A CRÓNICA: Tottenham superior controlou um Everton pouco perigoso

O Tottenham venceu o Everton por 1-0. O autogolo de Michael Keane foi suficiente para Mourinho voltar a sorrir e, quem sabe, recuperar animicamente a sua equipa para o que falta jogar.

No jogo de encerramento da 33.ª jornada da Premier League, as duas equipas jogavam uma cartada muito importante na luta acérrima pelos lugares europeus. Com a Liga dos Campeões praticamente fora de alcance, mas com a mira apontada à Liga Europa, os dois conjuntos entravam em campo separados por apenas um ponto e tentavam ganhar terreno a Burnley e Sheffield United que, nesta jornada, empataram a um.

O início do jogo ficou marcado pela ausência de oportunidades de golo, mas com mais bola para o Tottenham, até que, aos 22 minutos, Lucas Moura começou a agitar o jogo ao tentar a sorte de fora de área com um forte remate cruzado, que passou perto da baliza do guarda-redes do Everton, Pickford.

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Aos 24 minutos, mesmo antes da pausa para hidratação, após várias carambolas dentro da grande área, a bola sobrou para Lo Celso que rematou contra Michael Keane, o que, com Pickford traído pelo ressalto, não impediu a bola de ir para o fundo das redes dos Toffees. O tento foi considerado autogolo do defesa-central inglês.

À meia-hora de jogo, Lo Celso, que vinha sendo um dos elementos mais desequilibradores no ataque do Tottenham, é varrido por Holgate à entrada de área. Na cobrança do livre, Eric Dier atirou ligeiramente por cima da barra. Na sequência do lance, Holgate lesionou-se e, aos 36 minutos, foi substituído pelo colombiano Yerry Mina.

Progressivamente, os Spurs foram concedendo mais bola à equipa de Ancelotti, mas sem permitir grandes oportunidades para o Everton atacar. A exceção foi quando, aos 45+5 minutos, Richarlison arranjou uma nesga de espaço para rematar para o lado direito de Lloris, porém a bola passou um palmo ao lado e o resultado de 1-0 mantinha-se ao intervalo.

Após o intervalo, o domínio dos londrinos manteve-se. Son, ao minuto 53, atacou as costas da defesa dos Toffees e, após um lançamento longo de Alderweireld, fugiu a um trapalhão Yerry Mina e, já dentro da grande área, rematou para uma boa defesa de Pickford.

O sul coreano veio endiabrado para a segunda parte e, aos 64 minutos, desmarcado por Lo Celso, trabalhou bem sobre Coleman e rematou em arco, mas ao lado. Um minuto mais tarde, encheu o pé esquerdo e aqueceu as luvas de Pickford.

A 20 minutos do fim, o Everton ia tendo mais bola, mas sem consequências. Foi através dos laterais que foi conseguindo dar um ar da sua graça. Mourinho lançou o veloz Bergwijn, precisamente para tentar ferir o Everton em transição.

Em cima do minuto 90, Moise Kean desenvencilhou-se dos defesas dos Spurs, mas atirou à figura de Lloris. No entanto, o resultado não se viria a alterar.

Após ter dado um tiro nos pés ao perder com o Sheffield United na jornada anterior, o Tottenham ganha novo fôlego para atacar, nas restantes cinco jornadas, as posições europeias. Os londrinos passam a somar 48 pontos e ocupam a oitava posição na tabela classificativa. Assim, ultrapassam Burnley e Sheffield United e aproximam-se de Wolverhampton, sexto classificado, mantendo a distância para o sétimo, Arsenal.  Com esta vitória, os Spurs aumentam para 15 o número de jogos seguidos sem perder com os Toffees. O Everton mantém-se na 11.ª posição com os mesmos 44 pontos com que entrou para esta jornada e vê o comboio europeu fugir.

A FIGURA


Lo Celso – o jogo do Tottenham ganha uma dimensão mais requintada quando a bola passa nos seus pés. Gere os ritmos do jogo e aplica todo o esplendor da sua qualidade técnica nesta equipa em que se lhe pede que marque a diferença, porque, de facto, tem qualidade para o fazer.

 

O FORA DE JOGO


Son e Lloris ao intervalo, o Tottenham dominava e o Everton não conseguia criar perigo. Resumindo, o jogo corria de feição à sua equipa, o que nada fazia prever que, na ida para as cabines, os dois jogadores se desentendessem, tendo mesmo que ser separados pelos colegas de equipa. Apesar de, aparentemente, terem feito as pazes, não foi um momento bonito.

ANÁLISE TÁTICA – Tottenham HFC

José Mourinho dispôs a sua equipa em 4-3-3 com duas alterações relativamente ao jogo anterior contra o Sheffield United. Entrou Alderweireld em detrimento de Davinson Sánchez e Winks rendeu Bergwijn. Destaque para o posicionamento de Lo Celso que se adiantou no terreno, ocupando a posição 10, ao contrário do que aconteceu na última jornada, em que formou dupla com Sissoko numa zona mais recuada do terreno. Essa dupla manteve-se, mas mais subida no relvado e com as suas costas vigiadas por Winks. Lucas Moura apareceu a descair para a faixa direita.

O Tottenham não abdicou da habitual construção a três, mas fê-lo com o médio mais recuado, Winks, a posicionar-se entre os centrais e não com um dos laterais, como vinha sendo hábito. Lo Celso foi o jogador que mais foi tentando agitar, através da sua qualidade técnica, a frente de ataque dos Spurs. Harry Kane apareceu mais móvel e participativo, oferecendo apoios frontais muito úteis para a promoção de combinações. Em termos defensivos, os comandados de José Mourinho, numa fase inicial, reagiram agressivamente à perda da bola, ainda que, com o desgaste físico, os londrinos tenham entregue a iniciativa ao Everton, mas mantendo a solidez.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Lloris (5)

Alderweireld (5)

Dier (5)

Aurier (5)

Davies (5)

Son (6)

Winks (5)

Sissoko (7)

Lo Celso (8)

Moura (5)

Kane (6)

SUBS UTILIZADOS

Vertoghen (-)

Lamela (-)

Bergwijn (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – Everton FC

Desta vez, inicialmente, Carlo Ancelotti optou por um 4-3-3, com Richarlison a ocupar a ala direita e Iwobi como extremo-esquerdo. Com a entrada no onze de Tom Davies, o Everton formou um triângulo no meio‑campo. Sigurdsson, ao contrário do que se esperava no início do jogo, apareceu como médio interior esquerdo. No entanto, a equipa optou por defender em 4-4-2. Com o decorrer da partida, os Toffees acabaram por atacar também neste sistema, com Richarlison a fazer de segundo avançado, o que vinha sendo tendência nos últimos jogos, e Tom Davies a atuar sobre a direita, mas procurando sempre o eixo central, onde, com a entrada de Bernard, viria mesmo a acabar o jogo.

Na manobra ofensiva, destaque para os laterais, Digne e Coleman, que se encarregaram de dar profundidade e largura. Destaque para o francês que, incansavelmente, subiu e desceu pelo flanco esquerdo, procurando ser mais uma opção no ataque. Ainda neste capítulo, destaque para Tom Davies e o seu posicionamento, quase como lateral-direito, na saída baixa em construção.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Pickford (5)

Holgate (4)

Keane (5)

Digne (8)

Coleman (7)

Sigurdsson (4)

Iwobi (4)

André Gomes (5)

Davies (5)

Richarlison (5)

Calvert-Lewin (5)

SUBS UTILIZADOS

Yerry Mina (4)

Sibidé (-)

Bernard (3)

Gordon (4)

Artigo revisto por Joana Mendes

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