Mourinho perdeu o toque de Midas

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Confesso-me. Apesar de não ser adepto do FC Porto, cresci, vivi e admirei a era de ouro da equipa portista ao comando de José Mourinho. Graças ao FC Porto de José Mourinho aprendi que o papel do treinador numa equipa de futebol não deve ser subvalorizado. Descobri com Mourinho que milagres no futebol também são possíveis.

Mourinho ensinou-me, sozinho, mais coisas sobre futebol do que eu algum dia poderia imaginar. Embora a memória curta no futebol seja um problema recorrente e sem solução, eu não me esqueço de tudo isto.

É também por isso que o digo e afirmo: José Mourinho perdeu o “seu” toque de Midas. O que não quer dizer que o treinador português não possa voltar a ser o treinador de sucesso que já foi outrora. Na minha opinião, Mourinho deverá apenas mudar a sua abordagem em equipas futuras.

Os jogadores que José Mourinho encontrou naquela equipa de 2003/2004 do FC Porto já não são os mesmos jogadores de hoje em dia. São talentosos em igual medida, sem dúvida alguma, mas é notório que são jogadores bem mais imaturos. O futebol atual “mima” demasiado os jogadores e o resultado é que cada vez mais temos “crianças” dentro de um balneário. A tendência diz-me que isto vai piorar, não melhorar. José Mourinho tem, por isso, que se adaptar aos tempos.

O despedimento de José Mourinho no Manchester United FC não foi uma surpresa para mim. Diria que era, até, uma inevitabilidade. Nunca consegui ver, ao longo destas três épocas, a simbiose perfeita entre o plantel e o treinador português. E não desprezemos esse aspeto.

Fonte: Manchester United FC

Aquilo que eu mais admirava em José Mourinho era o facto de conseguir aproveitar os vários jogadores “mal-amados”, que nunca mais foram os mesmos no pós-Mourinho. Assim de cabeça, lembro-me logo de um nome: Wesley Sneijder. Mas há mais.  E esse era o grande trunfo, para mim, do treinador português. Na minha opinião, conseguir incutir este espírito competitivo nos seus jogadores é meio caminho para o sucesso. José Mourinho nunca conseguiu isso em Old Trafford. Pogba será o perfeito exemplo do declínio de José Mourinho nesse aspeto. Mourinho nunca conseguiu lidar, nem trabalhar com o jogador francês, apesar de ter um excelente historial no acompanhamento de jogadores problemáticos.

Vi um treinador mais obcecado em gastar grandes valores de dinheiro em transferências, do que em tentar aproveitar e rentabilizar aquilo que tinha, tal como fez no FC Porto e no Inter de Milão.

Este não é o mesmo José Mourinho. Não é o treinador pelo qual eu ganhei uma grande admiração.

Para além destes aspetos todos, há também a vertente tática, que me tem desiludido muito no treinador português. Vi em Manchester um treinador cada vez mais “limitado” nas opções táticas que tomava. Uma obsessão quase irritante de praticar um futebol defensivo e que se adaptava muito pouco aos adversários que defrontava.

Também vi em Manchester um treinador que falava cada vez menos de futebol nas suas conferências de imprensa, e cada vez mais sentia a “necessidade” de relembrar os feitos conquistados no passado. Quando assim o é, nunca é bom sinal.

Mourinho não está condenado ao insucesso e ao declínio. Aquilo que eu desejo é que o treinador português faça uma análise introspetiva e corrija alguns dos erros que tem cometido nas suas últimas experiências.

José Mourinho tem que se adaptar ao futebol atual, não será o futebol atual que se irá adaptar a ele. Como homem sábio que é, acredito plenamente nas suas capacidades para voltar a encher os portugueses de orgulho.

Foto de capa: Sky Sports

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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