“Talvez seja uma boa altura para experimentar um novo desafio”.

No já revolto mar da sua vida profissional, foram estas as palavras de Paul Pogba à Reuters que agitaram as águas internacionais. De férias na capital do Japão, o francês de 26 anos justificou e legitimou a sua vontade de rumar a outras paragens com a sua melhor época em Manchester desde que regressou, em 2016.

Mas terá sido mesmo a época que findou a melhor desde que retornou ao palco do “Teatro dos Sonhos”? Vejamos:

Embalado pelo título de campeão mundial de seleções, torneio onde esteve em clara evidência no meio-campo dos gauleses, o gigante francês ficou a um jogo da meia centena e apontou 16 golos, um recorde pessoal.

Contudo, o risco inerente de olhar apenas aos números, leva-nos a fazer uma retrospetiva do que foi o seu desempenho ao longo dos muitos minutos que somou com a camisola dos “Red Devils”.

A nível coletivo, a temporada do histórico emblema inglês esteve longe de ser brilhante, ainda que para os mais otimistas a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões possa atenuar o desastre interno, que culminou no 6.º lugar da Premier League, atrás de todos os adversários diretos.

Não obstante, Paul Pogba exibiu um compromisso para com a equipa durante os jogos que até então ainda não se tinha visto. A disputa de lances aéreos, a ida ao chão e ao choque, as constantes correções de poscionamento aos colegas de setor e o esgar de desalento nas derrotas deixavam antever uma mudança no espírito competitivo de um jogador ímpar.

À pujança física, o francês de ascendência guineense (Guiné-Conacri) junta-lhe uma agilidade incomum para tamanha estatura e uma qualidade técnica pouco vista em alguém com este perfil. De cariz mais ofensivo, tanto aparece a finalizar, como no último passe. Defensivamente competente, rapidamente vira o jogo em passe longo ou em movimentos de rutura, onde é quase impossível pará-lo quando embalado.

Se não restam dúvidas quanto à sua qualidade e utilidade num clube carenciado como é este United, sobram interrogações respeitantes à sua controversa personalidade fora de campo.

Dos penteados aos outfits extravagantes, vários têm sido os momentos em que o mais novo de três irmãos futebolistas tem dado nas vistas para lá da bancada.

Fonte: UEFA

2012 assinala, provavelmente, o primeiro momento polémico na sua carreira, quando forçou a saída para a Juventus FC, conseguindo rumar a Turim a custo 0, algo que, na altura, revoltou de sobremaneira Sir Alex Fergunson, treinador que o recebeu quando chegou do Le Havre FC, com apenas 16 anos.

Aos títulos de Golden Boy em 2013 e de melhor jogador jovem do Mundial no Brasil em 2014, o promissor médio ia juntando troféus coletivos e assumindo-se como referência numa equipa que contava com estrelas do calibre de Buffon, Chiellini, Bonucci ou Pirlo.

Itália recebeu-o ainda menino e vi-o sair homem feito, com um currículo recheado de conquistas internas e tendo atingido a final da Liga dos Campeões em 2015. De lá para cá, algum futebol e muita… polémica.

Numa altura tão fértil em rumores como a silly season, as declarações de Pogba vieram escancarar a janela já por si entreaberta de uma eventual transferência.

Juventus FC, de onde saiu a troco de 105 M €, e Real Madrid FC afiguram-se, neste momento, como os mais fortes destinos para o irreverente médio.

Se o futuro a Mino “Deus” Raiola pertence, a profecia de Variações é evidente.

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só

Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar a minha forma, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou

Estou Além – António Variações

Foto de Capa: FIFA

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