Lukaku: os golos estão de volta ao United

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Está encontrado o substituto de Ibrahimović. Lukaku pediu o 9 ao sueco, mesmo sabendo que não precisava da sua permissão, denotando a humildade que lhe é característica. Essa humildade contrasta com o seu “cabedal”. É um portento físico. Uma besta. Um animal de área, que ganha a maioria das bolas que vêm pelo ar. Como ponta de lança puro que é, só mesmo esse número estampado nas costas lhe concede aquela audácia de ser o homem mais avançado no terreno.

Nascido na Antuérpia, a segunda maior cidade da Bélgica, em 1993, o ponta de lança aterra agora em Manchester. Segundo o belga, a proposta de trabalhar com Sir José Mourinho é irrecusável. Faz sentido não é verdade? Afinal, já teve essa experiência, não foi o mais feliz, mas também não era o momento. Tinha acabado de desabrochar e foi logo lançado contra o grande Bayern de Munique, moldado por Jupp Heynckes e orientado por Pep Guardiola. Grande jogo em perspetiva, Mourinho pegava num Chelsea recém campeão da Liga Europa; e o já mencionado Guardiola começava a sua jornada num Bayern campeão europeu em título. O resto já se sabe.

O que não se sabia era a sua continuidade no plantel londrino. Acabou por rodar no WBA, e depois rumou a título definitivo para o Everton. Em Liverpool, foi cabeça de cartaz de uma grande campanha realizada pelos “The Toffees” (7º lugar), ao leme de um nosso bem conhecido, Ronald Koeman. Contabilizou 32 golos em todas as competições numa equipa ofensiva, organizada e bastante competitiva. Não foi apenas na presente janela de transferências que foi referenciado para determinados clubes do topo de futebol europeu, porém, o seu desempenho na época transata elevou não só o número de interessados, como também a parcela monetária que esses mesmos emblemas estavam dispostos a despender no seu passe.

 

Lukaku foi a principal figura do Everton F.C. em 2016/17 Fonte: Mirror
Lukaku foi a principal figura do Everton F.C. em 2016/17
Fonte: Mirror

Mourinho assumiu interesse junto da direção e o negócio concretizou-se. Mas será que foi assim tão simples? O eterno interesse em Cristiano Ronaldo, que se acentuou este Verão depois das tão insistentes “notícias” acerca da sua suposta fuga fiscal em Espanha; a loucura por Kylian Mbappé (não apenas por parte dos Red Devils); as observações em França a Alexandre Lacazette; o alegado “assédio” a Gareth Bale ou Griezmann; e Alvaro Morata, jogador que não é titular em Madrid e que já tem créditos bem firmados. Morata consistiu numa alternativa bastante viável à então vaga deixada por Zlatan Ibrahimović, muito devido ao namoro antigo dos merengues com De Gea… Lukaku, no final de contas, foi o preferido.

Zlatan é único e isso é absolutamente inquestionável. Mas, em termos táticos, julgo que Lukaku, com 24 anos de idade, acrescentará, segundo parâmetros mais objetivos de jogo, naturalmente, mais soluções a José Mourinho. Um 9 com 1.91m de altura, 94kg de peso, e que ao mesmo tempo é tão solto com e sem bola, um tanto rápido, não se acanha quando tem de ultrapassar um oponente e sabe abordar e concluir lances de cruzamento da ala de forma tão eficiente, tem de assentar como uma luva num Manchester United pouco eficaz, tem de ser uma mais valia. E uma mais valia para durar.

Hoje, apareceu pela primeira vez em campo esta pré-época. Reencontra quem o lançou no Chelsea com um penteado novo, e não só. Está diferente, agora é um jogador à séria, não se trata apenas de uma jovem promessa. Daí haver justificação para os cerca de 75 milhões de euros pagos ao Everton, e mais uns tantos dependendo de objetivos.

Mourinho, jogando num sistema 4-2-3-1, dá clara ênfase ao ponta de lança. Fica logo visto que a tarefa de marcar golos lhe cabe a ele. Rashford, na 1ª parte, demonstrou isso mesmo e em grande plano, há que admitir! Mata, na minha solene opinião, é o jogador com melhor visão de jogo, melhor tomada de decisão na equipa que, complementando com a raça de Mkhitaryan, virtuosismo de Jesse Lingard, Martial, Marcus Rashford, e juntando o apurado faro de golo do próprio Lukaku, darão asas, na teoria, a muito “show de bola”. A facilidade da equipa em abrir espaços na frente de ataque, bem como no transporte individual do esférico, seja recorrendo a combinações 1×2, ou triangulações, para zonas próximas e enquadradas com o alvo, fomentam o papel decisivo do ponta de lança, seja como pivot, ou “limitando-se” a encostar a bola para a baliza.

O seu papel será lutar contra os centrais, ganhar bolas provenientes do pontapé de baliza da sua equipa/passes vindos dos centrais (jogo direto) e, falando agora mais no processo final da construção de jogo: o saber que terrenos pisar, em que circunstâncias, e como o deve fazer? Existem poucos técnicos tão minuciosos como o do United para lhe dar as melhores instruções. Mourinho é um pragmático assumido, portanto tais valências serão aproveitadas consoante as então intenções do treinador para determinado momento da partida.

Lukaku escolheu Mourinho, escolheu o Pogba, o Rashford, o Lingard, o Mata, etc,… Olho para esta equipa, para o jogo que fez esta madrugada com o LA Galaxy, e agrada-me muito o que vi. É uma equipa com ideias e recursos diferentes da do ano passado. E tinha de ser assim. Mesmo que não reúna os requisitos para lhe chamarmos de um teste “a sério”, os níveis a que a equipa se apresentou foram bastante positivos e prometem. Estou muito ansioso pelo confronto Real Madrid x Manchester United, completamente imperdível.

Depois de garantir a presença na Liga dos Campeões desta temporada, se era difícil para um jogador rejeitar um clube com tamanha reputação como o Man. United, assim é quase impossível. Quase, porque em 2008 era impossível, exceto para Carlitos Tévez…

Foto de Capa: Youtube

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Diogo Fresco
Diogo Frescohttp://www.bolanarede.pt
Fã de um futebol que, julga, não voltará a ver, interessa-se por praticamente tudo o que envolve este desporto, dando larga preferência ao que ocorre dentro das quatro linhas. Vibra bastante com a Seleção Portuguesa de Futebol.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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