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Tudo para dar certo

Pedro Machado · 3 min

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O namoro já durava há cerca de 5 meses, depois de um deles se ter divorciado. Sozinho, embora feliz, sabia do seu valor, do quão bom partido ele seria para quem precisasse de alguém com quem partilhar “casa”, embora não precisasse de ninguém. Foi muito assediado, logicamente, mas houve alguém especial, alguém que partilhava valores semelhantes aos dele, com uma reputação social condizente e que lhe poderia oferecer o estilo de vida ao qual ele estava habituado. Esse alguém, cujo casamento de 2 anos, sem filhos do sucesso que se apregoava ser este casal, estava cada vez mais saturado, e não teve pejo em pegar naquele “bom partido”.

Começaram a falar, sem nunca se envolverem. Havia compromisso de que iria resultar, iria dar certo, apenas queriam esperar pela altura certa para não “magoar” ninguém. Foram longos 5 meses, primeiro de lua-de-mel, depois com as primeiras discussões, até ambos terem a certeza de que estavam mesmo destinados um para o outro. E acontece o anúncio.

A 27 de Maio de 2016, José Mourinho é oficialmente anunciado como treinador do Manchester United. Louis Van Gaal deixara, afinal, um “filho” (FA Cup), e conseguiu despedir-se com glória, como tanto desejara, valendo-lhe a pena os 5 meses de convivência com alheamento emocional entre as partes – a conquista colocou, a jeito, uma afirmação que lhe permitirá ter, nem que seja só no seu imaginário, uma ou outra impressão digital em troféus futuros: “acredito que os pilares que permitirão ao clube crescer e atingir ainda mais sucesso estão no devido lugar”.

José Mourinho encontra um clube que faz todo o sentido. Um “match” natural entre duas das maiores marcas (a forma como o Chelsea preservou os direitos de imagem do treinador português e o conflito de interesses entre duas grandes marcas mundiais de automóveis que adiou o anuncio da sua contratação só nos pode levar a achar isso mesmo) do futebol mundial e, acima de tudo, entre dois nomes que significam títulos e vitórias para quem com eles caminham. Dois vencedores, juntos.

A tarefa do happy one (continuará a ser assim chamado?) não se afigura fácil, pois terá de remodelar a equipa à sua maneira, de lidar com dossiês delicados de quem já está no clube há muito tempo (Ryan Giggs à cabeça, que deixará de ser treinador adjunto para servir de ponte entre a equipa de sub-21 e a principal… um cargo inexistente até hoje), de lutar contra uma eventual descredibilização que antigos jogadores seus (ou mesmo os media) possam ter fomentado na cabeça dos seus futuros pupilos e, claro, de harmonizar os egos e fazê-los convergir rumo a um propósito comum.

Para José Mourinho, Ryan Giggs começará como problema... mas pode tornar-se solução Fonte: Manchester United
Para José Mourinho, Ryan Giggs começará como problema… mas pode tornar-se solução
Fonte: Manchester United

Mas se fosse fácil, não era para ele. É certo que se disse o mesmo quando esteve no pior período do Chelsea nos tempos recentes, e que não conseguiu evitar que a equipa navegasse muito longe da glória que o investimento e o apoio justificavam, porém, não seria a primeira nem a segunda vez que tal aconteceria num balneário de José Mourinho, e, por isso, tenho a certeza que o técnico português estará mais “tarimbado” para esse tipo de situação.

Para além disso, terá ao seu dispôr cerca de 300 milhões de euros para desembolsar em reforços e a estreita colaboração com o melhor agente de jogadores de futebol do mundo.

Para cada problema, uma solução condizente, e estas, a funcionar, aproximarão o United dos dias de glória de um passado que se vai tornando cada vez mais distante. Encontraram o homem certo, porque não houve nenhum clube de alta roda (com contaminação, ou não, de balneário) que se tenha “casado” com José Mourinho e não saboreasse a felicidade.

Estes dois têm tudo para dar certo, mesmo sem o “consentimento” de Pep Guardiola.

Pedro Machado

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