O Liverpool está, na minha opinião, em 2014/15 mais perto do que nunca de ganhar pela primeira vez a Premier League no seu actual formato. Suárez saiu, mas chegaram mais opções para o conjunto de Brendan Rodgers.

Começando pela baliza: Mignolet. O belga é dos melhores guarda-redes a actuar em Inglaterra e isso foi provado na época passada. Depois de grandes temporadas ao serviço do Sunderland, chegou ao Liverpool e não desiludiu. Transmite uma segurança à equipa que creio que Pepe Reina nunca chegou a transmitir. É um guarda-redes seguro e muito low profile.

No centro da defesa havia Skrtel, Sakho, Kolo Touré e Agger. Olhando para os nomes esta parece ser uma muralha, mas na prática não o é. Sakho chegou com vários problemas físicos e falhou vários jogos em 2013/14, mas tem tudo para explodir definitivamente nesta nova época. Kolo Touré foi demasiado mau; erros infantis e inconcebíveis para alguém com a carreira e experiência do costa-marfinense. Já o dinamarquês Agger viveu também parte da época lesionado e não manteve o seu nível de jogo e a sua veia goleadora. Skrtel, esse sim, apresentou um excelente aproveitamento no ataque, com sete golos marcados. Foi, sem dúvida, o melhor central. Se todos estes centrais estivessem na sua plena forma, como já disse, constituiriam uma das melhores defesas no mundo, mas creio que a sua irregularidade é algo preocupante, e daí o Liverpool ter ido ao mercado buscar Lovren – um dos vários nomes do Southampton que chegaram a Anfield -, que é muito forte no jogo aéreo, causa muito perigo em lances de bola parada e certamente será titular indiscutível.

Nas laterais há ainda um problema por resolver. Glen Johnson não teve uma época muito boa e fez também um Mundial para esquecer. O titular na direita deve ser mesmo o jovem Flanagan, que jogou a última época encostado à esquerda, abrindo espaço para o regresso de José Enrique, ou para uma mais do que possível contratação de Moreno, do Sevilla. Seja como for, acho que a defesa, ainda assim, será o elo mais fraco desta equipa.

Chegamos ao meio-campo e vemos muitas mais opções do que no ano passado. Começando pelo sector mais recuado do miolo, Lucas Leiva está de regresso, depois de quase um ano de paragem; Gerrard tem descido no terreno de ano para ano e o que é incrível é que parece que está cada vez melhor e com um remate cada vez mais potente – esta pode muito bem ser a última época do mítico ‘8’ do Liverpool. Avançamos e temos Jordan Henderson, que está numa forma absolutamente fantástica: parece que não se cansa e corre sempre os 90 minutos sem qualquer dificuldade. Tem demonstrado também ser muito bom a aparecer em zonas de finalização. Joe Allen continuará a ser um bom substituto quer para a zona de médio defensivo, quer para médio centro. A tudo isto, o Liverpool juntou ainda a força bruta de Emre Can. Depois de uma temporada soberba no Bayer Leverkusen, o Liverpool gastou cerca de 12,5M€ no jogador formado no Bayern München, e fez muito bem. Alia a força da técnica à técnica da força e creio que pode muito bem vir a ser titular na equipa de Brendan Rodgers.

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Emre vem dar muito músculo ao meio campo dos reds Foto: Liverpool FC
Emre vem dar muito músculo ao meio campo dos reds
Foto: Liverpool FC

Quem também chegou esta época foi Lallana. O inglês é mais um vindo do Southampton. Dono de uma técnica, velocidade e precisão de remate ao alcance de poucos, viu premiada assim a sua excelente época ao serviço dos Saints, com uma transferência muito lucrativa para o clube de Liverpool. Para Coutinho creio que já não há palavras. Um prodígio. Tanta falta fez no Brasil este Mundial… É dos melhores ’10’ a jogar em Inglaterra, e depois da pré-época que fez tem tudo para se afirmar como um dos melhores da próxima época. Chegamos às alas e temos Sterling, que, para mim, é o jogador que actualmente mais se parece com Messi. Não falo em qualidade no seu todo, mas no seu estilo de jogo. A sua estatura, o seu drible com a bola colada ao pé, os piques com as mudanças de velocidade, os remates certeiros e os passes milimétricos fazem dele uma das maiores promessas a nível mundial. Depois de se ter afirmado como titular e peça fundamental no esquema do Liverpool, pede-se a Sterling que mantenha o seu nível de jogo, mas o mais provável é que continue a melhorar de treino para treino e de jogo para jogo. Do outro lado, quem pode aparecer é o ex-Benfica Lazar Markovic. Depois de uma temporada ao mais alto nível e recheada de títulos, o jovem sérvio mudou-se para Inglaterra por 25M€. Não se podia ter mudado para sítio melhor. O ataque contínuo e a pressão infernal do Liverpool servirão para que Marko continue a melhorar o seu jogo e para que continue a sua evolução como excelente jogador de futebol que é.

Para o centro do ataque há Sturridge. O inglês foi o segundo melhor marcador da época passada e é a minha aposta para ser o melhor na presente época. Velocidade, explosão, técnica, remate, irreverência… todos estes factores contribuem para que Sturridge possa vir a ser o melhor dos melhores em Inglaterra. Depois de uma pré-época mais do que boa, a tripla Coutinho-Sterling-Sturridge vai dar muito que falar. Do Southampton chegou também Rickie Lambert. Não é nenhum jovem, mas é um excelente avançado com um instinto matador que poucos têm. Produto das escolas do Liverpool, chega ao clube com 32 anos e com muita experiência em colocar a bola no fundo das redes.

Uma dança que se vai repetir muitas vezes este ano Fonte: lovethatmag.com
Uma dança que se vai repetir muitas vezes este ano
Fonte: lovethatmag.com

Mas creio que o principal trunfo do Liverpool está no banco. Não falo só de Brendan Rodgers, que é um dos melhores treinadores da actualidade e já o demonstrou na última época, mas sim da profundidade do plantel. O Liverpool vai ter um banco de luxo, algo que não tinha há largos anos, sobretudo no ano passado. Para além de jogadores que seriam habituais titulares em 90% das equipas do mundo, há ainda jovens a despertar, como é o caso do português Teixeira, que já jogou na época passada. Há ainda o também português Ilori, Jerome Sinclair, Adorján, Yesil, Ibe ou Borini.

Esta será uma Premier League de loucos, com várias equipas a disputar o primeiro lugar, mas a minha aposta pessoal recai neste Liverpool, que faz do trabalho de equipa a sua principal arma e que joga sempre um futebol demasiado apaixonante para dele não se gostar.