A CRÓNICA: Por um centímetro se ganha, por um centímetro se empata

O derby de Merseyside esperava-se, este ano, mais equilibrado do que nunca. De um lado, apresentava-se um Liverpool FC que, embora tenha cometido um deslize no último embate frente ao Aston Villa F.C., na derrota por 7-2, se mostrava forte, como nos foi habituando nas últimas épocas. A grande diferença estava na equipa caseira, que se tem revelado muito competente na corrente temporada, com quatro vitórias em quatro partidas e o consequente primeiro lugar isolado.

Os onzes iniciais foram pouco ou nada surpreendes, num jogo que tinha tudo para ser de alto nível. E isso confirmou-se cedo, quando, logo aos três minutos, Sadio Mané colocou a bola no fundo das redes e fez mexer o placard no Goodison Park. Os Toffees não iriam ser um osso fácil de roer. Aos 19 minutos, empataram a partida através de uma bola parada, momento em que também se têm mostrado muito fortes. Michael Keane saltou mais alto do que Fabinho e, com a ajuda de Adrian, restabeleceu a igualdade. A partir daí, o jogo, que estava a ser equilibrado, mudou um pouco de figura. O Liverpool FC começou a assumir as despesas da partida e superiorizou-se ligeiramente, tendo oportunidades para voltar à liderança da partida. Mas isto não aconteceu, e, ao intervalo, o resultado era de 1-1.

Na segunda parte, as duas equipas regressaram muito motivadas e com vontade de praticar bom futebol. O Liverpool F.C. permaneceu com um ligeiro ascendente, mas não foi isso que impediu a turma de Ancelotti de fazer aproximações perigosas à baliza defendida pelo espanhol, que, aos 59 minutos, passou por um calafrio, quando Richarlison enviou a bola ao poste direito, depois de um belo cruzamento de James Rodriguez, o jogador mais da equipa do Everton F.C..

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No entanto, aos 72 minutos, os Reds conseguiram fazer jus à bela exibição que estavam a realizar e, depois de um corte deficiente de Yerri Mina, Mohamed Salah conseguiu fazer o seu sexto golo esta temporada, colocando a sua equipa de novo na dianteira do marcador. Mas, mais uma vez, o Everton FC justificou o porquê de todos os elogios que tem recebido a posição que ocupa na tabela. Já depois das entradas de Gylfi Sigurdsson e de Alex Iwobi, foi do lado esquerdo que surgiu o cruzamento de Digne, que encontrou a melhor direção para a cabeça de Calvert-Lewin. O jogador fez balançar as redes e restabeleceu a igualdade na partida.

A partir daí, quase que só deu Liverpool FC, e a equipa caseira não se livraria de passar por momentos de cortar a respiração, especialmente depois de Richarlison ver o cartão vermelho direto aos 90 minutos, numa entrada feia sobre Thiago. A jogar com dez, os Toffees viriam mesmo a sofrer um golo aos 92 minutos do encontro, trazendo de volta os fantasmas da partida da época passada, quando os Reds fizeram o 1-0, aos 96 minutos, através de Divock Origi, e conseguiram arrecadar os três pontos. No entanto, desta vez, contaram com a ajuda do vídeo-árbitro, que marcou um fora de jogo polémico. Na minha opinião, foi mal assinalado e só veio segurar o empate, num jogo de loucos onde a vitória do Liverpool F.C. não seria descabida face àquilo que a equipa produziu.

Ainda assim, o resultado final foi mesmo o 2-2, fixado aos 81 minutos, e as equipas estão agora nos dois lugares cimeiros da tabela, separadas por três pontos, e prometem que este será um campeonato muito mais renhido e bem disputado do que o que vimos a época passada.

  

A FIGURA


Thiago Alcantara – Apesar de não ter conseguido a vitória, esta foi uma exibição muito bem conseguida pela equipa do Liverpool FC, muito por causa do trabalho do médio espanhol contratado esta temporada. Thiago, que chegou a Inglaterra há poucas semanas, já se assumiu como o farol dos Reds. Por ele passa toda a fase de construção e criação da equipa de Jurgen Klopp. Muito assertivo nos passes, tanto curtos como longos, sabemos que é um jogador que engana muito os adversários com o movimento corporal que realiza. Hoje, isto voltou a acontecer. Foi um autêntico maestro e, ainda que sem golos ou assistências, foi ele o homem do jogo.

O FORA DE JOGO


Vídeo-árbitro – Sabemos que é uma nova tecnologia que apareceu para repor a verdade desportiva que para muitos andava desaparecida, mas, hoje, o vídeo-árbitro não pareceu estar à altura do jogo que se realizou. Numa partida tão bem disputada, na qual todos os seus intervenientes estiveram a um grande nível, falhou a tecnologia nos últimos minutos de jogo, quando assinalou o fora-de-jogo a Sadio Mané, que pareceu estar em posição regular. Uma falha que custou os três pontos à equipa forasteira e que, certamente, será muito discutida em Inglaterra durante a próxima semana.

  

ANÁLISE TÁTICA – EVERTON F.C.

 A equipa de Carlo Anceotti apresentou-se no seu já conhecido 4-3-3, que tem tido um enorme sucesso neste arranque da temporada. Apresentou dois defesas-centrais muito fortes fisicamente e dois laterais muito capazes no momento ofensivo, conseguindo também eles entrar no processo mais dianteiro da equipa, criando desequilíbrios e, sobretudo, situações de cruzamento. À frente da defesa, aparecem três médios que ocupam o corredor central, sendo Allan, conhecido como o ”bombeiro de serviço”, o mais recuado, e Doucouré e André Gomes os mais criativos, que ligam o jogo com o setor mais ofensivo. Na última linha, aparecem as três ameaças dos Toffees: James Rodriguez pela direita, sempre com tendência para fazer movimentos interiores e diagonais; Calvert-Lewin, o ponta-de-lança puro; e Richarlison, mais vertical do que James e sempre na procura de roturas e de colocar velocidade na partida. Com a lesão de Coleman e a entrada de Godfrey, a equipa perdeu alguma projeção ofensiva do lado direito, uma vez que este é um defesa-central de raiz e não tem as habilidades técnicas do capitão, que saiu aos 30′, devido a uma lesão.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Pickford (8)

Coleman (6)

Yerry Mina (5)

Michael Keane (7)

Digne (7)

Doucoure (6)

Allan (7)

André Gomes (6)

James Rodriguez (8)

Calvert-Lewin (7)

Richarlison (6)

 SUBS UTILIZADOS

 Godfrey (6)

Sigurdsson (6)

Iwobi (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

 Jurgen Klopp dispôs a equipa como estamos habituados a ver. O 4-3-3 tantas vezes utilizado na época passada, com a entrada de Thiago para o lugar de Wijnaldum. Van Dijk saiu cedo na partida, devido a uma lesão, e para o seu lugar entrou Joe Gomez. As linhas foram ocupadas por Alexander-Arnold e Robertson, que, como sabemos, dão uma enorme projeção ofensiva à equipa e fazem com que Salah e Mané venham muitas vezes procurar movimentos interiores, juntando-se a Firmino, o falso-nove da equipa. No meio campo, Fabinho como elemento mais recuado, Thiago como o motor da equipa e Henderson como o médio de progressão que aparece mais adiantado no terreno.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Adrian (5)

Alexander-Arnold (6)

Matip (6)

Van Dijk (-)

Robertson (6)

Henderson (7)

Fabinho (7)

Thiago Alcantara (8)

Salah (7)

Firmino (6)

Mané (7)

 SUBS UTILIZADOS

 Joe Gomez (6)

Diogo Jota (5)

Wijnaldum (-)

Artigo revisto por Mariana Plácido