A adversidade é uma das melhores oportunidades que existem na vida para se aprender a vencer. É ela que nos dessensibiliza para certas crueldades e injustiças e nos ajudando a criar o carácter e a personalidade quem serve de escudo para as enfrentar.

Ter lidado com momentos menos bons pode, por isso, ser uma das melhores vantagens que qualquer pessoa pode ter sobre outra, sobretudo nos tempos de comodismo em que vamos vivendo. É como se se tivesse adquirido uma espécie de imunidade especial à dor e ao desconforto que lhe permite progredir de forma mais esclarecida e menos complexada rumo à melhor forma de um ser humano.

Não precisamos de andar muito para trás no tempo de forma a encontrarmos um exemplo relacionado com o que é referido nestes dois primeiros parágrafos: Aston Villa vs Arsenal do passado sábado.

O Arsenal teve um dos mais testes mais difíceis deste início de temporada no passado sábado, no Villa Park, e não foi só por causa do adversário. Esse (Aston Villa), é certo, tem assinado um início de campeonato irrepreensível, somando 10 pontos em 15 possíveis, incluindo 3 “roubados” no campo do vice-campeão nacional inglês (Anfield Road, Liverpool)… mas esse estava longe de ser o único problema dos gunners.

A equipa encontrava-se com uma série de problemas à partida para este jogo. Começando logo na (gritante) falta de uma identidade de jogo que permita incorporar a electricidade de Sanchez, o génio de Özil e o músculo de Welbeck e terminando, claro está, nos resultados menos positivos que a equipa vinha obtendo até então: somava apenas uma vitória no campeonato (em quatro jornadas), três triunfos em jogos oficiais (em sete possíveis) e encontrava-se numa série de três jogos sem vencer, consentindo empates a Leicester e Manchester City (este, nos últimos minutos, num encontro disputado no seu reduto) e perdendo, em Dortmund, diante do Borussia, para a Liga dos Campeões.

Özil com mais um passe rumo à reacção do Arsenal  Fonte: Getty Images
Özil com mais um passe rumo à reacção do Arsenal
Fonte: Getty Images

Como se não bastasse, do ponto de vista teórico, não teria vida fácil pois iria encontrar uma das sensações do campeonato inglês, o Aston Villa, e logo no seu reduto, uma equipa que só sabia estar nos encontros desta competição de duas formas – empatada ou a vencer -, fazendo de uma  defesa experiente e consistente (liderada pelos “guerreiros” Vlaar e Senderos e auxiliada por dois laterais com boa cultura defensiva – Cissokho e Hutton) a pedra basilar das boas performances que vinha a assinalar até então.

Vlaar lesionou-se, mas a equipa até soube reagir à perda do capitão, com Baker, o seu substituto directo, a ser mesmo considerado o homem do jogo no encontro de Anfield Road… mas aí, começaram a vencer cedo (9 minutos), e os processos que tiveram de resolver durante o encontro tinham como pano de fundo uma situação (vitória ou empate) com a qual a equipa já sabia lidar.

No último sábado, pela primeira vez, a equipa do Villa viu-se em desvantagem. Aconteceu aos 32 minutos, numa jogada de saída rápida do Arsenal em que se notou a identidade de jogo que Wenger costuma impôr às suas equipas, com passe curto e objectivo (e toda uma dinâmica posicional em seu redor), até se chegar aos últimos 30 metros contrários e finalizar mal haja hipótese.

Cinco minutos depois o resultado estava 3-0, e durante o resto do jogo o Aston Villa foi uma equipa completamente diferente daquela que deliciara os seus adeptos nas primeiras quatros jornadas. Desapareceu toda uma segurança e firmeza do seu futebol para se dar lugar ao desespero e ao medo de falhar. O Arsenal soube esperar pela vitória que lhe andava fugida, o Aston Villa, por não ter aprendido a lidar com o fracasso, desnorteou-se.

No Villa Park, no passado sábado, o futebol pôs-se a imitar a vida. A servir de amostra, e, por isso, de ensinamento. Como tantas vezes faz.

Comentários