atacante inglês. Começava-se a espectar que o vencedor do jogo seria encontrado no prolongamento, o que se confirmou, após 3 minutos de compensação.

 

O prolongamento começou sem qualquer alteração tática. Aos 96’, num canto a favor do Arsenal, o cabeceamento de Rob Holding não passou muito longe da baliza de Bravo. Para tentar alterar o rumo dos acontecimentos, Guardiola fez entrar Fabian Delph e Fernando para os lugares de Aguero e Fernandinho. Mesmo tendo feito essas substituições, o Arsenal é que marcou golo: num livre batido por Ozil, após alguma confusão na área do Manchester City, Alexis Sánchez fez o 2-1, aos 101’. Os adeptos do clube londrino animavam-se com a vantagem no encontro. Os papéis agora invertiam-se, com os homens de Guardiola a ter de ir em busca do empate. Até final da 1.ª parte do prolongamento, o marcador não sofreu alterações e o Arsenal chegava ao intervalo dos primeiros 15 minutos adicionais na frente da eliminatória.

 

    Iheanacho entrou no recomeço do prolongamento para o lugar de Sterling, numa tentativa de Guardiola poder contar mais unidades na frente de ataque. O Arsenal passou a defender com todos os jogadores, embora sem deixar de abdicar de aproveitar os ataques rápidos para fazer o 3-1 e carimbar a sua presença na final. Aos 110’, Delph teve nos pés a ocasião de fazer o 2-2, mas valeu Bellerín a estorvar o remate do jogador inglês. Com o tempo a escassear, os atletas do City tentavam de tudo para conseguir levar a decisão do segundo finalista para grandes penalidades, no entanto jogavam mais com o coração do que a cabeça e não tiveram a inteligência de criar uma boa oportunidade. O jogo acabaria minutos depois com a vitória por 2-1 para o Arsenal. Arsène Wenger levou a melhor sobre Pep Guardiola, e vai agora defrontar o seu rival londrino Chelsea na final do dia 27 de maio.

Foto de capa: Getty Images