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A renovação no Manchester United, que se fez com as entradas de Van Gaal, Falcao e Di María, entre outros, era obrigatória, depois do desastre que foi a última temporada. David Moyes não conseguiu lidar com a pesada herança de suceder a Ferguson, e percebeu-se finalmente que o plantel não tinha a qualidade necessária. Wayne Rooney era um dos poucos elementos de classe mundial, mas estava muito desacompanhado, precisava de outros jogadores de valia semelhante. O que é certo é que, ao contrário do que se perspectivava, o craque não beneficiou nem de perto nem de longe com a chegada de reforços. Viu o seu espaço de eleição – segundo avançado – ameaçado pelo colombiano voador, o que levou Van Gaal a recuá-lo para o meio campo, e tem perdido protagonismo na equipa.

26 de Dezembro de 2014.  A data em que marcou pela última vez para o campeonato. O bis contra o Newcastle é o último vislumbre da veia goleadora de Rooney. A sua colocação em campo é o principal obstáculo. A equipa ressente-se da falta de um patrão – Di María tem oscilado o seu rendimento e afasta-se cada vez mais daquele vaivém que o caracterizava – e os goleadores de serviço, Falcão e Van Persie, estão numa relação de amor/ódio com as redes.

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O inglês de vinte e nove anos acaba por ser a maior vítima das suas características. Um dos jogadores mais possantes do futebol mundial é alguém a quem sempre se viu capacidade para ter um papel de relevo fora da linha avançada. A visão de jogo e capacidade de passe permitem-lhe servir na perfeição os colegas e o pontapé canhão é controlado com mira certeira. O problema nisto tudo é que o papel de médio centro obriga-o a ter outras amarras tácticas, que não lhe permitem a chegada às imediações da baliza adversária (nos últimos 5 jogos, sem contar com o encontro com o Preston, fez 0 remates!).

Rooney tem estado desinspirado a jogar como médio Fonte: Facebook de Wayne Rooney
Rooney tem estado desinspirado a jogar como médio
Fonte: Facebook de Wayne Rooney

As críticas estão a começar a aparecer e Van Gaal vai afastando de si as responsabilidades, dizendo que “Rooney está a jogar no meio campo porque não temos mais ninguém”. O experiente treinador holandês não deve ter olhado para o seu próprio plantel quando disse tamanha barbaridade. É certo que as opções não abundam, mas quando se gasta 36 milhões em Ander Herrera não se pode apresentar esta justificação. O treinador holandês, que tem desdobrado a equipa num 3x5x2, 4x4x2 losango ou no mais recente 4x3x1x2, parece convicto na intenção de sacrificar o melhor jogador da equipa nos últimos anos para apostar numa dupla de avançados que pouco ou nada tem feito.

Apesar da unicidade de Rooney, é notório que esta aposta tem sido infrutífera. O seu futebol não sai favorecido e os Red Devils, que com muitos jogadores acima da média exigiam outra nota artística, vão praticando um futebol medíocre. Estamos a falar do capitão e do terceiro melhor marcador de sempre do clube, mas a sua saída é uma opção que já devia estar a ser equacionada. O clube e o jogador parecem não ter mais nada a dar um ao outro e, à beira dos malditos trinta, o camisola dez não devia descurar a saída para outro campeonato.

Foto de Capa: Facebook de Wayne Rooney