O futebol não é só táctica, Zé

- Advertisement -

cab premier league liga inglesa

Para o utilizador de simuladores de futebol (PES’s, FIFA’s, FM’s…) que não presta muita atenção àquilo que se passa na realidade futebolística e que só se “liga” a ela quando há jogos do seu clube do coração ou clássicos das principais ligas europeias, o Chelsea – Manchester United do passado Sábado era um encontro aguardado com muita expectativa, pelo espectáculo que a Premier League costuma trazer, pelo facto de se assistir à colisão de jogadores com “stats incríveis” (Hazard, Fàbregas ou Matic vs Falcao, Rooney e Mata) e pelo confronto de dois treinadores cujo nome, decerto, terá causado alguma azia e dores de cabeças aos “manager’s virtuais” – José Mourinho e Louis Van Gaal.

Este tipo de “consumidor” (a crescer, de dia para dia) encontra-se em maior proporção nos mercados emergentes para o futebol – situados, sobretudo, na Ásia e EUA -, mas também existem em grande número por essa Europa fora. Ou seja, é uma grande parte da assistência para a qual a Premier League tem vindo a trabalhar desde há muitos anos a esta parte, e onde, graças a isso, tem uma “quota de mercado” enorme, com grande vantagem sobre as ligas rivais.

Esta vantagem foi construída em dois pilares: a perspicácia dos responsáveis pelo marketing da Premier League, que se anteciparam aos seus congéneres das restantes ligas, e o espectáculo que cada jogo do campeonato inglês costuma proporcionar, principalmente entre os grandes clubes.

Assim, o espectáculo gerado num encontro como o Chelsea – Manchester United tem cada vez mais importância para a Premier League, que procura defender a imagem do futebol-espectáculo em que foi fundado um dos principais pilares acima referidos e que permite a prosperidade do organismo e dos clubes que o integram (as receitas ultrapassaram a marca das 3 mil milhões de libras na época passada).

Zouma foi uma aposta ganha de Mourinho Fonte: Facebook do Man United
Zouma foi uma aposta ganha de Mourinho
Fonte: Facebook do Man United

Assim, o pobre espectáculo (face ao potencial das duas equipas) a que se assistiu no jogo grande da jornada 33 da Premier League em nada beneficiou a imagem do campeonato. É certo que a vantagem que esta liga tem para as restantes lhe dá margem para que esta se mantenha mesmo com muito mais jogos deste nível durante uma temporada, mas, tendo em vista o longo prazo, a repetição de “espectáculos” como o do último Sábado, em que houve poucas situações de perigo, em que a equipa da casa (e líder do campeonato) se limitou a explorar o erro do adversário e conseguiu controlar o jogo apesar de ter apenas 28 % de posse de bola durante o jogo inteiro, podem fazer com que essa vantagem se esgote.

A lição táctica dada por Mourinho a Van Gaal serve imenso os propósitos do Chelsea, dos puristas do futebol, dos apaixonados pela táctica ou dos aspirantes a treinadores, mas não o do mercado, o do negócio.

O português reconheceu, há pouco tempo, um “defeito enorme” – está sempre a melhorar. E fez jus às suas palavras pela forma como conseguiu manobrar a equipa do Manchester United e soube levar a àgua ao seu moínho, sobretudo, com a colocação de Zouma como médio defensivo, auxiliado por um Matic exímio a nível posicional, com e sem bola. À volta deles, todo um batalhão de jogadores que interpretou na perfeição o papel que o “happy one” lhes designara.

Na hora de sair para o ataque, a equipa entende-se de olhos fechados e o golo do Chelsea é disso exemplo, com o grande entendimento (e a qualidade técnica e, cada vez mais, táctica) de Óscar e Hazard a ser suficiente para levar de vencida uma das equipas que mais perto está de se chegar ao líder do campeonato e que, segundo o seu próprio treinador, fez um dos melhores jogos da época.

Mourinho teve tudo controlado. Deu mais uma prova da sua genialidade. Mas o espectáculo perdeu. E, apesar de a táctica ser o pilar essencial de uma vitória, o futebol contemporâneo não se limita a ela.

Foto de Capa: Facebook do Chelsea

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Cláudio Ramos reflete sobre a temporada e a importância de Jorge Costa: «Esta conquista também é dele»

Cláudio Ramos falou sobre a conquista do título da Primeira Liga, lembrou Jorge Costa e lamentou a despromoção do Tondela.

Imprensa inglesa garante proposta de 80 milhões do Manchester United por Maxi Araújo

Segundo a imprensa inglesa, o Manchester United apresentou uma proposta de 80 milhões de euros por Maxi Araújo.

Antonio Conte deixa Nápoles no final da época: Maurizio Sarri e Massimiliano Allegri bem posicionados para a sucessão

Antonio Conte vai abandonar o Nápoles no final da temporada. Maurizio Sarri e Massimiliano Allegri surgem como os principais candidatos.

Borja Sainz faz o balanço da temporada ao serviço do FC Porto: «Esta época vai ficar para sempre comigo»

Borja Sainz refletiu sobre a temporada 2025/2026 ao serviço do FC Porto e destacou a união do plantel azul e branco.

PUB

Mais Artigos Populares

Pedro Maranhão deixa o CD Tondela após três épocas

Pedro Maranhão está de saída do CD Tondela, após o clube ter sido despromovido à Segunda Liga. O avançado brasileiro despede-se após três épocas.

Rolando Maran sucede a Sylvinho como novo selecionador da Albânia

O italiano Rolando Maran foi apresentado como novo selecionador da Albânia, no mesmo dia em que a saída de Sylvinho se tornou oficial.

Fernando Gomes rejeita favoritismo de Portugal no Mundial 2026: «Somos candidatos, não sendo favoritos»

O presidente do Comité Olímpico de Portugal considerou que a seleção portuguesa é candidata, mas não favorita, a vencer o Mundial 2026.