Naquele dia em que Balotelli marcou dois golos à Alemanha, no Euro 2012, todos achámos que estávamos perante uma nova estrela. A imagem do festejo em tronco nu correu mundo, fez capas de jornais, e aqueles dois golos conduziram Itália à final do Europeu. Mario Balotelli saiu do Euro da Polónia e da Ucrânia com o rótulo de craque emergente.

Mas, então, o que é que aconteceu? Depois do verão de 2012, o Super Mario acabou por se transferir para o Milan. De regresso à Serie A, e apesar de uns primeiros três jogos impressionantes, não conseguiu afirmar-se. Os episódios caricatos foram-se sucedendo, uns mais graves que outros, e o seu nome ia aparecendo na comunicação social por motivos bem diferentes dos que já havíamos visto. Acabou por voltar à Premier League esta época para representar o Liverpool.

Roberto Mancini – tal como o próprio o disse – foi um pai para Balotelli. Apoiou-o nos primeiros anos da sua carreira, no Inter, e voltou a reencontrá-lo no Manchester City. Foi ele que decidiu que o jovem jogador estaria bem melhor de volta a casa, de volta à Serie A, quando este saiu para o Milan. Mancini foi o único treinador que conseguiu impor limites a Balotelli mas ao mesmo tempo acarinhá-lo, de maneira a extrair dele os melhores resultados. Este tipo de jogadores precisa deste exacto tipo de treinadores: exigentes, fortes, competitivos, mas com tempo para ouvir, treinar e melhorar.

Balotelli não se conseguiu impor em Liverpool Fonte: Facebook Liverpool FC
Balotelli não se conseguiu impor em Liverpool
Fonte: Facebook Liverpool FC

Esta época, em Liverpool, também não foi de boa memória para Mario Balotelli. Com apenas um golo marcado, o internacional italiano foi quase sempre segunda opção e voltou a não conseguir afirmar-se. Com o futuro em aberto, penso que seria melhor para Balotelli voltar às origens – talvez mesmo ao Inter de Milão -, ao futebol que bem conhece e às linhas de passe que o isolam na cara do guarda-redes.

Sinto falta da velocidade irresponsável, dos remates que não pediam licença a ninguém, da rebeldia benigna que atraía verdadeiros lances de mágico. Balotelli precisa de assentar, de um técnico que o respeite e acalme, e precisa, essencialmente, de fazer com que esqueçamos as nódoas negras no seu currículo. Tem talento para isso e muito mais.

24 anos é muito pouco, e este Super Mario tem muito por onde crescer. Fico à espera de que volte ao seu melhor nível e ao seu melhor futebol, para que no próximo Europeu possamos outra vez falar de uma estrela em ascensão. Mas, desta vez, acertadamente.

Foto de capa: Facebook Oficial de Mario Balotelli

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