cab premier league liga inglesa

Está de volta, finalmente, o melhor campeonato de futebol do mundo. Milhares de famílias inteiras por toda a Grã-Bretanha rumarão aos estádios do clube do coração para o apoiar no jogo de estreia da época 2015/2016. Mais tarde, os adultos rumarão aos pubs e qualquer resultado servirá para beber – esquecer uma derrota, celebrar uma vitória ou simplesmente saudar o regresso do campeonato em caso de empate. De qualquer forma, todos ganham, seja na Grã-Bretanha, na China, em Portugal ou em qualquer outro país em que a Premier League seja difundida. Pois, aconteça o que acontecer, o espectáculo está garantido. Seja em jogos de equipas de topo, em encontros de equipas que lutam para se manter no principal escalão inglês ou na sempre incandescente luta pela Europa. Há disputas para todos os gostos.

Com a qualidade que têm as equipas da Premier League, e tendo em conta os reforços que chegaram à competição, é sempre difícil apontar candidatos à descida, porém, os últimos a chegar costumam ser os primeiros a sair, e Bournemouth, Norwich e Watford serão sempre olhados como membros mais frágeis por mudarem de patamar competitivo, sobretudo os dois primeiros – o primeiro porque se estreia na Premier League e porque fez uma autêntica revolução ao plantel, apesar de ter ficado a ganhar (entraram Boruc, Atsu e ainda Tyrone Mings), o segundo por se ter revelado uma equipa bastante permeável, algo que, para além da chegada de Wisdom, não atenuou no período de transferências. O Watford parece-me menos candidato à descida relativamente aos outros dois, pois reforçou-se muito bem ao longo do defeso, não perdendo, ao mesmo tempo, a estrutura do plantel da época passada, ao qual foram acrescentadas mais valias como Behrami, Jose Holebas, Sebastian Prodl, Jose Manuel Jurado, Miguel Britos ou Allan Nyom, lateral direito que era muito cobiçado pela Europa fora mas que aterrou em Watford. O lugar do clube, caso a equipa consiga fazer valer o investimento feito pela família Pozzi (detentora do clube), poderá ser ocupado por Sunderland ou Leicester. Os primeiros já no ano passado estiveram na luta pela manutenção até ao fim e o mesmo pode acontecer este ano,  pese embora as chegadas de Coates, Lens ou Kaboul; já os segundos tiveram uma época que surpreendeu pela positiva, e a chegada de Fuchs ou Huth vem trazer experiência a uma equipa que precisava dela, porém, isso pode não suprimir a eventual falta de talento em comparação com outras equipas da Premier League…

Jurado pode ajudar o Watford a ser uma das surpresas da Premier League 2015/16 Fonte: Facebook do Watford FC
Jurado pode ajudar o Watford a ser uma das surpresas da Premier League 2015/16
Fonte: Facebook do Watford FC

…o que só comprova a sua competitividade, atestada, no ano passado, com o facto de uma equipa como o Newcastle ter ficado na cauda da tabela, disputando a manutenção quase até ao final. Uma equipa recheada de bons jogadores mas sem reflexos nos resultados, pois a competição é feroz e a “classe média” da primeira liga inglesa vai subindo cada vez mais, sendo cada vez menos notório o fosso para os big five ou para a zona de relegação. A escolha de jogadores pretendidos por meia Europa, como Deulofeu (Everton), Aleksandr Mitrovic (Newcastle), Andre Ayew (Swansea) , Clasie (Southampton), Affelay (Stoke), Yoahn Cabaye (Crystal Palace), Payet (West Ham), Idrissa Gueye (Aston Villa) ou Rickie Lambert (West Bromwich Albion) em actuar nesta “classe média” é sintomático disso mesmo e vem trazer mais apetite aos jogos disputados pelas respectivas equipas. Entre estas, destaque para o Stoke, que se reforçou em quantidade e qualidade – van Ginkel tentará relançar a carreira de médio brilhante que lhe foi “diagnosticada” acompanhado de um compatriota, Affelay, que procura o mesmo propósito, tendo, como suporte “emocional”, jogadores experientes e com qualidade, como Shay Given ou Glen Johnson, que também poderão ajudar outros reforços talentosos, como é o caso de Joselu. No que toca ao bom reforço do plantel, há ainda a destacar: o Newcastle, que conseguiu o concurso de Aleksandr Mitrovic, um excelente ponta-de-lança com tudo para dar certo na Premier League (disponibilidade física e instinto matador) e de Georginio Wijnaldum, um talentoso ex-PSV muitíssimo desejado; e o Southampton, que assegurou os serviços de Jordi Classie e Juanmi, o primeiro para suprir a saída de Schneiderlin, o segundo para reforçar um sector ofensivo, já de si, forte. Qualquer uma das equipas referidas poderá disputar um lugar na zona europeia. Talento não faltará. Mas tudo se resumirá à luta entre elas e àquilo que farão em sua casa contra os chamados grandes, que disputam o trono, habitualmente ocupado pelo Chelsea de José Mourinho…

…e o português manteve-se fiel ao jargão bem luso – “em equipa que ganha não se mexe” – mantendo praticamente toda a estrutura da equipa da época passada, que venceu o campeonato, entrando apenas jogadores como Falcao e Begovic para suprimir as saídas de Drogba e Petr Cech. Faltará um reforço do lado esquerdo da defesa, pela saída de Filipe Luís, mas Cesar Azpilicueta dará bem conta do recado enquanto isso não acontecer. A aposta do Arsenal, curiosamente, foi no mesmo sentido, mantendo a estrutura base da equipa do ano passado, entrando apenas Petr Cech, um bom reforço para a baliza e que já deu frutos aos gunners, contribuindo para a conquista da Community Shield. O primeiro duelo entre Wenger e Mourinho foi ganho pelo francês e não foi disputado a feijões, o que faz prometer acesas “conversas” de imprensa ao longo da época, na qual se deverão intrometer os rivais de Manchester, Pellegrini e Van Gaal. O primeiro não poderá falar assim tanto, pois conseguiu as tão desejadas aquisições de Fabian Delph e Raheem Sterling, mantendo todos os seus jogadores de topo que perfazem um ataque temível à semelhança do que já vinha acontecendo até então; o segundo também não poderá queixar-se da falta de apoio da estrutura do United, que obedeceu aos seus desejos e reforçou os red devils com quantidade e qualidade – Schneiderlin e Schweinsteiger estabilizarão o meio-campo, Depay vai provando que pode ser um caso muito sério juntamente com Rooney, com quem vai revelando excelente entendimento, e Darmian é o lateral direito que Van Gaal pediu. Faltará reforçar o sector mais recuado, mas as saídas de Di Maria, Falcao e Robbie Van Persie não serão sentidas no que toca à forma de jogar do United do ano passado relativamente a este ano…

Rooney e Schweinsteiger podem ser duas pedras basilares num eventual sucesso do United, este ano Fonte: Facebook do Manchester United
Rooney e Schweinsteiger podem ser duas pedras basilares num eventual sucesso do United, este ano
Fonte: Facebook do Manchester United
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… algo que poderemos ver já no próximo sábado, frente a uma equipa que também não mudou muito. O Tottenham também manteve a sua estrutura da época passada, sendo a única saída relevante a de Paulinho face ao onze habitual do ano passado. Com a continuidade de Pocchetino e o facto de não terem saído jogadores importantes para além do brasileiro, fica mais propícia ao sucesso a campanha dos Spurs na Premier League deste ano, dado que se focaram no reforço da defesa neste período de transferências, com as entradas de Wimmer e Alderweireld a comprová-lo. É previsível que os Spurs se superiorizem aos rivais da “classe média” inglesa, porém, será difícil estimar se há qualidade e estabilidade para a equipa se intrometer na luta dos Big Four acima citados, algo que já é mais fácil de descortinar ao analisar o Liverpool, que, apesar de perder Sterling e Gerrard, duas peças importantes na estrutura da equipa, sobretudo a nível ofensivo, conta agora com Roberto Firmino e Chris Benteke (custaram perto de 70 milhões de euros, só os dois) para o ataque, mantendo nos seus quadros Phillipe Coutinho e uma possível revelação, Jonathan Ibe, que ganhou espaço para se afirmar com a saída do jogador nascido na Jamaica. Também a defesa foi bem forçada, com a entrada de Nathaniel Clyne, do Southampton, um dos melhores laterais a actuar no futebol inglês no ano passado. James Milner acrescenta músculo e experiência aos reds, e isso pode ser fulcral para que voltem a intrometer-se na luta pelo título, no primeiro ano após-Gerrard.

Definitivamente, motivos não faltam para se acompanhar a edição 2015/2015 da Premier League. O espectáculo do costume está garantido, com o bónus de se acrescentarem novos intervenientes.

Promete.

Foto de capa: Facebook da Premier League

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