O Tottenham Hotspur FC habituou-nos, nos últimos anos, a ser uma equipa bastante fiável e regular, conseguindo prestações europeias sólidas e batendo-se de igual para igual com os tubarões ingleses. Depois de, na temporada passada, ter conseguido atingir a final da Liga dos Campeões e ter terminado no quarto lugar da Premier League, as expectativas estavam bem altas, tendo sido apontado por alguns como um assumido candidato ao título inglês.

Porém, este início de época tem dececionado os adeptos e a estrutura do clube. À sétima jornada, o clube londrino já está a 10 pontos da liderança do campeonato, foi eliminado da Taça da Liga por uma equipa da quarta divisão e empatou o primeiro jogo na Liga dos Campeões, depois de ter estado a vencer por 2-0.

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O primeiro jogo da época foi frente ao recém-promovido Aston Villa FC, no novo White Hart Lane. Logo aí, a equipa demonstrou fragilidades e entrou para os últimos 20 minutos em desvantagem, mas conseguiria dar a volta e vencer por 3-1. Na jornada seguinte, arrancou um empate em casa do campeão Manchester City FC, num resultado que acaba por ser positivo. À terceira, foi de vez, e surgiu a primeira derrota, bastante inesperada, em casa frente ao Newcastle, por 0-1. Depois de um empate 2-2 no dérbi de Londres frente ao Arsenal, uma goleada caseira por 4-0 frente ao Crystal Palace FC parecia afastar os fantasmas de início de época e encarrilhar de novo o vice-campeão europeu.

Eis que surgiria, então, o primeiro desafio europeu para a equipa de Pochettino, que entra na edição deste ano com responsabilidades reforçadas depois do brilharete da edição transata. O jogo em Atenas, frente ao vice-campeão grego Olympiakos FC até começou da melhor maneira, com os ingleses a chegarem a uma vantagem de 0-2, mas permitiram a resposta dos comandados por Pedro Martins, que chegaram ao 2-2 e dominaram o rival. Na ressaca do empate europeu, o Tottenham voltou à competição no campeonato inglês e averbou a segunda derrota na competição, em Leicester. 2-1 num jogo em que desperdiçou, novamente, uma vantagem no marcador.

Pochettino pode ter o lugar em risco se os resultados não melhorarem
Fonte: Tottenham

Três dias depois, para piorar a situação, a equipa viria a ser eliminada da Taça da Liga Inglesa em casa do modesto Colchester UFC, atual décimo classificado da quarta divisão inglesa. Um autêntico descalabro, mesmo tendo poupado algumas das principais figuras. Felizmente, neste fim-de-semana, conseguiram vencer tangencialmente o Southampton FC, num jogo em que estiveram mais de uma hora em inferioridade numérica. Ainda assim, o ambiente está pesado e a rédea de Pochettino cada vez mais curta.

Fazendo as cotas, o Tottenham está no quarto lugar da Liga inglesa, mas já a 10 pontos do líder Liverpool. Apesar dos empates no Emirates e no Etihad poderem ser vistos como expectáveis, as derrotas em Leicester e, sobretudo em casa, frente ao Newcastle United FC são preocupantes. Num ano em que apostou forte, manteve grande parte da estrutura, fez grandes esforços para manter o treinador (assediado por Real Madrid CF e Manchester United FC) e gastou mais de 100 milhões de euros em jogadores de valor como Ndombélé, Lo Celso ou Sessegnon, esperava-se que os Spurs dessem o salto para o patamar de City e Liverpool, fazendo uma corrida a três pelo título inglês tão aguardado pelos adeptos.

Apesar do projeto sólido alicerçado na construção do novo estádio, os Spurs já não festejam qualquer título desde 2008, ano em que venceram a Taça da Liga Inglesa, o que leva a alguma descrença no clube. O próprio Harry Kane, no final do medonho empate frente ao Olympiakos, fez algumas declarações reflexivas: “Já não somos jovens, já não somos inexperientes, já jogámos grandes jogos pelo clube e pela seleção. Temos de arranjar uma solução para ultrapassar isto e melhorar. É tudo o que podemos tentar fazer. Pode-se ver porque é que o treinador está frustrado. O treinador está aqui há cinco anos, e continuamos a cometer os mesmos erros do primeiro ano.”

O que falta a este Tottenham? Um plantel mais profundo? Maior investimento? Maior crença e um espirito de equipa mais arrojado? Ainda estamos em setembro e já parece mais um ano “a seco” para os londrinos. O que se passa com o vice-campeão europeu?

Foto de Capa: Tottenham Hotspur FC

Artigo revisto por Joana Mendes

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