Esperava-se que o impacto de Tanguy Ndombélé no jogo do Tottenham Hotspur FC fosse tão notório quanto o preço que custou: 60 milhões. Nada mais nada menos, que a contratação mais cara da história do clube londrino, superando a larga escala, jogadores como Davinson Sánchez, Moussa Sissoko ou Giovani Lo Celso.

Todos sabemos como o mercado do futebol está mais inflacionado do que nunca (apesar de poder vir a alterar-se depois da pandemia da Covid-19), porém, o que me salta à vista são as condições em que o negócio foi realizado. Apesar do excelente desempenho, o jogador apenas representou o Olympique Lyonnais durante uma época de alto nível, antecedida por outra em que esteve emprestado, pelo clube em que iniciou o seu percurso como sénior – SC Amiens.

O que está em causa não são os clubes ou o campeonato que disputou, mas o modo como se contrata de forma quase “descartável” nos dias que correm. Torna-se mais estranho ainda, quando uma instituição como o Tottenham, teve Bruno Fernandes na mão, deixou-o cair e depois teve de se contentar com as “sobras” do mercado. Apesar de não ser tão fácil e linear quanto isto, preferiam pagar 100 milhões pelo conjunto (Ndombélé e Lo Celso) ou 80 pelo internacional português (a contar com os objetivos)? Sem querer “puxar a brasa à nossa sardinha”.

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Voltando ao tema central, o médio francês participou em 27 jogos, tendo feito quatro assistências e marcado dois golos. Números normais, considerando que joga mais recuado no terreno. Em termos exibicionais é que fica algo a desejar, é como que um “corpo estranho” no onze. Lento e previsível, quer seja a pensar ou a executar. Raramente acrescenta qualidade ao futebol da equipa do norte de Londres. Em sentido contrário, Lo Celso tem surpreendido e de que maneira!

Agora, podemos dar o benefício da dúvida pelo facto de ser primeira época no campeonato mais competitivo do mundo (e tratando-se de um jovem de 23 anos, ainda tem margem de progressão). Além disso, foi contratado com o “dedo” de Pochettino e não por Mourinho. Por outro lado, é complicado não fazer a ligação entre o preço e o desempenho ao longo da temporada. Contextualizando: o Tottenham tem muitas lacunas e Ndombélé não será certamente o único “a mais” naquele plantel (vice-campeão europeu, diga-se).

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão