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Perante o trambolhão do Manchester City em Goodison Park, minutos antes do apito inicial deste jogo, sabia-se que esta contenda ia ter um carácter que transcendia o seu peso histórico. Não jogavam apenas dois rivais, jogavam dois rivais em busca de afirmação: pessoal, que confirmaria um bom momento (possibilidade se atingir a 10ª vitória seguida para o United) ou desmentiria um mau (Liverpool com 3 jogos sem vencer, incluindo um humilhante nulo frente ao modesto Plymouth); ou perante os adversários directos na luta pelo sonho do título (o City podia ser igualado na tabel classificativa pelo United ou ficar a 5 pontos do Liverpool).

Com esta ideia em mente, e talvez com a cultura de vitória enraizada, o Manchester United começou o maior clássico do futebol ingês por cima do rival, apesar de não materializar esse domínio em jogadas de muito perigo. Ia tendo mais posse de bola, mastigando o jogo, mas foi preciso esperar 19 minutos para se ver perigo efectivo… em dose dupla. Primeiro Zlatan, a espreitar um passe mal medido por Lovren, que quase ganhou o ressalto a Mignolet e introduziu a bola na baliza, depois foi Pogba, isolado por um passe fantástico de Mkhitaryan, a desperdiçar o golo inaugural.

O United não soube aproveitar os erros contrários. Mas o oposto aconteceu. Numa altura em que os red devils tinham o domínio da posse, mas não conseguiam transportá-la até ao último terço, o Liverpool fingiu-se de adormecido, e espreitou o erro, que aconteceu. Primeiro Phil Jones atrasou mal para De Gea, o que originou um canto. Na sequência deste, Pogba, desconcentrado, tocou com a mão na bola dentro da àrea. Penalti bem assinalado. Milner não desperdiçou.

O United manteve o domínio territorial, alicerçado no controlo posicional oferecido por Carrick e Herrera, e até foi mais perigoso, mas Zlatan (em livre na periferia central da àrea) e Mkhitaryan (isolado, atirou para boa defesa de Mignolet) não conseguiram fazer com que Old Trafford fosse para o descanso do jogo mais animado.

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Coutinho regressou aos relvados no Clássico Fonte: Liverpool F.C.
Coutinho regressou aos relvados no Clássico
Fonte: Liverpool F.C.

Chegou o segundo tempo e Mourinho achou que se tinha controlo territorial e esse de nada servia, devia abdicar deste para ser mais objectivo no último terço. Tirou Carrick, colocou Rooney. A equipa ressentiu-se. Perdeu o controlo do meio-campo e “abriu” mais o jogo, sujeitando-se às transições rápidas de um adversário que, a dada altura, contou com o regresso do diabrete Coutinho.

A zona central dos visitantes ia ganhando ascendente e a subida de bloco, aliada à exploração das alas, ia-se revelando infrutífera por parte dos da casa. Mourinho deu, por isso, músculo ao jogo. Fellaini entrou para o lugar de Darmian. E a equipa beneficiou disto. O meio-campo, fruto da acção do belga, começou a ganhar mais bolas na zona central e a conseguir bascular o seu jogo para as alas. O United passava a ser mais equipa, e a conseguir chegar ao último terço com perigo.

Neste contexto, um golo seria mais provável, até pela maior presença física na àrea. E assim foi. Rooney, aproveitando uma sobra de bola procurou a cabeça de Fellaini, o belga atirou ao poste, a bola sobrou para Valência e este cruzou para a cabeça de Ibrahimovic. Golo. 1-1.

O United continuou a carregar, mas até final, não se voltou a verificar perigo efectivo.

Ninguém aproveitou, portanto, a 100%, a queda dos citizens.O Liverpool garantiu o distanciamento para o City, com 3 pontos de vantagem, sim, mas agora vai ter de dividir a vice-liderança com o Tottenham, o United garantiu o encurtamento de distâncias, mas não alcançou os rivais de Manchester.

Ficam, porém, apontamenos positivos para Mourinho e a confirmação de que este United está aí para a luta pelo top 4.

Foto de capa: Manchester United