A CRÓNICA: UMA BOA DOSE DE PRAGMATISMO NUM CITY SEM IDEIAS

Tottenham Hotspur FC vs Manchester City FC: Um “Mourinho x Guardiola” é sempre um confronto de estilos. O pragmatismo tático e o brilhantismo do futebol de posse entram em debate pelo melhor resultado possível e reúnem-se os ingredientes necessário para que o espetáculo corra bem.

Cada macaco no seu galho, mas Guardiola quis pôr alguns nos galhos dos outros. Veja-se a inclusão de João Cancelo no corredor central, a funcionar como um médio, como algo que não favorece o internacional português, muito menos os interesses da equipa. Se o objetivo era forçar a entrada pelo corredor central, o City deu-se mal. Ali, Cancelo não faz a diferença. Nem ele expressa a sua potência e fulgor ofensivo, nem a equipa garante soluções para desequilibrar nos três corredores do terreno. Quem viveu bem com isso foram os comandados de Mourinho, que, muito solidários, estancaram facilmente a maioria das ações ofensivas do Manchester City.

Sem grande tempo para avaliar questões táticas, Son fez o primeiro golo logo aos cinco minutos. Boa visão de jogo de Ndombélé a explorar as costas da defesa dos citizens e a desmarcar o sul-coreano que mantém o seu bom momento exibicional.

A linha defensiva dos visitantes andou a tentar apagar fogos quando já tudo tinha ardido e, por isso, esteve muitas vezes mal organizada, sendo apanhada desprevenida com frequência. A bola andava nos pés dos jogadores do City, mas o controlo do jogo era do Tottenham.

Anúncio Publicitário

O VAR ainda teve que intervir na primeira parte, ajudando Mike Dean a anular os golos de Harry Kane e Laporte.

No segundo tempo, o cenário não se alterou. A defesa dos citizens continuou a tremer, sempre que era posta à prova com os rasgos dos jogadores da casa. Dessa maneira, nasceu o segundo golo dos spurs no jogo. Harry Kane aguentou uma bola longa no seu poder e desmarcou Lo Celso para aumentar a vantagem. O argentino tinha acabado de entrar para que a equipa pudesse gerir melhor os momentos em que tinha a bola e, na primeira vez que tocou no esférico, fez o gosto ao pé.

O 2-0 não mais foi alterado. Um ano depois de Mourinho assumir o comando técnico do Tottenham, a equipa parece sólida na crença da ideia de jogo do seu treinador e pronta para os grandes desafios que se aproximam e, quem sabe, conquistar a Premier League.

 

 

A FIGURA

Son – Foi fundamental na estratégia de jogo da equipa. Esteve constantemente à espreita para rasgar a defesa do City com vários movimentos de rutura. Não desperdiçou as benesses concedidas, aproveitando para apontar o primeiro golo do jogo.

 

O FORA DE JOGO

Kevin De Bruyne – A vigia feita pelo duplo pivô do Tottenham ao jogador belga não o permitiu pautar o jogo e encontrar espaço para, através do passe, gerar perigo. Olhava muitas vezes para o campo e não o encontrava de tão escondido que estava. Talvez por aqui também se explique o insucesso da equipa. Vou perdoar João Cancelo a esta nomeação pelos condicionalismos que o treinador impôs ao seu jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – TOTTENHAM HOTSPUR FC

Com um meio-campo ao estilo do “não passa nada”, com Hojbjerg, Sissoko e Ndombélé, e com Aurier no lado direito da defesa em detrimento de Doherty (infetado com COVID-19), Mourinho montou o seu desenho tático num 4-2-3-1, de grande responsabilidade para os homens do miolo do terreno. A novidade foi Bergwijn, que apareceu a jogar pela direita do ataque, o que mostrava ao que o Tottenham vinha. Os spurs resguardaram-se no seu meio-campo e exploraram a velocidade dos dois extremos Son e Bergwijn para atacarem as costas da defesa do Manchester City. Realce para o papel de Sissoko e Hojbjerg como rigorosos seguranças De Bruyne.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Hugo Lloris (6)

Serge Aurier (6)

Toby Alderweireld (6)

Eric Dier (6)

Sergio Reguilón (6)

Pierre-Emile Hojbjerg (7)

Moussa Sissoko (7)

Tanguy Ndombélé (6)

Son Heung-Min (7)

Steven Bergwijn (6)

Harry Kane (7)

SUBS UTILIZADOS

Giovani Lo Celso (7)

Lucas Moura (4)

Joe Rodon (-)

 

 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC

Guardiola optou por um 4-3-3, fazendo alinhar Bernardo Silva no centro do terreno ao lado de De Bruyne e com Rodri nas suas costas. Para isso, fez cair do onze inicial Gündogan, que é um construtor de jogo, e optou por um criador como é Bernardo, prevendo a organização que o Tottenham apresentou e dando à equipa ferramentas para a desmontar e ser influente no meio-campo ofensivo. Nas linhas, Ferrán Torres alinhou na direita e Mahrez na esquerda. Enquanto Mahrez jogou sempre a fletir para o corredor central, Ferrán Torres alinhou mesmo encostado à linha e foi João Cancelo que, sendo destro e jogando sobre a direita, apareceu em zonas centrais no momento ofensivo funcionando como um médio.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson (5)

Kyle Walker (5)

Rúben Dias (5)

Aymeric Laporte (5)

João Cancelo (5)

Rodri (6)

Kevin De Bruyne (5)

Bernardo Silva (5)

Riyad Mahrez (5)

Ferrán Torres (5)

Gabriel Jesus (6)

SUBS UTILIZADOS

Phil Foden (4)

Raheem Sterling (4)

 

Artigo revisto por Mariana Plácido

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome