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O Watford, equipa londrina treinada por Quique Flores, antigo treinador do SL Benfica, ocupa atualmente o nono posto da Premier League (à condição), nove pontos acima da linha de água, e está a quatro dos lugares de qualificação europeia.

Os Hornets subiram este ano à Barclays Premier League (BPL) depois de uma excelente campanha no Championship, em que alcançaram o segundo lugar (subida direta), com 89 pontos, a apenas um do surpreendente campeão, Bournemouth. Na luta pela subida mostraram ter veia goleadora. A dupla Deeney e Ighalo – 21 e 20 golos respetivamente – liderou o ataque, contribuindo, desta forma, para a equipa alcançar o segundo melhor registo ofensivo da competição, com 91 golos.

Este ano, numa competição muito mais exigente (sem querer desprezar a competitividade e a exigência do segundo escalão do futebol inglês) e com bastante mais qualidade, a equipa de Quique era uma das candidatas à dura luta pela manutenção. Para sobreviver, o treinador espanhol decidiu reforçar o plantel com jogadores de qualidade e já com alguma experiência. Trouxe, por isso, jogadores como Valon Behrami (ex-Hamburgo), Étienne Capoue, que não conseguiu vingar no Tottenham, Holebas (ex-Roma), Prodl (Ex-Bremen), Nyom (ex-Granada) e ainda adquiriu em definitivo Ighalo, que tinha estado emprestado no clube na época anterior.

A época começou com uma sempre difícil deslocação a Goodison Park, para defrontar o Everton. A partida terminou com um empate a duas bolas, com o Watford a deixar boas indicações, fazendo um excelente jogo. A dupla do meio campo, Capoue e Behrami, serviu como um autêntico tampão, provocando ao Everton muitas dificuldades nas transições pelo meio e na troca de bola. Aliás, a equipa de Liverpool só não perdeu porque Koné assinou um excelente golo ao minuto 86.

O início de época foi, no entanto, muito difícil para os recém-promovidos. Seguiram-se dois empates a zero em casa, com o West Brom e os Saints, e uma derrota, por duas bolas a zero, no reduto do Manchester City. A primeira vitória só surgiu à quinta jornada, no Vicarage Road, frente ao Swansea, por 1-0. A partir daqui, a performance dos Hornets melhorou e, nas dez partidas seguintes, obtiveram cinco vitórias, um empate e quatro derrotas (frente ao Palace, ao Arsenal, ao United e ao espetacular Leicester City). O sucesso deve-se, principalmente, à qualidade defensiva que a equipa do treinador castelhano tem demonstrado.

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A dupla de atacantes, Deeney e Ighalo, continua a render
Fonte: Watford FC

O Watford apresenta normalmente uma defesa composta por Gomes na baliza (guarda-redes muito experiente e conhecedor do futebol inglês) e por uma linha de quatro defesas: Nyom na direita, Cathcart como primeira opção para o centro da defesa, Aké/Britos, ou por vezes Prodl ao seu lado, e Anya na esquerda (sendo que o holandês cedido pelo Chelsea também já fez a posição). Além disso, Capoue, que está a fazer uma excelente época, e Watson, que está em grande forma e suplantou Behrami, ficam no meio campo, onde colaboram também no trabalho defensivo. Deste modo, a equipa é atualmente a sexta melhor defesa do campeonato, a par do Manchester City, com 16 golos sofridos.

Para além da defesa, a já referida dupla de atacantes, formada por Troy Deeney e Odion Ighalo, continua a render, e, juntos, já levam 12 golos (oito do nigeriano e quatro do inglês). São jogadores que trabalham muito bem juntos e, além de atacar, ajudam a defender. Demonstram qualidade no transporte de bola, especialmente Ighalo, e são muito fortes fisicamente, o que lhes dá maior presença na área.

Poderá, por tudo isto, dizer-se que a época está a correr muito bem e que os adeptos estarão certamente satisfeitos com o desempenho da equipa. Quanto mais cedo garantirem, teoricamente, a manutenção (leia-se: quanto mais cedo obtiverem uma vantagem tranquila sobre a linha de água), mais cedo poderão começar a preparar a próxima época, sem o sobressalto da despromoção. Uma época tranquila permite que os jogadores ponham em campo todo o seu futebol, possibilita o crescimento da equipa, evita nervosismos e problemas de balneário causados pelo medo e pela frustração da possibilidade de descida.

Em suma, se assim se confirmar, e se os Hornets conseguirem a tão desejada época tranquila (não acredito que sejam candidatos à qualificação europeia), poderão começar a procurar, finalmente, assentar no escalão de topo do futebol inglês. Os londrinos têm uma equipa muito interessante, onde jogadores como Deeney, Ighalo, Capoue, Nyom e Cathcart são claramente pedras fulcrais e com as quais se pode formar a base de uma boa equipa. Têm ainda outras opções de grande qualidade, tais como Watson, Abdi, Anya e Berghuis.

Quique Flores parece ter encontrado o seu lugar, está a fazer um excelente trabalho e está a orquestrar aquela que é, na minha opinião, além do Leicester, a melhor surpresa da época.

Foto de capa: Watford FC

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