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Em Abril de 1865, Abraham Lincoln era abalroado do comando do “barco” EUA. O 16º presidente de uma das actuais potências mundiais fora brutal e covardemente assassinado no Ford’s Theather enquanto assistia à peça “Our American Cousin”, depois de deixar um legado importantíssimo para a ordem social dos EUA ao abolir a escravidão e ao preservar a união depois de bem encaminhado o fim (declarado um mês depois da morte do presidente) da terrível guerra civil americana. Também aumentou a força governamental e modernizou a economia do país.

Lincoln não assistiu à prosperação económica e social dos Estados Unidos da América, não viu o seu país tornar-se na potência mundial que é hoje, mas teve o seu trabalho reconhecido. Como toda a gente, de forma mais evidente na hora da morte do que propriamente antes dela.

Ainda hoje são levadas a cabo “reverências” a Abraham Lincoln e é frequente vermos realçada a importância do legado do 16º presidente americano, porém, há uma homenagem que se destaca das restantes e essa é tão velha quanto a morte de Lincoln, surgindo precisamente na altura em que o presidente foi morto. Foi criada por Walt Whitman, intitula-se de “O Captain! My Captain”, e nela se sentem as lágrimas do mítico escritor pela morte de um presidente que começou por lhe ser indiferente, mas que no fim lhe mereceu a admiração (diria, até, veneração) deixada nas palavras que deixou imortalizadas num dos poemas mais conhecidas da literatura mundial. E não é só por ter sido citado várias vezes durante o filme mítico “Clube dos Poetas Mortos”, mas também pela carga emocional despejada no mesmo, reconhecendo o quão fundamental fora a intervenção do seu presidente para a manutenção da ordem social, tão importante num período de guerra civil – “Our ship is safe and sound” (“o nosso barco está são e salvo”).

Com as filhas ao colo, Gerrard toca pela última vez enquanto capitão do Liverpool na mítica placa dos balneários de Anfield Road” Fonte: Facebook do Liverpool
Com as filhas ao colo, Gerrard toca pela última vez enquanto capitão do Liverpool na mítica placa dos balneários de Anfield Road”
Fonte: Facebook do Liverpool

Podemos traçar um paralelo entre as lágrimas de Whitman e as dos adeptos do Liverpool no passado Sábado. E, se o poeta chorou Lincoln, os “melhores adeptos do mundo” choraram pela partida de Steven Gerrard, o homem que nunca os desapontou e que serviu de inspiração para muitas das suas batalhas quotidianas.

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Não se pode afirmar que deixou o Liverpool numa situação mais favorável do que aquela em que o clube se encontrava quando se estreou na equipa principal, mas depois de um período em que a equipa, de forma sucessiva, não conseguiu qualificações europeias e em que a disputa do título era uma miragem, Steven Gerrard foi o motor da equipa que devolveu a esperança aos adeptos dos reds, no ano passado, disputando, taco-a-taco e até ao fim do campeonato, o título com o Manchester City. Toda a gente apontava aquela como a “tal” época em que Steven Gerrard iria, finalmente, erguer o troféu de campeão inglês que tanto desejava, mas o futebol é ingrato. Por vezes cruel. E não há nada mais a fazer do que lutar contra essa adversidade, como ele tão bem sabe.

Sempre que a maré era desfavorável, era o primeiro a remar contra ela e nunca optou pela saída mais fácil quando tal acontecia, revelando qualidades raríssimas nos futebolistas dos dias de hoje – lealdade e honra. Lealdade por nunca ter rumado a qualquer outro clube e honra por ter cumprido as palavras que disse quando se estreou pelos reds, em 1998, afirmando que gostaria de passar o resto da vida no clube. Características bem vincadas de um líder, de um verdadeiro exemplo enquanto capitão.

Foto de Capa: Facebook do Liverpool

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Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.