Cabeçalho Futebol InternacionalAcho que nenhum fã de Futebol pode negar que a escola de treinadores portugueses é das melhores do mundo. E, como tal, têm sido vários os treinadores nacionais que têm e/ou estão a dar cartas no estrangeiro. Nesta temporada, houve mais um treinador luso a juntar-se ao rol: falo de Nuno Espírito Santo. O antigo guarda-redes parece estar a reencontrar-se como treinador em Wolverhampton, depois das experiências frustradas no Valência e no FC Porto.

O clube da região de West Midlands lidera de forma isolada o Championship com 61 pontos em 21 jogos, tendo mais 12 pontos do que o segundo classificado (Derby County) e mais 14 do que o terceiro (Cardiff City), possuindo ainda o melhor ataque e a melhor defesa da competição. Mas, afinal de contas, o que terá mudado para que Nuno Espírito Santo tenha começado a mostrar bons resultados num campeonato muito competitivo e num dos campeonatos que movimenta mais dinheiro na Europa?

Primeiro que tudo, há que analisar o Futebol praticado pelas equipas de Nuno Espírito Santo. Um futebol conservador e expectante, cuja prioridade é a anulação do jogo do adversário e que está assente em dois aspectos do jogo: consistência defensiva e transição ofensiva.

Este estilo de jogo não resultou no FC Porto, que se mostrava consistente do ponto de vista defensivo, mas que apresentava um défice de produtividade a nível ofensivo, embora este tenha melhorado com a chegada de Tiquinho Soares, em janeiro. Sem esquecer as suas gritantes falhas de comunicação. O célebre episódio dos desenhos é a prova de que saber elaborar uma mensagem é uma coisa e saber transmiti-la é outra.

Ora, ao ver este Wolverhamton em acção, vejo que o clube tem vários jogadores que têm qualidade para jogar em vários patamares acima, como os casos dos portugueses Rúben Neves e Diogo Jota e do ex-Estoril Léo Bonatini. E, talvez por isso, fosse expectável que os Wolves tivessem uma palavra a dizer na luta pelo acesso à Premier League, depois do modesto 15º lugar obtido na época passada.

Na minha opinião, o segredo está no sistema táctico. No FC Porto, Nuno Espírito Santo alternava entre o 4-3-3 e o 4-4-2. No Wolverhampton tem optado pelo 3-4-3. E, na minha opinião, o 3-4-3 é a táctica mais compatível com o Futebol de transições rápidas do treinador português.

O Wolverhampton tem dominado o Championship desde o início. Fonte: Wolverhampton Wanderers FC
O Wolverhampton tem dominado o Championship desde o início.
Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Porque vejamos: o 3-4-3 contempla a existência de dois alas que perfazem todo o corredor, dando assim profundidade ao jogo da sua equipa. Depois, os extremos (Ivan Cavaleiro e Diogo Jota) são, na verdade, avançados interiores que flectem muito para zonas centrais do terreno, oferecendo, assim, linhas de passe aos médios e aumentado, assim, a probabilidade de haver situações de vantagem numérica nessa zona do terreno. Depois, uma táctica com três centrais  e com dois alas bastante ofensivos também promove que a equipa jogue com uma linha defensiva bastante subida, aumentando as possibilidades de recuperar a bola ainda no meio-campo adversário. E, ao contrário do que se verificava no FC Porto, a equipa não tem tido um défice de produtividade no ataque, como comprovam os 50 golos marcados em 26 jogos, com Léo Bonatini a ser o principal artilheiro da equipa.

Sendo assim, só mesmo uma catástrofe irá impedir o regresso dos lobos de West Midlands ao campeonato mais competitivo do mundo e Nuno Espírito Santo está a mostrar que consegue mostrar serviço num clube de menor dimensão onde pode fazer validar a sua ideia de jogo. Será, certamente, um treinador a seguir nos próximos tempos.

 

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

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