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Da final da “Champions” ao início de época desastroso

Filipe Carvalho · 3 min

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Se há cerca de cinco meses vos dissessem que o Tottenham Hotspur (vice-campeão europeu), numa fase inicial da nova época, seria goleado pelo Bayern Munchen (2-7) e pelo Brighton & Hove Albion (3-0), acreditariam? Pois bem, o futebol é espetacular por isto mesmo! Num dia, a chegada ao topo da montanha, no outro, a queda a pique!

O treinador manteve-se ao leme (com mérito). Desde 2014 no clube, Mauricio Pochettino, tem vindo a entusiasmar os adeptos a cada ano, com prestações em “crescendo”, tanto na Liga dos Campeões, como na Premier League. Aliando resultados a exibições de “encher o olho”, faz os adeptos sonhar com importantes conquistas. Ou fazia…

A nível de plantel, dos habituais escolhidos, apenas perdeu o lateral direito, Kieran Trippier (Atlético Madrid) e o ponta de lança experiente, Fernando Llorente (Nápoles). Reforçou-se, (ainda que, para posições diferentes) com Ndombélé, Lo Celso e o jovem Ryan Sessegnon. É verdade que se podia ter reforçado melhor, mas os resultados recentes, pouco ou nada, têm a ver com a qualidade do plantel.

Desde que a temporada começou, ainda só venceram por três vezes (!), a contar para todas as competições. Saíram derrotados, inclusive, pelo modesto Colchester UFC, que os atirou para fora da Taça da Liga. E para além disso, encontram-se no nono lugar no campeonato, a 13 pontos do líder Liverpool.

Cá para mim, algo de complicado se passa naquele balneário… Crise de confiança? Confronto de egos? Ou simplesmente “falta de sorte”? A tudo isto, veio agora juntar-se a lesão do guarda-redes e capitão, Lloris. Pode ser que a paragem, fruto dos compromissos das seleções, faça bem à equipa.

Em maio, Pochettino teria, certamente, melhores motivos para sorrir, do que na nova temporada
Fonte: Tottenham Hotspur Football Club

Futebolisticamente falando, dá para perceber que o plantel dos “Spurs” não está à altura do Liverpool, do Manchester City ou até mesmo do rival Arsenal, que esta época se reforçou em quantidade e qualidade, mantendo ainda a aposta do clube nos jovens da formação, tal como o Chelsea. Coloco o Tottenham ao nível do Manchester United, no que diz respeito à profundidade das opções. E cuidado com o Leicester, que este ano voltou forte e já lhes venceu.

Não há, no mínimo, dois jogadores por posição. Pelo menos, não com qualidade idêntica. Falta sangue novo. Falta sangue quente. Faltam jogadores com vontade de provar a sua qualidade. Tão bem que encaixava naquele meio campo, um tal de Bruno Fernandes, de quem tanto se falou no mercado de verão. Acabou por ir, em vez dele, Giovani Lo Celso. Era mais “barato” e mais novo. Mas, a meu ver, de valor inferior.

Na defesa, não chegou ninguém para substituir o titular da época transata (Trippier). Na baliza, não há ninguém à altura de substituir Lloris, aquando das suas lesões recorrentes. Na frente, se não forem Kane e Son, quem é que marca golos? Além disso, há ali gente que já gostaria de ter saído e sente-se algo “presa” ou “obrigada” a ficar. São os casos de Eriksen, que esteve a um passo do Real Madrid e de Alderweireld, que já foi associado várias vezes ao Manchester United.

Algo terá de mudar. E só Pochettino saberá o quê e de que maneira. A direção do Tottenham já reiterou a sua confiança no técnico argentino. Segundo a imprensa espanhola, se a massa diretiva o quiser despedir, terá de indemnizar o mesmo em 36 milhões de euros. Sendo assim, é normal que não estejam muito preocupados com os resultados negativos… Afinal, o que é que preferiam? Dar tempo a um treinador (competente, com provas dadas) acreditando que se trata apenas de uma fase negativa, ou gastar tal quantia para o “mandar embora”?

Foto de Capa: Tottenham Hotspur Football Club

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Filipe Carvalho

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