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Todos estarão recordados, com maior ou menor dificuldade, de equipas míticas do Milan. Começando na dinastia holandesa – Gullit, Rijkaard e Van Basten – e, mais recentemente, as equipas de Ancelotti, que na primeira década atingiram três finais europeias – duas vitórias e… a final perdida de Istambul. Nessas equipas pontificavam nomes como Maldini, Nesta, Cafú, Pirlo, entre tantos outros. Chegando a 2017, o panorama mudou. E muito. Com o título, caro leitor, não fica fechada a porta para que o Milan, nesta nova era do futebol, tenha experiência – ela é sempre bem-vinda, especialmente a equipas com falta de identidade. Porém, já todos percebemos que o “novo Milan” terá de se fortalecer e construir com miúdos. Com tudo o que de bom e mau isso tem. E a construção começa logo na baliza…

Donnaruma, Locatelli, Romagnoli. Três homens que personificam uma nova identidade num clube órfão de títulos, ideias e referências. É claro que um processo destes tem as suas particularidades. Não é fácil construir uma equipa com base no talento de jovens.

Donnarumma já conquistou os adeptos milaneses e, porque não o dizer, o futebol europeu. Impressiona pela juventude, pela segurança e pela personalidade. Os adeptos não precisaram de muito para perceber que está ali uma futura referencia das balizas milanesas.

 

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Com 17 anos, Donnarumma já é um ídolo no San Siro Fonte: AC Milan
Com 17 anos, Donnarumma já é um ídolo no San Siro
Fonte: AC Milan

Avançando um pouco no terreno, encontrámos Romagnoli. Um jovem central, que depois de dar nas vistas na Sampdoria, chegou aos rossoneri e pegou de estaca. É claro, voltamos à conversa dos riscos da aposta nos jovens. Romagnoli ainda não pode ser um central feito – tem apenas 22 anos – mas a segurança que demonstra quer no processo defensivo, quer depois a sair com a bola na primeira fase de construção – sabemos que isso numa equipa grande é essencial -, não enganam.

Locatelli entrou de rompante no Milan. O grande golo que valeu a vitória importante e inesperada frente à Juve, catapultou o jogador para um patamar de ídolo. Locatelli tem de ter estabilidade emocional para saber lidar com todo o mediatismo e, avaliando pelas últimas amostras, não se tem dado mal. Falta-lhe intensidade, sempre importante para quem joga na zona nevrálgica do terreno, mas o jovem italiano – é estrela nas seleções mais jovens – já evidencia classe e, sobretudo, inteligência. Não dá muitos toques na bola, mas joga simples.

Além destas três “referências” – aqui as aspas não surgem por acaso -, o Milan vive doutros talentos. Suso, na faixa direita do ataque, vai tentando dar consistência a um talento indiscutível; Niang tenta acrescentar golos à força e à potência e Pasalic, não sendo um craque, dá consistência e intensidade ao meio-campo. Bacca, Bonnaventura, Paletta e Abate, neste contexto, são os veteranos. Não pela idade, mas porque servem de modelo para os mais jovens. No que depender dos adeptos do Milan, um dia, estes poderão ser “os velhos” do clube.

Foto de capa: A.C. Milan