Man.City 1-0 Man.United: Derby muito “Small(ing)”

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Altíssima pressão para o Manchester City no eterno derby da cidade inglesa frente ao rival United. A vitória de ontem do Chelsea de Mourinho deixara os citizens a 9 pontos e, para uma equipa que não vencia há 3 jogos, este era um teste de fogo para o conjunto de Pellegrini, sobre quem já pairam alguns fantasmas de despedimento. Assim, a maior responsabilidade recaía sobre a equipa da casa, já que o conjunto de Van Gaal – pese embora o elevadíssimo investimento – nunca foi nem será candidato ao título nesta temporada.

Lançados os dados, cabia, então, aos intervenientes oferecerem um jogo à altura da qualidade que apresentam. O que foi uma miragem na primeira parte. Apesar da alta intensidade colocada no jogo por ambas as equipas, a qualidade de jogo deixava muito a desejar e os ressaltos, bolas divididas e passes falhados foram uma constante nos primeiros 20 minutos. Período em que, embora sem grande brilhantismo, o United ia conseguindo aguentar-se sem grandes sobressaltos defensivos, frente ao rival que sentia a ausência da magia de David Silva. No entanto, eram latentes as dificuldades que a equipa de Van Gaal revela na saída de bola desde trás: Blind não tem qualidade para um clube destes – muito menos numa posição fundamental como é a de 6 -, Fellaini tem a intensidade de um caracol e o esforço e vontade de Rooney não são suficientes para disfarçar isto. Assim, de pouco vale ter a magia de Di María ou de Van Persie se a bola não lhes chega em condições. Foi apenas a partir do meio do primeiro tempo que o City conseguiu chegar com grande perigo à baliza de De Gea. O espanhol, que tem sido o salvador do passador que é a sua linha defensiva, negou por duas vezes o golo a Kun Aguero – quem mais? – e ia adiando o que parecia inevitável que acontecesse mais tarde ou mais cedo.

A expulsão de Smalling foi um retrato deste United de início de época e deixou a sua equipa desamparada e totalmente à mercê do City. O segundo amarelo não é merecedor de qualquer discussão mas só vale a expulsão porque, para Smalling, a inteligência em jogo é algo que só vem nos livros. Minutos antes impedira Joe Hart de repor a bola e viu o primeiro cartão. Aos 30 minutos. Por impedir uma reposição de bola. Está tudo dito, não está? Até final da primeira parte o City pode ainda queixar-se de Michael Oliver, árbitro do encontro: duas grandes penalidades por assinalar por faltas sobre Aguero e Yaya Touré.

Aguero, o marcador do costume deste City Fonte: The Guardian
Aguero, o marcador do costume deste City
Fonte: The Guardian

Finda a primeira parte que não deixa saudades ao apreciador de bom futebol, na segunda metade adivinhava-se um massacre ofensivo do City, a precisar da vitória como de pão para a boca e com mais um elemento em campo. Sem criar verdadeiras oportunidades de golo, a verdade é que os sky blue conseguiram instalar-se a seu bel-prazer no meio-campo ofensivo, empurrando o United para dentro da sua grande área. Para o United, mais uma contrariedade com a saída por lesão de Rojo, que deu lugar a McNair. Valencia, Carrick, McNair e Shaw: a linha defensiva de um clube que gastou 200 milhões de euros em reforços. Adiante. O golo da vitória do City acabaria por chegar pelo inevitável Kun Aguero, numa boa jogada de envolvimento ofensivo com um cruzamento atrasado do francês Clichy para a finalização fácil do argentino.

O City acabou por sofrer por culpa própria. Não conseguiu chegar ao segundo golo, que sentenciaria o jogo, e o United, apesar da inferioridade numérica, nunca atirou a toalha ao chão. A partir dos 70 minutos, altura em que o génio de Van Persie timidamente apareceu, a equipa de Van Gaal conseguiu criar alguns problemas a Joe Hart, que esteve à altura dos remates do holandês e, mais tarde, de Di María. Para a história fica um derby com mais emoção do que futebol propriamente dito, entre duas equipas que ainda estão longe, muito longe, daquilo que os seus plantéis lhes permitirá fazer no futuro. O City do ano passado teria goleado este United, que construiu a casa pelo telhado e está a 13 pontos do primeiro lugar em Novembro.

A Figura

Kun Aguero – O craque das pampas decidiu mais uma partida para a sua equipa. Num City desinspirado, foi o melhor em campo. Até ao momento, 10 dos 20 golos da equipa no campeonato são seus.

O Fora-de-Jogo

Man. United – Apesar da boa reacção da equipa ao golo, a exibição não foi animadora. 31 jogadores utilizados em dez jornadas são o reflexo da deriva em que a equipa está desde o abandono de Sir Alex Ferguson.

Francisco Vaz de Miranda
Francisco Vaz de Miranda
Apoia o Sport Lisboa e Benfica (nunca o Benfas ou derivados) e, dos últimos 125 jogos na Luz, deve ter estado em 150. Kelvin ou Ivanovic não são suficientes para beliscar o seu fervor benfiquista.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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