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Apesar de fazerem parte daquele que continua a ser o campeonato que mais dinheiro gasta, creio que de há uns anos para cá as equipas inglesas começaram a adoptar uma postura diferente no mercado de transferências. Os valores envolvidos continuam a ser astronómicos, mas é notório um maior cuidado em criar bases para o presente e para o futuro das equipas, ao contrário do que se passava há uns anos atrás – o Chelsea, por exemplo, comprou Shevchenko já com 30 anos por 46M€.

O Chelsea, apesar de ter gasto MUITO em jogadores já não tão jovens, fê-lo para posições onde estava demasiadamente necessitado – Diego Costa veio do Atletico Madrid por 38M€ e do Barcelona chegou Fábregas a troco de 33M€ – e tem vindo a construir uma equipa relativamente jovem desde 2011. Não estou com isto a dizer que é um clube menos gastador do que aquilo que foi, mas acaba por sê-lo se tivermos em conta o proveito que tira por comprar jogadores mais jovens, que crescem no clube. No Verão de 2011, chegou Thibaut Courtois, do KRC Genk por 8,95M€, um valor altíssimo para um guarda-redes de apenas 19 anos. A verdade é que depois de duas épocas emprestado ao Atletico Madrid, onde foi campeão espanhol, venceu uma Liga BBVA e ainda foi finalista da Liga dos Campeões, este jogador chega à casa-mãe ainda com pelo menos uns 15 anos de carreira pela frente, tratando-se já de um dos melhores do mundo na sua posição.

Na mesma temporada, e apesar de já não estarem ao serviço do Chelsea, chegaram ainda mais 3 jovens jogadores que acabaram por ser vendidos por um valor superior ao gasto pelo clube londrino: Juan Mata, que foi fundamental na época 2011/12 mas que nunca conseguiu manter a regularidade, algo super-importante para um jogador de uma equipa de topo como é o Chelsea; e ainda Kevin de Bruyne e Romelu Lukaku, que acabaram por nunca se afirmar nos blues, mas que confirmaram todo o seu potencial durante os períodos de empréstimo.

lukaku
Lukaku, que pode tornar-se um dos melhores do mundo, saiu por 30M€; Diego Costa, claramente acima do belga neste momento, chegou por 38M€
Fonte: liverpoolecho.co.uk

Um ano mais tarde, no Verão do Euro 2012, Abramovich desembolsou cerca de 65M€ em duas pérolas do futebol mundial. Do Lille chegou Eden Hazard por 45M€ e apesar de ter chegado já como um excelente jogador, não se podia dizer que o belga já estivesse entre os melhores. O Chelsea podia facilmente gastar esse dinheiro num jogador uns 5 anos mais velho e que no momento trouxesse ainda mais qualidade para equipa. Mas não, preferiu apostar no jovem de 21 anos. Com uma Ligue 1 e uma Coupe de France no currículo, Hazard chegou e convenceu desde o primeiro minuto, tendo-se adaptado com facilidade ao futebol britânico. É neste momento uma das estrelas, se não a grande estrela, deste Chelsea de Mourinho.

Quem lhe fez companhia na viagem para Londres foi Óscar. O brasileiro tinha acabado de vencer o Mundial sub-20 na Colômbia, carimbando um hat-trick na vitória frente a Portugal na final do torneio. O jogador de 20 anos trocou então o Internacional, clube no qual já tinha realizado mais de 70 partidas apesar de tão tenra idade, pelo Chelsea. Já na altura Óscar diferenciava-se do típico brinca na areia prodígio brasileiro, jogando um “futebol europeu” – apesar de ter tão pouca experiência, já era muito mais objectivo. No mesmo defeso chegou ainda Cesar Azpilicueta. O espanhol trocou o Marseille pelo Chelsea por 8,8M€ e tem-se revelado um jogador importante: não é de rasgos, não é de levantar plateias nem é um jogador de aparecer nos resumos, mas cumpre sempre muito bem a sua tarefa quando joga numa das laterais da defesa.

Óscar e Hazard não tiveram dificuldades de adaptação à Premier League  Fonte: Daily Star
Óscar e Hazard não tiveram dificuldades de adaptação à Premier League
Fonte: Daily Star

Mourinho voltou ao Chelsea para a temporada 2013/14 e com ele chegam os jovens Marco van Ginkel, Kurt Zouma, Mohamed Salah, André Schürrle e ainda o já não tão jovem Willian. Marco van Ginkel ficou na equipa, mas foi sempre tapado por jogadores como Ramires, Lampard, Obi Mikel, Óscar e Juan Mata, acabando por não ser benéfico para a sua evolução como jogador continuar na equipa londrina. O atleta, que tinha chegado do Vitesse a troco de 9,4M€, saiu por empréstimo para o AC Milan. Aos 21 anos é ainda com toda a certeza um jogador que vai voltar a brilhar e confirmar tudo aquilo que prometeu na Holanda.

Já Zouma permaneceu emprestado ao Saint-Étienne na época em que os milionários pagaram uma verba a rondar os 15M€. Com 19 anos, já marcou a sua posição no Chelsea e será um dos candidatos ao lugar de John Terry quando este abandonar o clube. Salah, depois de duas temporadas ao mais alto nível no Basel, deu o salto inevitável e hoje, aos 22 anos, ainda não conquistou um lugar no onze de Mourinho, apesar de ser opção regular a partir do banco. Dotado de uma velocidade e técnica acima da média, o egípcio é o jogador que qualquer equipa de topo gosta de ter no banco para resolver jogos contra equipas que estejam muito compactas defensivamente.

Schürrle e Willian são a dor de cabeça que qualquer treinador gosta de ter. Se na época passada Mourinho optou por dar a titularidade a Willian – mas usar Schürrle em quase todos os jogos – este ano, e sobretudo nas últimas partidas, a tendência parece estar a mudar. Tratam-se de dois jogadores muito parecidos, rápidos, com facilidade no 1×1 e muito bons a aparecer em zonas de finalização. A meio da época, em Janeiro, chegou ainda Nemanja Matic, jogador que dispensa apresentações para os portugueses.

Schürrle e Willian disputam a asa direita londrina - a minha preferência recai sobre o alemão  Fonte: Bleacher Report
Schürrle e Willian disputam a asa direita londrina – a minha preferência recai sobre o alemão
Fonte: Bleacher Report

Depois de uma época algo desapontante, Mou quer lavar a cara e dar um pontapé na sua crise de títulos. Para isso, o técnico português necessitou da ajuda de dois super reforços vindos da Liga Espanhola. Diego Costa trouxe consigo raça, trabalho e uma imensa veia goleadora, algo que faltava no Chelsea desde os tempos áureos de Drogba e Anelka. Cesc Fábregas trouxe consigo as assistências para Diego Costa. Juntos têm feito uma dupla temível, juntando-se aos já referidos mais Eden Hazard, Óscar, Schürrle ou Willian – todos letais no ataque. No banco ainda há Remy e Salah como velozes opções. Atrás de tudo isto há dois jogadores que quando jogam parecem preencher todo o terreno – falo de Matic e Ramires, ambos oriundos do SL Benfica. Mas ainda mais temível é pensar que todos estes jogadores de que falei têm uma média de 25 anos. Um número jovem para tanta qualidade junta, ou seja, estes jogadores vão crescer ainda mais juntos sobre a batuta de Mourinho.

Mas atenção que a todos estes conhecidos craques, existem ainda nomes que apesar de não terem o reconhecimento dos anteriormente falados, têm também grande qualidade e podem ocupar o seu espaço no Chelsea no futuro. Falo de Andreas Christensen, Nathaniel Chalobah, Tomáš Kalas, Nathan Aké, Thorgan Hazard, Atsu, Bertrand Traoré, Lewis Baker, Lucas Piazón, Loftus-Cheek ou Islam Feruz.

Em 2012, quando se falava numa renovação do Chelsea – consequência do avançar e declínio de qualidade de jogadores que marcaram uma era como Petr Cech, Ashley Cole, John Terry, Paulo Ferreira, Frank Lampard, Didier Drogba, Florent Malouda ou Nicolas Anelka – depois da tão esperada Champions League, poucos adeptos acreditariam que a equipa pudesse tão facil quanto rapidamente voltar ao mais alto nível, não só internamente como a nível europeu.

Será que a imagem se repete 10 anos depois?  Fonte: provenquality.com
Será que a imagem se repete 10 anos depois?
Fonte: provenquality.com

Esta época Mourinho parece ter voltado ao seu melhor nível e apresenta finalmente um futebol agradável e com resultados, algo de que já tínhamos algumas saudades. Com 8 jornadas disputadas leva já 5 pontos de vantagem sobre o seu concorrente directo ao título, portanto dificilmente este título não cai em Stamford Bridge. A nível europeu, a Champions é claramente um objectivo de Mou e se não o vencer este ano será algo inevitável num futuro próximo, a qualidade desta equipa tem tudo para dar frutos.

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