A CRÓNICA: A “PRENDA” QUE ESPÍRITO SANTO MAIS QUERIA

Depois do que o Liverpool fez em Leicester, na noite anterior, o Manchester City entrou em campo ciente de que uma vitória lhes devolvia o segundo lugar da Premier League, mas o primeiro posto continuaria, na melhor das hipóteses, a 11 pontos de distância (e de forma provisória, pois os “Reds” continuam com um jogo em atraso). Se a entrada foi boa, de parte a parte, a expulsão de Ederson, logo aos 12 minutos, obrigou Guardiola a sacrificar o retornado “Kun” Aguero e, com ele, muito daquele que seria o caudal ofensivo dos “Citizens”. Apesar da superioridade numérica dos “Wolves”, quem se adiantou no marcador acabou por ser o City, na sequência de um lance de grande penalidade. No entanto, foi apenas à terceira tentativa que Sterling conseguiu bater Rui Patrício: o guardião português defendeu duas vezes os penáltis do inglês (o árbitro Martin Atkinson mandou repetir a marcação do castigo máximo), mas na recarga do segundo pontapé acabou por ser inaugurado o marcador.

A partir do golo, o domínio do jogo ficou totalmente do lado do Wolverhampton, mas no início da segunda metade, os homens de Manchester fizeram contar a oportunidade que tiveram. As mexidas de Guardiola, ao intervalo, foram exatamente as que a equipa precisava naquele momento e a libertação de Kevin De Bruyne para funções atacantes permitiu ao médio belga lançar Sterling para o 0-2, logo aos 50 minutos. Apesar do golo, o City “encostou-se” perante esta vantagem de dois tentos e voltou a recuar, opção pela qual os “Wolves” os fizeram pagar quase de imediato. Cinco minutos após o segundo golo dos “light blues”, Adama Traoré disferiu um fantástico pontapé, misto de força e colocação, e bateu Cláudio Bravo, colocando a distância de novo em apenas um golo. As oportunidades a favor dos “lobos” continuaram a suceder-se e o golo do empate acabou por chegar com naturalidade. Um erro clamoroso de Mendy permitiu a Adama Traoré recuperar-lhe a bola e servir Jiménez, que só teve de encostar para reestabelecer o empate. Mas um ponto não era o que Nuno Espírito Santo e os seus homens queriam como prenda nesta jornada do “Boxing Day” e, portanto, foram em busca da vitória, galvanizados ainda mais pela incapacidade do City em criar perigo para as redes de Patrício. Assim, e com todo o drama a que a Premier League já nos habituou, o Wolverhampton chegou à vitória pouco antes do minuto 90, através de um remate de Doherty desde a zona da meia-lua da área dos “Citizens”.

Depois de um jogo que teve tudo o que um adepto de futebol ama, a equipa do Wolverhampton ascende ao quinto lugar da Liga Inglesa, enquanto o Manchester City falha o “assalto” ao segundo lugar e fica a 14 pontos do primeiro posto, que parece estar cada vez mais entregue de forma definitiva ao Liverpool. Para finalizar, vale a pena referir um facto curioso, que bem revela a atípica época dos pupilos de Guardiola: os “Wolves” venceram ambas as partidas frente aos “Citizens” na edição 2019/20 da Premier League!

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A FIGURA

Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Adama Traoré – Um golo e uma assistência são os números que ficam para a posteridade, mas quem assistiu a este magnífico encontro manteve na retina todos os movimentos do possante extremo espanhol. Sempre pronto a driblar qualquer adversário, fruto da sua velocidade e técnica, beneficiou ainda de um dia mau de Mendy, de quem fez o que bem lhe apeteceu.

O FORA DE JOGO

Fonte: Manchester City FC

Ederson e Mendy – Por razões diferentes, são dois dos homens da linha defensiva do City os meus escolhidos. O guarda-redes brasileiro devido à abordagem imprudente que teve no minuto 12 e que lhe valeu a expulsão; o lateral francês devido à exibição cheia de erros e inseguranças que protagonizou, tendo mesmo sido na sequência de uma falha sua que surgiu o golo do empate para o adversário.

ANÁLISE TÁTICA – WOLVERHAMPTON WANDERERS FC

Alinhando no habitual 3-4-3, no momento ofensivo, os “lobos” usavam Diogo Jota e Adama Traoré como ameaças pelas laterais, enquanto Jonny e Doherty se colocavam um pouco mais por dentro, junto a João Moutinho e Rúben Neves. A defender, os alas juntavam-se aos centrais e constituíam uma linha de cinco, passando o esquema para um 5-4-1. A entrada de Pedro Neto acrescentou técnica e velocidade ao lado esquerdo do ataque do Wolverhampton, qualidades que faltaram enquanto Diogo Jota esteve em campo e que abundaram pela direita, onde Traoré fez uma exibição de grande nível.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Rui Patrício (7)

Leander Dendoncker (7)

Conor Coady (7)

Roman Saiss (6)

Matt Doherty (7)

João Moutinho (7)

Rúben Neves (7)

Jonny Castro (6)

Adama Traoré (9)

Raúl Jiménez (8)

Diogo Jota (6)

SUBS UTILIZADOS

Rúben Vinagre (6)

Pedro Neto (6)

Ryan Bennett (-)

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC

O plano inicial passava pelo habitual “tiki-taka” a que as equipas de Pep Guardiola já nos habituaram, com os jogadores dispostos num 4-3-3 e onde De Bruyne e Bernardo Silva seriam os catalisadores de todo o jogo ofensivo dos “Citizens”. No entanto, a expulsão precoce de Ederson obrigou a uma mudança de planos: o técnico espanhol abdicou do avançado centro e formou um 4-4-1, onde Sterling figurou como homem mais adiantado. Ainda assim, o momento ofensivo da equipa praticamente desapareceu e passaram a maior parte do jogo a defender, pelo que, na segunda parte, a colocação de Eric García transformou o esquema num 5-3-1 e levou a uma melhoria na capacidade de transição para o ataque, devido à libertação de De Bruyne para tarefas mais ofensivas.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson (3)

Kyle Walker (5)

Fernandinho (6)

Nicolás Otamendi (6)

Benjamin Mendy (4)

Rodri (6)

Kevin De Bruyne (7)

Bernardo Silva (6)

Riyad Mahrez (6)

Raheem Sterling (8)

Sergio Aguero (5)

SUBS UTILIZADOS

Cláudio Bravo (6)

Eric García (6)

Ilkay Gundogan (6)

Foto de Capa: Premier League