Está a chegar aquela que se espera ser a Premier League mais competitiva dos últimos anos. Com contratações sonantes e planteis recheados de opções, os gigantes ingleses prometem uma época de nervos para os adeptos, com uma disputa até à última jornada. Entre os gigantes, um assume-se com maior responsabilidade: o Manchester City. Esta responsabilidade advém do facto de serem os detentores do titulo e da necessidade de conquistas para os manter no topo do futebol inglês. Plantel com qualidade para tal não falta. O que poderá então atrapalhar o City nesta nova época?

Assim como aconteceu com o Chelsea desde o início da era de Abramovich, a necessidade de se afirmar no plano europeu tornou-se uma obsessão e eu acho que isso pode vir a afectar a cabeça do azuis de Manchester. Ao fim de 51 anos conquistaram dois títulos da Liga Inglesa e contam com um plantel cheio de estrelas. Mas será que isso chega? Não começará a subir à cabeça dos jogadores a vontade de erguer o “caneco” da Liga dos Campeões? O City assumiu-se como “grande” inglês depois um longo período de jejum. A meu ver, penso que poderá começar a criar-se uma necessidade, grande, de vencer um troféu a nível europeu. E esse é o grande obstáculo dos citizens para esta época. Não é só o corpo que joga, e as pressões internas do clube assumem-se cada vez mais como factores decisivos no desempenho desportivo de um jogador.

Este City está praticamente igual ao da época passada. Reforçou o meio-campo, com Lampard e Fernando; viu o sector mais recuado a receber Sagna e um dos centrais mais promissores da actualidade, Mangala e adquiriu Caballero. As saídas? Rodwell e, provavelmente, Javi Garcia. Uma equipa com poucas mexidas, mantendo a base e o treinador. Tudo o que se quer para manter a tranquilidade e o espirito de vitória numa equipa. Começando pela baliza, temos Joe Hart – o guarda-redes inglês é um dos melhores e estará certamente preparado para defrontar os grandes artilheiros da Liga. Como alternativas, temos as “luvas da experiência”: Caballero e Richard Wright. Boas soluções e boas vozes de balneário.

Joe Hart deverá manter a titularidade na baliza  Fonte: thefa.com
Joe Hart deverá manter a titularidade na baliza
Fonte: thefa.com

No centro da defesa temos três grandes promessas: Boyata, Mangala e Nastasic. Dos três, destaco Mangala pelo impressionante poder de salto e de finalização. É um central goleador e que promete vir a impor-se entre os melhores do mundo. Depois, há Demichelis e Kompany. Demichelis é pupilo de Pellegrini desde os tempos do Málaga e esta relação de conhecimento mútuo é muito benéfica, apesar de alguns momentos menos bons do argentino na época passada. A outra grande voz é a do capitão Kompany, um dos melhores na sua posição, um central cheio de garra, que está a cumprir a sétima época no clube e é imprescindível na equipa.

Nas alas temos grandes e bons nomes: Sagna, Richards, Clichy, Zabaleta e Kolarov. As laterais estão recheadas de opções. E que boas opções! Laterais experientes, rápidos e que cruzam bem sem negligenciar o sector mais recuado. Cinco grandes laterais para apoiar os extremos no ataque e para anularem os extremos da equipa oposta.

Passamos ao meio-campo e rebenta tudo. Tanta solução, tanta qualidade, tanta técnica! Fernandinho, contratação da época passada que se afirmou como um bom motor de jogo, tem mais uma época para mostrar que não foi apenas fogo-de-vista. O brasileiro apresenta uma grande qualidade de passe e grande visão de jogo, que fazem dele uma mais-valia. Por falar em mais-valia, o City tem, a meu ver, o melhor médio da actualidade: Yaya Touré. O costa-marfinense tem um excelente pontapé, grande qualidade de passe e uma grande estrutura, o que faz com que se imponha a qualquer adversário. Espero mais uma grande época do experiente médio. Mas isto não acaba aqui. Temos ainda David Silva, o espanhol que recentemente renovou com o City até 2018 e que é um dos melhores do mundo, um verdadeiro craque. Além da qualidade técnica, a polivalência – tanto pode actuar nas extremidades do campo como no interior do terreno de jogo – é uma das suas grandes virtudes.

Outro grande nome é Lampard. Ninguém esperava, certamente, esta mudança do histórico do Chelsea para um dos seus rivais, mas a verdade é que aconteceu. Não esquecer ainda dois jogadores que, assim como David Silva, oferecem soluções tanto nas laterais como no interior do terreno: Milner, um puro e duro jogador inglês, e Nasri, que está farto de ser relegado para o banco e vai certamente intrometer-se na luta pela titularidade. Por último, temos Fernando. O médio brasileiro contratado ao Porto neste defeso é o escolhido pelo treinador chileno para colmatar a provável saída de Javi Garcia e o reforço do sector mais recuado do meio-campo. Fernando esteve muito bem ao serviço do Porto nas últimas épocas, oferecendo solidez defensiva e qualidade de passe.

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Yaya Touré é um dos melhores – senão o melhor – médios do mundo
Fonte: blogs.voanews.com

Chegamos ao sector mais avançado do terreno e o que temos? Uma panóplia de estrelas. Começemos por Agüero. O argentino pode actuar nas alas ou como ponta-de-lança. É um finalizador e um desequilibrador nato. É um jogador decisivo em qualquer equipa e isso viu-se na última época, quando o argentino esteve lesionado e o City quase viu escapar o titulo para o Liverpool. Há ainda Dzeko e Negredo, dois artilheiros natos. O bósnio é mais senhor da casa, mas Negredo conseguiu conquistar o seu espaço, com 23 golos em 49 jogos na temporada transacta. Mais um espanhol para jogar nas laterais: Jesus Navas. A velocidade e a qualidade de passe e cruzamento do internacional espanhol não passaram despercebidas na última época e certamente vai ter muito peso nesta. Por último temos Jovetic, o montenegrino que infelizmente não teve grandes possibilidades de mostrar os seus dotes na época passada. Com apenas 24 anos continua a ser uma grande esperança. Esperemos que conquiste o seu espaço na equipa e que não fique apenas por aí, por uma “esperança”…

O campeão inglês tem um grande plantel. E espero uma grande época dos citizens tanto a nível interno como nas competições europeias. A verdade é que no primeiro teste oficial desiludiu, acabando derrotado pelo Arsenal por 3-0. Mas jogos não são jogos e vamos esperar para ver o que o campeão inglês tem para nos oferecer nesta nova época que se avizinha. Espero um City a lutar pelo campeonato e a fazer uma boa campanha europeia. Só espero que a dada altura não fiquem hipnotizados pela Liga dos Campeões.

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