AC Milan 2017/18: Ano 1 depois de Berlusconi

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A 13 de abril de 2017, era anunciada a compra da Associazione Calcio Milan por parte da Rossoneri Sport Investiment Lux, empresa sediada no Luxemburgo e detida pelo empresário chinês, Li Yonghong.

A Finivest, de Silvio Berlusconi, vendeu na íntegra a sua participação de 99,93% no clube, consumando-se o fim da dinastia de 31 anos de Berlusconi ao leme do clube milanês.

Manifestação dos sinais dos tempos e de como o futebol é cada vez mais um negócio apetecível para os dinheiros das arábias e das ásias, este negócio significou o maior investimento de sempre de capital chinês num clube europeu, depois de o grupo chinês Suning ter pago 270 milhões de euros pelo “conterrâneo milanês”, Football Club Internazionale Milano.

Com um dívida superior a 200 milhões de euros, a entrada chinesa no papel proprietário do clube, constituiu e constitui um veículo de acesso à liquidez e estabilidade financeira.

Muito importante, como é evidente, a balança dourada de um clube desportivo estar saudável e assim se manter. E, neste caso, o limiar da salubridade financeira é ultrapassado, quedando-se num reduto de prosperidade indelével.

No entanto, e num futebol atual que é uma panela de pressão de resultados, ninguém, entenda-se, os adeptos, quererão saber mais das prósperas economias financeiras do que da sua equipa e dos seus jogadores. Finanças é assunto para os especialistas.

Para os ‘tiffosi’, que são os especialistas da vida, das emoções, do saber amar o clube, o que mais importa são aqueles onze ‘rossoneri’ que, durante os 90 minutos, lutarão pelos seus objetivos sem se olhar a preços.

Chegados a esta parte do texto, vamos ao que todos mais querem ver: os jogadores, ou, como quem diz, as contratações. Os investimentos, até agora, foram quatro: o médio costa-marfinense ex-Atalanta, Franck Kessié, o lateral esquerdo suíço, Ricardo Rodríguez, que chegou do Wolfsburgo, o central argentino proveniente do Villareal, Mateo Mussachio, e o ponta de lança internacional português que viajou do FC Porto, André Silva.

Franck Kessié, Mateo Musacchio, Ricardo Rodríguez e André Silva foram, até ao momento, os quatro grandes investimentos dos ‘rossoneri’ para 2017/18 Fonte: Sport360.com
Franck Kessié, Mateo Musacchio, Ricardo Rodríguez e André Silva foram, até ao momento, os quatro grandes investimentos dos ‘rossoneri’ para 2017/18
Fonte: Sport360.com

Kessié, com 20 anos, vem num empréstimo de dois anos que custou 8 milhões de euros aos cofres milaneses, mas que tem uma claúsula obrigatória de compra de 20 milhões ao fim do período de empréstimo. Rodríguez, 24 anos, veio a troco de 18 milhões de euros. Pelo mesmo preço, Musacchio, 26 anos. E, até ver, André Silva elevou a fasquia, tendo o AC Milan desembolsado 38 milhões de euros pelo concurso do jovem de 21 anos, num negócio que pode chegar aos 40 milhões por via de bónus.

Num plantel orientado tecnicamente por Vincenzo Montella que mistura juventude e experiência, como Romagnoli e Abate no setor defensivo, como Locatelli e Montolivo no meio-campo e Suso e Bacca no ataque, estes quatro investimentos têm um significado vertebral.

Vejamos, um é central (Musacchio), outro é lateral (Rodríguez), um médio (Kessié) e um ponta de lança (Silva). Os dois últimos são mais novos, 20 e 21, respetivamente, os outros dois são igualmente jovens, mas mais tarimbados, com 26 e 24, respetivamente. Os quatro têm presença física para o contacto que o futebol italiano pede e, mais que isso, uma sede de vitória que deve comungar com a ânsia de glórias que se vive no clube fundado em 1899.

Sabemos das condições paradisíacas que a cidade desportiva de Millanello oferece aos reais e mais importantes protagonistas da bola. Sem embargo, tal não deve constituir elemento de letargia para os jogadores.

O Milan começa em 2017/18 a primeira época integral do pós-Berlusconi, o último ‘scudetto’ foi em 2010/11, no pré-hexa da Juventus.

Vistas bem as coisas, a Associazione Calcio Milan nunca mais será a mesma, mas não significa que tal seja um prenúncio de morte identitária. Que role a bola!

 

Foto de Capa: Goal.com

Rúben Tavares
Rúben Tavareshttp://www.bolanarede.pt
O futebol foi a primeira paixão da infância, no seu estado mais selvagem e pueril. Paixão desnuda. Hoje não deixou de ser paixão, mas é mais madura, aliada a outras paixões de outras idades: a literatura, as ciências sociais, as ciências humanas.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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