A CRÓNICA: É POR DÉRBIS COMO ESTE QUE ACONTECEU EM MANCHESTER QUE OS AMERICANOS NÃO GOSTAM DE FUTEBOL

Vermelho e azul são duas cores que não ficam bem juntas. São cores rivais, e não só em Portugal. Em dia de dérbi, Manchester pára, os seus habitantes vão à gaveta buscar o cachecol de umas destas duas cores e aprontam-se para um dos dias mais importantes do ano.

Numa atípica circunstância, o Manchester City FC viaja até Old Trafford no nono lugar da tabela, duas classificações atrás da equipa caseira, Manchester United FC. É apenas um ponto que separa os adversários, que podiam esta tarde garantir uma importante vitória para aquilo que são as aspirações para a edição 2020/2021 da Premier League.

Foram os red devils que começaram por pegar na partida. A primeira ocasião de perigo surge aquando do minuto 11, num pontapé de cantado estudado. Luke Shaw encontra Lindelöf no coração da área que, de cabeça, desvia para o segundo poste e Scott McTominay fica a centímetros de inaugurar o marcador.

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À passagem da meia hora de jogo, pouco mais havia a contar. Muito por culpa da competência defensiva do capitão do Man. United, Harry Maguire, que fazia até então um dos melhores jogos até agora pela turma de Old Trafford. Contudo, aos 35 minutos, o City tem uma oportunidade de ouro para desfazer o nulo. David De Gea agigantou-se no frente-a-frente com Riyad Mahrez ao fazer uma mancha que tirou todos os ângulos ao argelino, e conseguiu manter o empata que permitia ao Man. United continuar a lutar pela vitória.

Assim foram as equipas para intervalo: com um marcador a zeros, e um remate à baliza para cada um dos lados.

A segunda parte recomeça bem mais emocionante do que a primeira, e aos 47 minutos o juiz inglês, Chris Kavanagh, aponta para a marca do castigo máximo depois duma falta de Kyle Walker sobre Rashford. Contudo, o jovem avançado do Man. United foi apanhado em posição regular, e o VAR mandou anular a decisão do árbitro. Rashford volta a ter uma boa oportunidade aos 53 minutos, mas chutou para fora apenas com Ederson à frente depois do pé de apoio lhe ter escorregado.

O jogo estava denso, partido e disputado. Mas faltavam mais ocasiões flagrantes. Apenas 15 minutos depois do remate de Rashford volta a acontecer uma boa ocasião de golo. Uma bola teleguiada de João Cancelo chega a Gabriel Jesus que serve Kevin De Bruyne para o 1-0, mas voltou a ser o gigante Harry Maguire a evitar o golo dos cityzens. Foi a melhor oportunidade de golo da segunda parte.

No último quarto de hora só deu Manchester City, a tentar por tudo voltar a casa com os três pontos. Mas nunca foi suficiente para merecer a vitória.

O jogo acaba como começa, com um marcador a mostrar 0-0. Cada equipa leva um ponto num dérbi a que faltou muita paixão.

 

A FIGURA

Harry Maguire – A grande notícia do dia é que Maguire foi o melhor em campo numa partida. O compromisso do capitão dos red devils, tantas vezes criticado, foi irrepreensível. Contaram-se, pelo menos, onze ações defensivas determinantes para conter as incursões ofensivas dos cityzens. Se Harry Maguire jogasse sempre como hoje, estava muito mais perto de justificar os quase €90 milhões que o Manchester United desembolsou pelo defesa-central.

 

O FORA DE JOGO

Paixão de dérbi – Contam-se pelos dedos de uma mão os jogadores que tentaram dar alguma vida a um derby completamente atípico. Fica por explicar como é que dois emblemas tão adversativos, com tanta urgência em ganhar e que deviam ter tanta fome de vencer pareceram sempre tão desinteressados em vencer a partida. Provavelmente, o pior derby dos últimos 10 anos de Premier League.

 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER UNITED FC

Solksjaer montou um 4-3-1-2 para tentar levar a melhor sobre o imponente Man. City, com uma filosofia de jogo muito dependente da inspiração dos médios, Paul Pogba e Bruno Fernandes. Encarregues de procurarem a velocidade de Rashford e Greenwood, os homens da frente que procuravam o espaço no seu lado respetivo, os médios dos red devils eram o motor, a caixa de velocidades e, tantas outras vezes, o volante do vermelhão de Manchester. O Man. United pareceu mais preocupado em não perder o jogo do que em ganhá-lo. E não tinha grandes motivos para isso, porque a desinspirada exibição do Man. City deu aso a que os red devils tivessem conseguido algo mais do que um 0-0.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

David De Gea (6)

Aaron Wan-Bissaka (6)

Victor Lindelöf (6)

Harry Maguire (8)

Luke Shaw (8)

Fred (6)

Scott McTominay (7)

Paul Pogba (6)

Bruno Fernandes (6)

Marcus Rashford (5)

Mason Greenwood (5)

SUBS UTILIZADOS

Martial (5)

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC

Pep Guardiola levou a Old Trafford um 4-2-3-1 para enfrentar o eterno rival dos cityzens. Sempre com o intuito de dominar todas as partidas que disputa, o catalão foi surpreendido pela tática desenhada pelo técnico norueguês do Manchester United. A qualidade das alas do Manchester City já não é notícia, e talvez tenha sido por isso que os reds fizeram tudo para evitar que a bola chegasse às laterais e, potencialmente, colocasse dificuldades defensivas. Num dia desinspirado, o Man. City teve sorte em não sair derrotado. Caso tivesse sofrido um golo, talvez o destino do jogo tivesse sido muito diferente, mas faltou ânimo e paixão à equipa de Pep.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Ederson Moraes (6)

Kyle Walker (7)

John Stones (6)

Rúben Dias (6)

João Cancelo (7)

Rodri (6)

Fernandinho (7)

Riyad Mahrez (5)

Kevin De Bruyne (6)

Raheem Sterling (6)

Gabriel Jesus (6)

SUBS UTILIZADOS

Ferran Torres (6)

 

 

 

 

 

 

 

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