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Real Madrid e Manchester City defrontaram-se esta manhã em Melbourne, num estádio lotado com quase 100 mil espetadores, em encontro a contar para a International Champions Cup. No final da partida, foram os merengues a sorrir, ao lograrem uma imponente vitória, pelo convincente resultado de 4-1, ante os vice-campeões ingleses.

Tem sido largamente debatido o suposto desentendimento entre o técnico do Real, Rafa Benítez, e a estrela da companhia, o internacional português Cristiano Ronaldo, fruto da atribuição de uma maior importância ao galês Gareth Bale em campo e no seio da equipa. No entanto, esse problema aparenta já estar ultrapassado, tendo ambos os jogadores realizado uma exibição de alto nível e procedido a inúmeras combinações em jogadas do ataque madrileno.

Rafa Benítez optou por manter o núcleo duro do plantel no onze titular – excetuando James Rodríguez, que deverá ocupar a posição desempenhada hoje por Isco – e, contrariamente ao que sucedeu no primeiro jogo da pré-época com a AS Roma, o treinador espanhol viu a sua equipa imprimir grande dinâmica dentro das quatro linhas, dando a entender que as principais ideias do novo timoneiro já estão assimiladas pelos jogadores.

Na partida face ao Manchester City, viu-se um ataque merengue com maior mobilidade do que outrora, com um excelente fluxo de circulação de bola e um bom entendimento entre as referências ofensivas da equipa. De salientar a função de Gareth Bale em campo, sendo que quando o conjunto de Benítez perdia a bola, o galês posicionava-se no setor central, atrás do avançado – passando Isco para a direita -, tendo primordial importância na reação à perda de bola. Foram várias as vezes em que o extremo recuperou o esférico e lançou o contra-ataque, situação que deverá continuar a suceder ao longo da temporada.

O Real Madrid dominou a partida, embora tenha sentido algumas dificuldades no começo do jogo, e, sem surpresa, adiantou-se no marcador com dois golos a meio da primeira parte. Karim Benzema fez o primeiro, com um excelente remate

à meia volta, após iniciativa individual de Carvajal e assistência de Bale. Para complementar a vantagem, Cristiano Ronaldo também fez o que melhor sabe, à passagem do minuto 25, após uma desmarcação de Toni Kroos, que evidenciou duas das qualidades que melhor definem o médio alemão: a elevada qualidade de passe e visão de jogo ao nível de poucos. O encontro continuaria a ser marcado por tons portugueses, com o central Pepe a estabelecer o 3-0, ao responder de forma exímia a um pontapé de canto de Isco.

Cristiano Ronaldo marcou o primeiro golo nesta pré-temporada Fonte: Real Madrid C.F.
Cristiano Ronaldo marcou o primeiro golo nesta pré-temporada
Fonte: Real Madrid C.F.

Os citizens, que evidenciaram tremenda falta de experiência no setor central defensivo, com Danayer e Humphreys a titulares (fator decisivo para o desfecho do encontro), ainda conseguiram resposta tímida no primeiro tempo, ao reduzirem a desvantagem através da marca de grande penalidade pelo portento médio costa-marfinense Yaya Touré, sendo que o lance foi mal assinalado, pois a falta cometida por Sergio Ramos foi fora da área. Ao longo da partida, foram poucos os momentos em que o Manchester City – que se viu privado de uma das suas aquisições, Fabian Delph, prematuramente – conseguiu criar perigo para as redes adversárias, sendo que o fluxo ofensivo da equipa passou pelo pé esquerdo do criativo David Silva e pela irreverência da contratação mais sonante deste defeso, Raheem Sterling, que sem o devido apoio não conseguiu quebrar o muro defensivo estabelecido pelos merengues.

A segunda parte viu o Real Madrid continuar a controlar o ritmo de jogo e também deu lugar à entrada em campo de Danilo e Casemiro, que na época passada representaram o FC Porto, ainda que não tenham conseguido mostrar todo o seu potencial a Rafa Benítez neste jogo. Com as habituais substituições, situação comum em partidas de caráter particular, o jogo perdeu vivacidade e o ritmo baixou continuamente. Destaque ainda para Cheryshev, que colocou um ponto final no resultado, ao fazer o 4-1, em resposta a passe de Isco (sem dúvida, um dos melhores em campo).

Com esta vitória ficam algumas ideias a reter do lado merengue: com a venda de Casillas e se a compra de De Gea não for concluída com sucesso, a baliza merengue deverá estar entregue a Keylor Navas, que oferece mais segurança defensiva à equipa do que o recém-contratado Kiko Casilla; na defesa, a única dúvida está na lateral direita (se ninguém sair, Pepe, Ramos e Marcelo devem completar o setor defensivo), sendo que Carvajal tem mantido a titularidade nos

primeiros compromissos da pré-temporada, mas com o valor que Danilo custou aos cofres de Florentino Pérez e com o potencial que lhe é conhecido, esta promete ser uma “luta” renhida.

O meio-campo está bem entregue a Kroos e Modric, sendo que hoje foi percetível a mudança de paradigma face à época transata, sendo que ambos os jogadores aparentam ter menor liberdade para subir no terreno, mantendo mais a posição, algo que se percebe tendo em conta as descompensações que víamos habitualmente na turma merengue.

No ataque, a problemática consiste no sistema de jogo que Benítez pretende adotar, se o 4x4x2 ou o 4x3x3, sendo que entre Ronaldo, Bale, Benzema, James Rodríguez e Isco, um deles terá que ser sempre sacrificado do onze titular, com a balança a pender de forma mais acentuada para o médio espanhol.

No que concerne ao Manchester City, Pellegrini tem muito que trabalhar até ao início da Premier League. Pese embora o facto de ter defrontado um adversário com a qualidade do Real Madrid e de ter atuado com dois jovens no centro da defesa, a equipa inglesa demonstrou várias fragilidades defensivas, bem evidentes no resultado final. No meio-campo defensivo, Fernando não foi suficiente e a saída de Delph expôs as debilidades defensivas da equipa. Em termos ofensivos, é percetível que Sterling será uma ajuda para a equipa, mas é necessária uma referência ofensiva, algo que acontecerá aquando da chegada de Sergio Aguero, ainda de férias.

O Real Madrid levantou, assim, o troféu da digressão australiana da International Champions Cup e, embora seja Sergio Ramos o atual capitão merengue, foi Cristiano Ronaldo a erguer a taça, após uma convincente vitória e uma boa exibição, que fizeram o internacional português voltar a sorrir em campo.

Foto de Capa: Real Madrid C.F.

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