Regresso a Casa: You’ll Never Klopp Alone

- Advertisement -

O Regresso a Casa é uma rubrica na qual os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos remotos, escrevendo sobre assuntos actuais.

Foi de recorde atrás de recorde e de jogo perfeito atrás de jogo perfeito que o Liverpool de Klopp, com uma sede de vencer e esmagar a cada domingo, coloriu um dos, com toda a certeza, mais saborosos títulos da sua gloriosa história.

Importa, pois, perceber como Jurgen Klopp – já, sem dúvida, um dos melhores e mais marcantes treinadores das últimas décadas – moldou, peça a peça, esta máquina furiosa e que não se satisfez com ganhar. Fê-lo de uma forma que nunca antes tinha sido vista, aniquilou adversários e pareceu, logo desde Agosto, estar a jogar sob as próprias leis e num campeonato à parte. O 3-1 sobre o Man. City, em novembro, abria as portas para a glória, mas foi no 4-0 ao Leicester, em pleno Boxing Day, que a equipa mostrou estar num planeta à parte. Quem viu sabe o que se passou no King Power e quem não viu devia ir ver uma das melhores prestações de uma equipa nos últimos anos.

Depois de anos e anos de insucessos repetidos, de escorregadelas que roubaram títulos e com o clube num caos, e depois de fazer frente a um super Bayern com o rock and roll do Dortmund, Klopp abraçou a mais difícil tarefa da carreira. A direcção, sabendo do estado de coisas, pouco se importou com o 8.º lugar na primeira época e com as finais da Liga Europa e da Taça da Liga perdidas. Loser alemão, exclamavam muitos e repetiam-no após a final de Kiev. Houve visão, confiança em Klopp e, acima de tudo, uma ideia muito bem definida para um projeto que estava destinado ao sucesso.

Hoje é fácil dizer que Salah, Mané e Firmino jogam muito, que Van Dijk é o melhor defesa-central do planeta, que Robertson faz o lado esquerdo como ninguém e que Fabinho é a pedra do equilíbrio. Mas convém relembrar que todos chegaram a Anfield sem o estatuto de estrela – Firmino brilhava num modesto Hoffenheim e Salah tinha flopado sobremaneira no Chelsea – e duvidava-se da capacidade de Klopp para dali extrair o necessário para enfrentar um Manchester City que pode fazer dois onzes de gala e que tem um treinador praticamente indestrutível em termos de regularidade.

Dia após dias, semana após semana, Klopp foi sossegando o espírito assombrado de tantas desilusões dos adeptos e construiu uma equipa perfeita. Esta época, o gengenpressing louco ficou para segundo plano e vimos, até, o Liverpool de ataque frenético a saber gerir, baixar o ritmo, pausar o jogo e resguardar-se para a batalha seguinte. Para isso muito contribuíram Van Dijk e Fabinho. O holandês pernalonga permite à equipa jogar bons pares de metros mais à frente e o brasileiro – pasmem-se, que passou pelo Rio Ave – dá a segurança necessária para a pressão nos últimos 20 metros, porventura o maior segredo para tamanho sucesso desta equipa.

O génio de Firmino, um avançado que não é avançado e é um pouco de tudo, deixava as motas de Salah e Mané desbravarem as defesas contrárias e Arnold, um lateral-direito que joga como um 10, e Robertson, uma locomotiva que custou umas migalhas, chamaram a si a responsabilidade de também resolverem muitos jogos. Alisson foi a cereja no topo do bolo para que tão espectacular equipa não estivesse sempre à beira do colapso devido a guarda-redes medianos.

Uma imagem repetida, nos próximos tempos?
Fonte: Liverpool FC

Tudo isto, claro, não seria possível sem muito dinheiro e uma boa gestão. Ainda assim, os 95 milhões de euros de diferença entre contratações e vendas nos últimos cinco anos, atestam muito bem o exemplar trabalho de uma direcção que nunca quis cair no erro de ir buscar jogadores da moda e acertou em muitos mais do que os que falhou.

Pandemias e estádios vazios à parte, ninguém se esquecerá deste título 30 anos depois. O nome de Klopp é já unânime e pouco faltará para que lhe ergam uma estátua à porta de Anfield. O grande desafio será perceber por onde se pode melhorar para, daqui por um ano, cá estarmos a falar de um bicampeonato, que, esperamos, poderá ser festejado pelas ruas como todos merecem.

Artigo revisto por Joana Mendes

Subscreve!

Artigos Populares

Danilo, ex-FC Porto foi ao videocast «Voz Futura» onde discutiu vários tópicos «Tenho a certeza que o nosso adepto merecia mais»

Danilo, ex-jogador do FC Porto e que atualmente representa o Flamengo foi ao videocast «Voz Futura». Entre vários temas, abordou a presença do Brasil no Mundial e a sensação de representar o Rubro-Negro.

Shea Charles é reforço do Fulham

O Fulham anunciou a chegada de Shea Charles para a nova temporada. O médio inglês assinou um contrato válido até 2031.

FC Porto apresenta os treinadores de formação do futebol feminino

FC Porto anunciou os treinadores do futebol de formação feminino. José Moreira, Sara Pereira e Cátia Hora vão orientar as equipas.

Benfica não ganha ao Casa Pia há dois anos

O Benfica não vence o Casa Pia há quase dois anos. Nas últimas três partidas entre os dois clubes as águias perderam uma e empataram dois.

PUB

Mais Artigos Populares

Roberto Martínez em conversações com vista ao cargo da Seleção dos Países Baixos

Roberto Martínez é um candidato ao cargo da Seleção dos Países Baixos. Houve conversações com a Federação Neerlandesa de Futebol.

Ousmane Diomande: «O Sporting vai ficar no meu coração, porque este clube fez muito por mim enquanto futebolista e pessoa»

Ousmane Diomande deixou mensagem de despedida ao Sporting. Defesa-central rumou ao Nottingham Forest neste verão.

Definidos os jogos do playoff da Champions League: eis o adversário de Paulo Fonseca e de Vítor Campelos

Já estão definidos os duelos do playoff da Champions League. Lyon de Paulo Fonseca joga com o Fenerbahçe.