O que esperar de um clube rotulado como sendo um dos grandes de Inglaterra e com uma história recheada de conquistas? Sim, importa não esquecer que o Arsenal FC é um dos cinco maiores clubes ingleses, com um estádio capacitado para 60 mil espetadores, com um invejável palmarés de 13 títulos de campeão nacional e 13 Taças de Inglaterra. Para além disso, por lá passaram nomes sonantes como o de Ian Wright, Patrick Vieira, Thierry Henry, Marc Overmars ou Robin van Persie. As expetativas são sempre elevadas mas infelizmente para os Gunners a realidade atual é bem diferente.

A época ainda agora começou e, decorridos apenas dez jogos da Premier League, a diferença pontual entre o Arsenal e o primeiro classificado, Liverpool FC, é já de 12 pontos. Para uma equipa que ambiciona voltar aos seus tempos mais gloriosos, esta distância começa a assumir contornos aparentemente irrecuperáveis.

Contando com quatro vitórias, quatro empates e duas derrotas, a equipa de Unai Emery encontra-se no quinto lugar da competição, quatro pontos atrás do eterno rival Chelsea FC. Mas este mau registo na principal prova interna já vem de anos passados. Afinal, o último campeonato ganho pelo Arsenal foi em 2004. Na Liga Europa a questão parece um pouco diferente. O ano passado a equipa foi finalista vencido da competição e este ano ainda só conhece o sabor da vitória.

Sobre a equipa referir que Unai Emery não parece ter uma tática predefinida, pelo que vai variando entre o 4-4-2, o 4-3-3 ou o 4-2-3-1, apresentando alguma preferência por esta última. No que diz respeito ao 11 inicial, nunca o repetiu em dois jogos consecutivos o que é bem representativo da rotação dada à maior parte dos jogadores do plantel. Ainda assim, importa destacar que o treinador espanhol constrói a equipa com base em alguns alicerces que aparecem regularmente no 11 tipo como é o caso de Aubameyang, Sokratis e Guendouzi.

Em relação a estatísticas coletivas, é de realçar que é a equipa com mais cartões amarelos da Premier League, acumulando já 28. A indisciplina é também revelada no facto de em apenas 10 jogos terem sido assinalados 4 penáltis contra os Gunners. O contraste de resultados casa/fora é também evidente, uma vez que 11 dos 16 pontos foram conquistados em casa, sendo os restantes 5 alcançados fora de portas. Em relação à mesma jornada da época passada, a equipa tem menos seis pontos, menos nove golos marcados e mais um sofrido. Talvez por isso se esteja a instalar o descontentamento no Emirates Stadium.

Festejo do 3º golo do Arsenal frente ao Vitória de Guimarães, no jogo da Liga Europa
Fonte: Arsenal FC

Quando falamos do Arsenal dos tempos modernos há uma opinião que parece consensual: trata-se de uma equipa que ataca com muita facilidade e chega ao golo com alguma rapidez e em jogadas bem delineadas mas, em contrapartida, tem muita dificuldade no momento defensivo. Esta dicotomia cria do adepto uma sistemática insegurança quanto ao resultado final.

São tantas e tantas vezes que perdem o controlo do jogo, transmitindo a ideia de serem uma equipa banal. Veja-se o que aconteceu recentemente na receção ao Vitória de Guimarães, onde só a inspiração individual do costa marfinense Nicolas Pepe evitou aquela que teria sido a maior surpresa desta jornada europeia. Ainda mais notório foi o desaire sofrido no passado fim semana, onde, após ter o jogo aparentemente controlado com uma vantagem de dois golos obtida logo aos nove minutos, a equipa se deixou empatar, acabando por perder dois pontos que pareciam não fugir. A consistência não é propriamente um dos grandes atributos do futebol apresentado pelos londrinos. Ora nos patenteiam com um jogo bem conseguido ora nos desiludem com performances mais modestas.

No passado recente esta realidade tinha invariavelmente um responsável: o “velho” Ársene Wenger que parecia sofrer de um desgaste irrecuperável. A mudança do comando técnico indiciava a resolução destas reincidências, o que em boa verdade parecia fazer todo o sentido. Hoje confirmamos que os problemas serão mais de ordem estrutural. Só assim se justifica o comportamento do capitão, Xhaka, que no último jogo, após ter sido substituído e assobiado pelos seus próprios adeptos, despiu a camisola e foi diretamente para os balneários.

A situação é ainda mais relevante quando, não há muito tempo atrás, tivemos episódios idênticos igualmente protagonizados por antigos capitães de equipa. Refiro-me a Cesc Fábregas e Robin van Persie que forçaram a saída do clube e a Laurent Koscielny que no início desta temporada se recusou a viajar com a equipa para o estágio de pré-época realizado nos Estados Unidos da América.

Os amantes do futebol anseiam que esta grande equipa volte à ribalta. Para isso os Gunners precisam de voltar a dar o salto e de se impor, não só a nível interno como também a nível europeu. Só assim conseguirão fazer lembrar aquela equipa de 2005/06, vice-campeã europeia, que nos faz recordar os tempos mais consagrados do Arsenal Football Club.

Artigo redigido por Guilherme Rodrigues

Foto de Capa: Arsenal FC

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