Foi na passada sexta feira, dia 14, que surgiu uma das notícias que certamente irão marcar 2020, apesar de ainda estarmos no segundo mês do ano. O Manchester City FC, atual campeão inglês e um dos maiores clubes de todo o mundo, foi suspenso das provas europeias por duas épocas e obrigado a pagar uma multa no valor de 30 milhões de euros, isto porque não cumpriu as regras do fair-play financeiro da UEFA. O clube vai ainda recorrer da decisão para tentar adiar o castigo.

Para quem não está a par destas questões mais burocráticas, o fair-play financeiro é descrito como algo que visa melhorar a saúde financeira do futebol europeu, contribuindo assim para uma competição mais justa entre os clubes. Tem regras específicas e quem não as cumpre é alvo de fortes castigos, como aconteceu com a equipa de Pep Guardiola.

Os azuis de Manchester não foram os primeiros a ser punidos por violação das regras, mas o mundo do futebol para quando se trata de uma equipa de tamanha qualidade que contratou o seu treinador com o grande objetivo de ganhar a principal competição de clubes da Europa. Para além disso, e apesar do campeonato bem abaixo das expetativas, esta é, para muitos, a equipa que joga melhor futebol em todo o mundo, fruto do trabalho do técnico espanhol que, na sua chegada a Inglaterra, se propôs a vencer essa mesma competição.

Fonte: Manchester City FC

A parte menos negativa da situação é que o castigo não se aplica já este ano, pelo que têm ainda oportunidade de disputar a fase final da Liga dos Campeões e tentar vencê-la. O campeonato está praticamente entregue ao Liverpool, algo que os próprios ativos do Manchester já admitiram. Assim, e ainda que importe continuar a vencer os jogos da liga, podem-se resguardar para a competição europeia que não terão oportunidade de disputar nas próximas duas temporadas.

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A notícia foi, como é óbvio, alvo de muitas reações em todo o mundo. O presidente da liga espanhola mostrou-se satisfeito com a decisão: “Há muitos anos que pedíamos ações severas contra City e PSG. Mais vale tarde que nunca”, afirmou. Arsene Wenger também reagiu com agrado, alegando que lhe compraram os jogadores todos, referindo-se a Emmanuel Adebayor, Bacary Sagna, Gael Clichy, Kolo Toure e Samir Nasri. Também Pep Guardiola já reagiu, depois de se falar noutro possível castigo, que se prenderá com a descida de divisão. Afirmou que mesmo que venham a disputar a League Two, não irá sair do clube.

No caso dos jogadores, a questão muda de figura. Qualquer um deles, estando numa equipa como o City, tem mais do que capacidades para disputar a Liga dos Campeões, e esse é, certamente, o seu objetivo. Isto gera mais um problema no seio dos Citizens, que poderão perder vários membros, nomeadamente aqueles que estão menos comprometidos com processo ou que, devido à sua idade mais avançada, querem ter um final de carreira digno, bem à altura de tudo o que nela conquistaram.

Assim, a imprensa avança já com alguns nomes que poderão sair no final da época. São eles Claudio Bravo, Nicolás Otamendi, John Stones, Fernandinho, Leroy Sané e Kun Aguero, que afirmou, já há alguns anos, que só saíria de Manchester quando conquistasse a Liga dos Campeões. O único que certamente irá sair é David Silva, que anunciou a sua decisão no início da presente temporada.

Como amante do bom futebol, esta é uma notícia que choca e entristece, uma vez que, apesar da Premier League ser o melhor campeonato do mundo, é a Champions que deixa água na boca, até por ser uma prova a eliminar onde o futebol se demonstra no seu estado mais puro.

A verdade é que contra castigos pouco há a fazer, e teremos então de esperar duas temporadas para voltar a ver em ação o treinador que, quanto a mim, está acima de todos os outros. Temos a sorte de não ter sido uma punição instantânea, o que nos permite apreciar a qualidade do City durante mais dois jogos, no mínimo. Se esta era uma equipa que já antes apreciava, os meus votos para que vençam são agora ainda maiores, fazendo assim uma grande festa de despedida, que lhes dará força para voltarem ainda mais fortes.

Foto de Capa: Premier League

artigo revisto por: Ana Ferreira

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