A CRÓNICA: CLÁSSICO MORNO E SEM GOLOS AGRADA A RED DEVILS, FOXES E CITIZENS

Os líderes da Liga inglesa visitavam o campeão em título com o topo da classificação a fervilhar. Pressionados pela vitória do Leicester City FC no dia anterior (2-0 vs Southampton FC), a vitória dos reds não só permitia nova subida na classificação, como a igualdade pontual com os de Manchester, no primeiro lugar.

Em Anfield encontravam-se o melhor ataque da prova e a pior defesa da primeira metade da tabela; esperavam-se golos. No entanto, a primeira parte mostrou que esse cenário estava para durar. Muita posse, muito critério na construção, mas pouca objetividade a visar as redes de Alisson e de Gea.

Aos três minutos, os de Liverpool queriam mostrar ao que vinham; depois de uma posse enérgica, com grande envolvimento dos homens da frente, Robertson cruzou muito chegado à baliza, mas de Gea controlou. O início prometedor ficou só por aí, pela promessa, já que só aos 17 e 34 minutos a equipa de Klopp voltou a rematar.

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A melhor oportunidade dos reds saiu pelos pés de Firmino, pouco depois do primeiro quarto de hora. O remate saiu desenquadrado, mas o destaque vai para o trabalho entre linhas de Shaqiri e o passe milimétrico a solicitar Mané. O senegalês atraiu e aguentou a pressão dos dois centrais e serviu o brasileiro, que não deu o melhor seguimento à jogada.

O melhor que os red devils fizeram em toda a primeira parte foi um remate ao lado, na cobrança de um livre direto, pelo inevitável Bruno Fernandes. 45 minutos para esquecer dos líderes da liga inglesa, com pouca bola no chão e uma tentativa desmesurada pelo passe longo, nas costas dos centrais “infiltrados” do adversário.

Para a segunda parte previa-se que a equipa de Klopp fosse mais objetiva na hora de atacar a baliza, mas Solskjaer subiu o bloco de Manchester, passou a pressionar mais cedo, mais à frente e a condicionar bem mais a construção do adversário.

O ritmo e a qualidade da partida desceram e embora o “United” passasse a ter mais presença no jogo, não o conseguiu traduzir em assédio à baliza de Alisson até bem perto dos 80 minutos. Por sua vez, o Liverpool FC perdeu a autoridade dos primeiros 45 minutos e revelou pouco discernimento já dentro de área.

Aos 62 minutos, Firmino protagonizou o momento mágico da tarde ao tirar o adversário do caminho com uma finta vistosa e serviu Salah. No coração da área, o egípcio demorou muito a decidir e a oposição de Maguire impediu que o remate tivesse melhor destino.

A um quarto de hora do final, Rashford e Shaw combinaram na asa esquerda, o lateral cruzou atrasado e o desinspirado Bruno Fernandes rematou à figura, em condições para fazer muito melhor. A partir de então, o jogo partiu e os contra ataques de parte a parte sucederam-se, mas ainda com pouco acerto.

O melhor que os visitados conseguiram foi um remate forte de Thiago, de fora da área, para o vôo de de Gea. No entanto, a melhor oportunidade do jogo surgiu a sete minutos dos 90 e para o lado dos visitantes. No interior da área, Pogba recolheu uma bola perdida e rematou fortíssimo, mas parmitiu a grande intervenção do jogo. No canto consequente, valeu novamente Alisson a negar a vitória dos forasteiros.

Num jogo pouco brilhante e num ritmo invulgarmente baixo entre os reds, sorriram os de Manchester que além do ponto somado na casa do campeão em título, mantêm a distância para a turma de Klopp e seguem na liderança surpreendente da prova. Até ver.

 

A FIGURA

Alisson Becker – A exibição de Thiago roçou o assombroso, mas foi Alisson quem teve influência direta no resultado. O médio espanhol merecia totalmente a distinção pela omnipresença, segurança e qualidade de passe na construção. No entanto, os da casa bem podem agradecer à muralha brasileira o solitário ponto que resgataram deste duelo. Foi fulcral por duas vezes, aos 83 e 84 minutos, e voltou a mostrar-se essencial na forma de jogar dos reds, cortando a profundidade do ataque do adversário num par de vezes. Essencial, só não marca golos.

 

O FORA DE JOGO

reds
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Bruno Fernandes – Não errou escandalosamente nem prejudicou a equipa, mas será sempre uma tarde negativa quando Bruno Fernandes não brilha. Há dias assim e até Bruno Fernandes tem direito aos dias “não”. Além de um remate à figura, que podia ter dado a vitória, venceu apenas dois duelos dos sete que disputou, recorreu em demasia ao passe longo – sem sucesso – e contabilizou 19 perdas de posse. Números negativos para alguém que sabe tão bem tratar o jogo e a bola.

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

Os reds parecem ultrapassar a ausência de centrais com alguma facilidade. Na verdade, na fase de construção até beneficiam de ter mais dois médios em campo.

No habitual 4-3-3, a escolha “central” recaiu sobre Henderson e Fabinho. O brasileiro até já desempenhou aquela função, mas uma vez ultrapassadas as dificuldades defensivas, Klopp ganha, em ataque, mais dois pensadores de jogo – ainda que Thiago recolha todos os holofotes.

Os homens do meio campo viveram em permuta constante, sobretudo na primeira parte. Sempre que os laterais se projetavam, Thiago descia para junto de Fabinho e Henderson e a construção era feita a três. Wijnaldum equilibrava e Shaqiri oferecia solução entre linhas.

O trio habitual da frente teve em Firmino o dente mais afiado. O brasileiro disparou várias vezes, sem o melhor sucesso, mas destacou-se mais nos apoios de costas para a baliza. Salah e Mané, por sua vez, revelaram-se nada brilhantes na linha e algo lentos e errados no momento da finalização.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Alisson Becker (8)

Alexander-Arnold (7)

Jordan Henderson (7)

Fabinho (7)

Andrew Robertson (7)

Thiago Alcântara (8)

Georginio Wijnaldum (6)

Xherdan Shaqiri (6)

Mohamed Salah (6)

Sadio Mané (6)

Roberto Firmino (7)

SUBS UTILIZADOS

Curtis Jones (6)

Divock Origi (-)

James Milner (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC

A turma de Ole Gunnar Solskjaer apresentou-se num 4-2-3-1, com Fred e McTominay na frente do quarteto defensivo. Juntos somaram 10 desarmes; melhor o escocês na ação defensiva, superior o brasilerio na saída para o ataque.

O trio do meio campo esteve bastante desligado – não só da defesa ou do ataque, mas do jogo. Pogba sobressaiu quando se aventurava nas costas Robertson; Henderson saía na dobra e perdia sempre o duelo. Martial teve na organização defensiva o seu melhor momento e uma completa confusão em ataque.

A exuberância de Bruno Fernandes não foi a mesma de outros jogos e o homem da frente pagou caro; Rashford não ligou com nenhum dos colegas, apostou sempre no lance individual e não somou qualquer remate em toda a partida.

Um jogo difícl de analisar no momento ofensivo, onde os reds se basearam no bloco baixo e contra ataque vertiginoso. E até podiam ter chegado à vitória dessa forma.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

David de Gea (7)

Luke Shaw (7)

Harry Maguire (7)

Victor Lindelof (6)

Aaron Wan-Bissaka (6)

Scott McTominay (7)

Fred (7)

Bruno Fernandes (6)

Marcus Rashford (6)

Paul Pogba (7)

Anthony Martial (6)

SUBS UTILIZADOS

Edison Cavani (6)

Mason Greenwood (-)

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