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Manchester City FC e Arsenal FC encontraram-se no Etihad Stadium, em Manchester, em jogo a contar para a Premier League 2018-19. O jogo grande da 25ª jornada revestia-se de grande importância para ambas as equipas, separadas por nove pontos na tabela classificativa, mas ainda com diversos objectivos a perseguir na presente temporada. O City continua a sua perseguição ao líder Liverpool FC na tentativa de revalidar o título inglês conquistado na época passada. O Arsenal tentava aproximar-se do topo da classificação e garantir um lugar, pelo menos, nos quatro primeiros lugares que dará acesso à Liga dos Campeões, já que a questão do título já era praticamente impossível. 
 
Os onzes iniciais escolhidos por Pep Guardiola e Unai Emery e respectivos desenhos tácticos indiciaram desde logo as intenções dos treinadores. Guardiola, arrojado e sempre à procura de soluções inovadoras que lhe garantam o domínio do jogo em posse, apostou apenas em três defesas (WalkerOtamendi e Laporte), com um dueto no miolo constituído por Fernandinho e Gundogan, De Bruyne e David Silva na zona de criação por dentro, Bernardo Silva e Sterling nas alas e Aguero no eixo do ataque. Foi uma espécie de 3-2-2-3 (WM) em momento ofensivo, que se convertia num 4-4-2 em momento defensivo, com Fernandinho a juntar-se à linha defensiva de quatro.

Já Emery foi bastante mais conservador, apostando num 4-4-2 rígido quer atacar, quer a defender, mas sempre predisposto para se posicionar num bloco baixo e expectante, em que à linha recuada de quatro (LichtsteinerMustafiKoscielny e Monreal), se juntavam à sua frente a dupla de médios Torreira/Guendouzi, mais o defesa Kolasinac a actuar como médio pela esquerda. Analisando as características dos jogadores, pode dizer-se que Guardiola apostou em seis jogadores iminentemente ofensivos, contra apenas três de Emery (IwobiLacazette e Aubameyang). Logo aqui, os técnicos mostraram ao que iam…

Aguero foi a estrela maior da partida
Fonte: UEFA

O jogo foi aquilo que se esperava à partida: os citizens com a completa iniciativa em posse, a apostar maioritariamente no ataque posicional e com um pressing alto e intenso após a perda; e os gunners na expectativa, passivos, à espreita do erro do adversário para tentar lançar ataques rápidos através do ataque à profundidade sobretudo de Aubameyang e Lacazette. A estratégia de Emery não funcionou conforme o pretendido nos vários momentos do jogo. Nem conseguiu, por um lado, sair em transição com qualidade, nem, por outro lado, logrou manter os jogadores do City mais longe da sua baliza. 
 
É verdade que a toada do jogo ainda nem estava definida e já o City estava a ganhar, com um golo madrugador de Aguero aos 48 segundos! No entanto, nem mesmo a perder, o Arsenal foi capaz de ser mais corajoso e audaz, tendo sido completamente subjugado ao domínio territorial do City. O golo com que Koscielny empatou a partida foi apenas um pormenor num desafio de sentido único: City a atacar, Arsenal a defender. O segundo golo de Aguero, já perto do intervalo, após magnífica jogada a envolver vários jogadores, veio dar justiça e lógica ao marcador, num lance que é o sonho de qualquer treinador, por toda a dinâmica colectiva que lhe está subjacente. 
 
A segunda parte foi mais do mesmo e nem a perder o Arsenal trouxe outra predisposição das cabines. O golo com que Aguero completou o seu décimo hat-trick ao serviço do Manchester City (devia ter sido anulado pois a bola foi jogada com a mão) foi o corolário da superioridade dos homens de Guardiola sobre o seu adversário.

Somente a perder por 3-1, o Arsenal tentou ser mais afoito e subiu o seu bloco, procurando jogar mais no meio-campo ofensivo, mas é de referir que o City também decidiu que era hora de entrar em modo de gestão, baixando um pouco o bloco e esperando mais atrás, mas sem nunca deixar de lançar ataques rápidos e continuar a ser ameaçador. Aliás, há que dizer que o City ficou a dever a si próprio mais alguns golos, diversas foram as oportunidades criadas. Já o Arsenal, mesmo tendo tentado ser um pouco mais corajoso após estar em desvantagem por dois golos, quase nunca conseguiu levar perigo à baliza de Ederson. Tanto assim é que na segunda parte não conseguiu efectuar qualquer remate! Muito pobre. 
 
Deste jogo fica uma superioridade táctica enorme do Manchester City sobre o Arsenal. Os posicionamentos altos adoptados desde o início, a dinâmica imprimida com movimentações constantes, a retirar referências ao adversário, assim como o pressing intenso, nomeadamente aquele que condicionou a primeira fase de construção do Arsenal, foram factores de sucesso bastante visíveis. Com Sterling e Bernardo a conferirem largura mas vindo para dentro, David Silva e De Bruyne a movimentarem-se no espaço interior e a apostarem em frequentes rupturas nas costas da defesa, e Aguero competentíssimo na zona de finalização, mas sempre a baixar em apoio, o Arsenal, com a sua rigidez posicional, nunca conseguiu acompanhar esta dinâmica avassaladora de passe e toque. 
 
Os dados estatísticos, nem sempre explicativos do comportamento das equipas, desta vez espelham bem o cariz do jogo: 19-4 em remates, 59-41 em % de posse de bola, 4-2 em cantos, 614-433 em passes, 88-79 em % de acerto no passe, tudo a favor do Manchester CityVitória clara da melhor equipa, numa lição táctica de Pep Guardiola ao seu compatriota Unai Emery. 

Onzes iniciais e substituições:

Manchester City FC: Ederson; Walker, Otamendi, Laporte; Fernandinho, Gundogan; De Bryune (Mahrez 86’), David Silva; Bernardo Silva, Aguero (Gabriel Jesus 80’), Sterling.  

Arsenal FC: Leno; Lichtsteiner, Mustafi (Mavropanos 78’), Koscielny, Monreal; Iwobi (Denis Suárez 65’), Torreira, Guendouzi, Kolasinac (Ramsey 65’); Aubameyang, Lacazette.

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