Todos os filmes de ação e romance têm, geralmente, uma personagem principal sobre a qual recai a maior parte da atenção. É esta que teve uma infância difícil, que vive o grande amor da história e que no fim derrota o vilão e segue com uma vida feliz.

No futebol, os primeiros casos que nos vêm à cabeça, sem ter de pensar muito, são Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. O português foi da ilha da Madeira para o continente com apenas 11 anos e teve de crescer sozinho até se tornar no homem que conhecemos hoje. Já o argentino mudou-se aos 13 anos da cidade de Rosário para a Catalunha, onde prosseguiu com o tratamento para o seu problema hormonal e impressionou tudo e todos.

Os dois melhores do mundo e, possivelmente, melhores de sempre, têm sido os grandes protagonistas do desporto-rei nos últimos 15 anos. As conquistas, as lágrimas, os festejos, as derrotas e, claro, a coleção de golos e assistências que nos vão oferecendo acabam por sugar o enredo que se desenvolve à sua volta.

Nesse enredo, são vários os jogadores que vão fazendo pela vida e que, com sorte, conseguem ser a figura do dia na Europa e no mundo do futebol. Um desses jogadores é Pedro Rodríguez.

Pedro Rodríguez após a conquista da Liga Europa com os blues
Fonte: Chelsea FC

O internacional espanhol passa muitas vezes despercebido. Depois de vários anos num FC Barcelona de luxo, onde o papel principal estava atribuído a Messi, em Londres também não é, de facto, o grande rosto do Chelsea FC. Apesar de ser uma das principais peças do “xadrez” de Sarri, os holofotes sempre preferiram Eden Hazard, que na próxima época já estará por Madrid.

Com 1,67 metros de altura, Pedro é o tipo de futebolista que não tem um atributo que o transforma num fora-de-série. Não é um batedor de livres exímio, não é um especialista da meia e longa distância e também não tem na velocidade e drible as caraterísticas que o distingam dos outros. O extremo de 31 anos é, sobretudo, um excelente profissional, daqueles que “fazem” o balneário e o plantel, e que dão tudo em campo, sem grandes alaridos e devaneios.

No passado dia 29 de maio, na final da Liga Europa, Pedro Rodríguez foi mais uma vez protagonista sem o ser. Com o golo marcado ao Arsenal na vitória dos blues por 4-1, o espanhol tornou-se no primeiro jogador de sempre a marcar nas finais da Liga dos Campeões, Liga Europa e Mundial de Clubes e na Supertaça Europeia: quatro competições que já venceu e que junta ao Campeonato do Mundo e Europeu conquistados pela seleção espanhola.

A estas estatísticas, Pedro pode ainda adicionar mais um dado a seu favor: em 2009, a par de Messi, marcou nas seis competições em que o Barcelona participou.

Tem um nome normal, não aparece nas capas dos jornais, nem abre o telejornal com uma notícia sua. Não movimenta milhões, não alimenta rumores de transferências, nem se envolve em polémicas e discussões. Pedro Eliezer Rodríguez Ledesma é a personagem de que todos gostamos, mas que muitas vezes nos esquecemos de que existe. Os 26 troféus que já arrecadou, e os que ainda estão por vir, vão tratando de nos recordar de que, por vezes, o papel principal pertence mesmo à personagem secundária.

Foto de Capa: UEFA

 

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