A CRÓNICA: BERNARDO BISA NAS ASSISTÊNCIAS, MAS O RECITAL FOI DE FODEN

Alheios à discussão dos últimos dias e que os opunha a uma da equipas dos “big six”, o Aston Villa FC recebeu no Villa Park o líder inglês, Manchester City FC, que somava nove vitórias nas últimas dez deslocações para o campeonato. Mas nem por isso se inibiram de surpreender logo no arranque da partida.

Estavam decorridos 20 segundos quando o Aston Villa inaugurou o marcador. A falta foi cobrada de forma rápida ainda no meio campo defensivo e o corte deficiente de Stones permitiu uma receção fácil de Watkins, que serviu rapidamente para McGinn rematar simples e bater Ederson.

Verificou-se de imediato um domínio claro e avassalador dos “citizens”, onde por raras vezes os da casa saíram para o ataque, mas o verdadeiro perigo para a baliza de Martínez chegou apenas aos 20 minutos, depois de uma jogada individual e remate forte de Mahrez, para defesa apertada e a dois tempos do argentino.

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No entanto, eram sinais de aviso mal percebidos pelos visitados. Dois minutos depois Ederson bateu longo e após uma troca de passes simples entre Zinchenko, Foden, Mahrez e Bernardo, o português cruzou atrasado para o local onde Foden apareceu solto de marcação e a empurrar para restabelecer a igualdade.

Resposta rápida, sem euforias e reveladora de uma equipa com ideias, processos e identidade bem definidos. O Aston Villa voltou a dar sinais de presença, com pouco perigo, à passagem do minuto 28, com um remate de Jacob Ramsey a sair à malha lateral, confortavelmente controlado por Ederson.

Foi então, com relativa naturalidade, que os “citizens” chegaram à vantagem na partida. À porta do minuto 40 e após um pontapé de canto recusado pelas torres defensivas dos da casa, Mahrez entregou na direita para Bernardo Silva cruzar para o interior da área. Antecipando-se a Tyrone Mings, Rodri cabeceou para o fundo das redes, sem permitir que Martínez o pudesse impedir.

Aos 43 minutos, o VAR veio  trazer dificuldade acrescida à turma de Guardiola; chamou Peter Bankes para avaliar uma entrada mais dura de Stones e o árbitro mostrou mesmo o vermelho direto ao central inglês. Gundogan viu também o amarelo por protestos – Bankes não estava com disposição para discussões.

Apesar da inferioridade numérica, não se esperava que os “citizens” recuassem e logo aos cinco minutos da segunda parte podiam ter ampliado a vantagem. Gundogan surgiu solto de marcação junto à linha de fundo, tentou servir Mahrez, mas Martínez mostrou-se atento e negou a ligação entre o alemão e o argelino.

Aos 57 minutos, uma ação infantil de Matty Cash nivelou os elementos em jogo; após entrada feia sobre Phil Foden, viu o segundo amarelo e as equipas ficaram em igualdade numérica, agora 10 para 10. Se havia intenções de ameaçar a vantagem dos comandados de Guardiola, estas desapareceram, até porque os “citizens” nunca abdicaram do controlo do jogo.

Mais bola, mais perigo, mais ideias, controlo total. Só novo descuido poderia comprometer nova vitória dos azuis de Manchester. As situações de golo eram esboçadas sempre pela mesma equipa; primeiro Zinchenko de longe, Mahrez após baile dentro da área e depois Gundogan de livre direto.

Canalizando o jogo sempre para o lado onde Watkins descaía – e que por muitas vezes tentou mostrar-se a Gareth Southgate na bancada – o Aston Villa FC não incomodava e baseava-se quase exclusivamente nos cruzamentos para a confusão, prontamente rejeitados nas alturas por Rúben Dias, Laporte ou Rodri.

Até final, não se registaram posses do Aston Villa dignas de registo nem sinais de perigo que obrigassem Ederson a trabalhos esforçados. Por outro lado, também não se viram ocasiões para os “citizens” que justificassem novo golo. Vimos, isso sim, um controlo absoluto do rumo do encontro, com posse rápida e inclusiva, a passar por quase toda a equipa e com constantes variações de flanco.

A vitória, que parecia difícil no primeiro minuto de um jogo que se preparava para humilhar ainda mais as aspirações dos “big six” e respetivos aliados no resto da Europa do futebol, chegou ainda na primeira parte e foi gerida na segunda. Acenta bem à melhor equipa nesta partida e abre nova vantagem de 11 pontos para o segundo classificado. Palavra passada aos rivais de Manchester.

 

A FIGURA

Phil Foden – A exibição de Bernardo Silva foi muito boa, com as duas assistências que permitiram a cambalhota no marcador, mas o que joga Foden é absurdo. Concluiu o golo do empate após desmarcação silenciosa e pertinente bem no coração da área e apresentou um acerto de passe acima dos 90 porcento. Driblou com sucesso sempre que tentou (duas vezes), mas é a ocupação do espaço quando não tem bola e o destino que lhe dá quando está em posse que fazem Foden sobressair numa equipa de tanta qualidade individual. E com apenas 20 anos. Joga como gente grande.

 

O FORA DE JOGO

John Stones e Matty Cash – A abordagem deficiente do central do Manchester City FC logo no início de jogo permitiu que os villans se adiantassem na partida ainda antes de concluído o primeiro minuto de jogo. Como se isso não bastasse, teve uma entrada demasiado rigorosa sobre Jacob Ramsey e merecedora de cartão vermelho, deixando, assim, a sua equipa reduzida a 10 por 45 minutos. Desconcentrado e imprudente. No entanto, não esteve sozinho no que à arte de “borrar a pintura” diz respeito. Em desvantagem no marcador, mas em superioridade numérica, cabia ao Aston Villa FC procurar mais bola e tentar ferir um “City” com 10 homens. Essas ambições foram, no entanto, reduzidas a pó, quando Matty Cash perdeu a bola para Foden e reagiu de forma infantil; na tentativa de a recuperar imediatamente, atirou-se às pernas do jovem inglês, que estava junto à linha lateral e representava zero perigo para a baliza de Martínez. Dois amarelos em três minutos e consequente expulsão. Infantil e imprudente.

 

ANÁLISE TÁTICA – ASTON VILLA FC

Jcomo já vem sendo habitual em jogos de elevado grau de exigência e dificuldade, Dean Smith dispôs as suas peças num 4-1-4-1 (por vezes 4-2-3-1), em frente ao imprescindível Emiliano Martínez.

O quarteto defensivo foi o mesmo dos últimos quatro encontros, com Matty Cash na lateral direita, Matt Targett na esquerda e o eixo da defesa entregue a Ezri Konsa e Tyrone Mings. Na frente desta linha esteve pivô Nakamba, um pouco apagado e desligado. Em superioridade numérica, Douglas Luiz baixou para junto de Nakamba e pudemos observar um 4-2-3-1 mesmo em organização ofensiva.

A linha média teve Traoré e Ramsey claramente entregue às faixas, direita e esquerda, respetivamente. Os terrenos interiores estavam a cargo de Douglas Luiz, quando não baixava para junto de Nakamba, e de McGinn, que se colocava não raras vezes nas costas de Ollie Watkins, a jóia solitária do Aston Villa FC, na ausência prolongada de Jack Grealish.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Emiliano Martínez (6)

Matty Cash (5)

Ezri Konsa (6)

Tyrone Mings (7)

Matt Targett (6)

Marvelous Nakamba (6)

Douglas Luiz (7)

Bertrand Traoré (6)

John McGinn (7)

Jacob Ramsey (6)

Ollie Watkins (7)

SUBS UTILIZADOS

Keinan Davis (7)

Ross Barkley (6)

Anwar El Ghazi (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC

Num habitual 4-3-3, Pep Guardiola optou pelo melhor onze, não descurando a importância desta partida, apesar dos oito pontos de vantagem para os rivais de Manchester. Ederson alinhou na baliza e esteva protegido por uma linha de quatro – por 45 minutos… – composta por Walker e Zinchenko nas laterias e Stones e Rúben Dias no eixo da defesa.

Rodri, claramente com tarefas mais defensivas e de equilíbrios, era o vértice mais recuado do triângulo formado com Gundo gan e Bernardo Silva – embora o português descaísse para a ala direita e permitisse que a equipa se desdobrasse num 4-2-4.

Phil Foden e Riyad Mahrez atuaram nas asas do ataque – com o inglês a dividir o seu posicionamento entre a esquerda e o centro –e no apoio a Gabriel Jesus, avançado algo desligado da partida de hoje.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson (6)

Kyle Walker (6)

John Stones (5)

Rúben Dias (7)

Oleksandr Zinchenko (6)

Rodri Hernández (7)

Ilkay Gundogan (7)

Bernardo Silva (8)

Phil Foden (8)

Riyad Mahrez (7)

Gabriel Jesus (6)

SUBS UTILIZADOS

Aymeric Laporte (6)

Fernandinho (-)

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