A Roma chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões. Não me parece anormal, já que apresentou um excelente desempenho no grupo em que calhou em sorte, e nos oitavos derrubou uma equipa igualmente bem orientada, mas sem as pretensões de clubes de posses maiores. É um clube assim que lhe calhou “em sorte”, os culés, o FC Barcelona.

Antevendo este embate, qualquer casa de apostas dá como favoritos os blaugrana. Quer em casa, quer fora. Não é fácil jogar em Roma, atenção, mas Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, ou City seriam também apontados como favoritos. Clubes que não são imbatíveis, mas batê-los seria algo mais do que a “simples” passagem às meias.

Outra curiosidade é o facto de termos duas equipas da Seria A nos quartos de final. Estes últimos seis a Juventus foi sempre campeã, e mais curioso ainda foi o bem modesto 7º lugar na classificação na temporada que antecedeu o primeiro título nacional conquistado neste série que se mantém, e parece continuar, se bem que o Nápoles está vivo. A Liga Italiana, que já foi a melhor do mundo, após uma quebra a nível competitivo interno, deixa o indício de voltar a colocar equipas num contexto competitivo externo.

Voltando à Roma, e às suas hipóteses na presente edição da Liga dos Campeões, que me parecem muito mínimas, não se lhe permite dar a eliminatória por perdida. Característica bem conhecida de qualquer italiana é a sua capacidade em defender. Chamam-lhe a “arte de defender”. Não é só isso, mas pode começar aí a abordagem aos dois jogos contra um Barcelona que não facilita.

 

Levar o jogo vivo para o Stadio Olimpico pode não ser a solução, mas pode ser fator a ter em conta
Fonte: AS Roma

A primeira mão joga-se no Camp Nou. Sendo a equipa, teoricamente, que irá cair aos pés dos catalães, e Di Francesco não deverá encarar o jogo como se fosse frente ao Shakhtar, mas segundo as mesmas intenções: mas agora, no máximo dos máximos, trazer a eliminatória ainda remediável para terras transalpinas. Muita contenção defensiva em Camp Nou, ou atrevimento ofensivo? Prevejo as duas, o Barça assim o obriga.

É muito difícil ver o Barcelona cair. É improvável que a equipa romana o consiga fazer. Mas vêem-se muitos jogadores a subir de nível, como por exemplo, de equipas como a Roma para equipas como o Barcelona, e corresponderem ao que o nível “elite” exige. Vejo em Dzeko um ponta de lança mortífero, que condiz com o passado do calcio: com defesas mais impenetráveis, melhores pontas de lança são precisos. Em tempo os reais matadores fizeram lá escola, como Crespo, “Pippo” Inzaghi, Adriano, Ibra, Shevchenko, Toni, Di Natale, Vieri, Trezeguet, Totti, Batistuta, Del Piero… Dzeko é um ponta de lança que resolve. A defesa romana, que nele mesmo começa, já que será o primeiro da equipa a defender, pressionando o possante meio campo blaugrana, terá o bósnio sempre no seu horizonte. A estratégia romana dependerá não apenas de si, mas também do demérito de jogadores adversários, pois em situações normais já apontamos quem seguirá em frente na competição.

Foto de capa: AS Roma

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