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Com cinco clubes a atuar na Premier League, Londres é a cidade mais representada no principal escalão do futebol inglês. De todos os conjuntos londrinos, tem sido o West Ham, um histórico da zona Este da cidade, a ter a gestão mais atribulada.

Apesar de terem um plantel forte, com grandes jogadores como Arnautovic, Lanzini, Chicharito, ou Noble, os Hammers não têm, ultimamente, tido as condições necessárias para realizar bons campeonatos. A principal razão para isso é a gestão de David Sullivan, o dono do clube. Polémico e com pouca habilidade para dirigir uma equipa de futebol, o presidente galês tem sido uma constante fonte de problemas para o West Ham, e um impedimento na estabilização do clube na Premier League. Os jogadores e treinadores contratados são, na maioria das vezes, escolhas acertadas, mas a necessidade do presidente em ter protagonismo, e a atenção negativa que as suas declarações trazem, têm sido prejudiciais para o clube.

O melhor exemplo disso é a primeira metade desta temporada. Depois dum grande investimento no Verão, e a contratação de vários jogadores de qualidade, para além da aposta na continuidade de Slaven Bilic como treinador, esperava-se uma equipa mais ambiciosa, menos inconstante, que pudesse finalmente lutar por lugares europeus. Mas a verdade é que a época começou muito mal para os Hammers, que, com uma série de resultados negativos, rapidamente se afundaram nos lugares de despromoção da Premier League.

Não sendo capaz de virar o rumo da equipa, Bilic acabou por ser afastado do comando do West Ham. Para o seu lugar foi contratado David Moyes, a escolha ideal para o clube neste momento. Afinal, antes de se ter tornado alvo de críticas, pelo ano menos bom que passou como técnico do Manchester United, o treinador escocês fez um grande trabalho ao serviço do Everton, onde esteve 11 temporadas. Moyes pegou nos Toffees numa situação semelhante à do West Ham atual, perto dos lugares de descida, e levou-os até aos primeiros lugares da tabela, conseguindo várias qualificações para as competições europeias.

Arnautovic tem estado em grande destaque nos últimos jogos do West Ham Fonte: West Ham FC
Arnautovic tem estado em grande destaque nos últimos jogos do West Ham
Fonte: West Ham FC

Desde que Moyes chegou ao clube de Londres, tem havido uma ligeira melhoria de resultados. O West Ham conseguiu afastar-se da despromoção, e obteve até algumas vitórias importantes, como no jogo frente ao Chelsea. Embora o West Ham não tenha entrado numa grande sequência de vitórias, e ainda seja cedo para avaliar a importância de Moyes no sucesso da equipa, a verdade é que a entrada do treinador escocês em cena conseguiu unir o grupo em torno dum objetivo comum: impedir o histórico emblema de descer de divisão.

Neste momento, é fundamental que a equipa obtenha pontos. Com a ideia de construir uma grande equipa, que possa rivalizar com os melhores de Inglaterra, um pouco posta de parte, pelo menos esta temporada, o West Ham encontrou finalmente um rumo, e esse é o maior triunfo de Moyes até agora, ao comando dos Hammers.

Sediado no Estádio Olímpico de Londres, e com um dos maiores conjuntos de adeptos em Inglaterra, o West Ham terá sempre a pressão de ter desempenhos ao nível da sua dimensão. Como tal, depois de conseguir afastar os receios de ser despromovido, o clube precisa de encontrar uma nova estratégia, e um plano desportivo bem definido que lhe permita ter sucesso. Com a atual direção, isso parece difícil. Para já, Moyes tem conseguido o mínimo, a nível desportivo. Mas o West Ham devia intrometer-se na primeira metade da tabela, e não lutar nos últimos lugares do campeonato.

O compromisso dos jogadores, dentro de campo, é visível, tal como a ligação com os adeptos. Só que enquanto o clube não tiver alguém, como dirigente, que consiga construir um plantel equilibrado, e que proporcione todas as condições que uma equipa precisa para obter resultados, estará sempre perdido, confuso, e dependente da inspiração individual dos futebolistas,para alcançar pontos.

A impressão deixada pela equipa também vai mudando ao longo duma época. Se no início das temporadas há sempre expetativa por boas classificações, a partir do meio do campeonato só se exige que o West Ham não desça. O clube alterna entre dar a imagem duma equipa de lugares europeus, uma de meio da tabela e uma equipa de Championship.

Os Hammers já se habituaram a esta instabilidade, mas, perante a crescente competitividade da Premier League, têm de rapidamente crescer como clube. Seria um desperdício ver um dos clubes ingleses mais emblemáticos perdido na segunda divisão de Inglaterra, por total inabilidade dos seus donos em dirigir um projeto desportivo.

Foto de Capa: West Ham FC

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