O Liverpool ia renascendo com Brendan Rodgers. Aquela escorregadela de Gerrard diante do Chelsea arruinou não um campeonato, pois nunca saberíamos se a vitória diante dos “blues” seria suficiente para tal feito, mas deixa ficar eternamente uma sensação de como seria. O tal “se”, a conjunção mais usada no mundo do futebol. Do género, “ai, e tal, se tivesse sido penalty ganhávamos”.

Isto é, sem grande validade ou utilidade. Porém, o título deste artigo assenta nesse fator circunstancial que envolve, mas numa vertente de futuro, não se passado… Uma coisa é sonhar com o que pode acontecer, outra completamente diferente, é sonhar com o que poderia ter acontecido!

Mas dá sempre que pensar. Adeptos fervorosos como são os de Anfield, que devem ainda hoje olhar o céu e perguntar para a sua consciência: “Como seria se o Sérgio Ramos não “derrubasse” o Salah? Não que seja ilegítimo para eles pensar nisso, ou que o que Ramos parece ter feito seja bom, mas eu prefiro que esses mesmos adeptos reflitam, e cheguem à conclusão que desde a chegada de Klopp, o nível da equipa equipara-se a qualquer um dos rivais ingleses. Sem ele, talvez nem Salah fizesse parte do plantel. E muito menos chegariam a uma final europeia… Não sou dono e senhor disto tudo, mas é o que acho.

O estilo de jogo implementado pelo técnico ex-Mainz e Borussia Dortmund é aliado à chegada de excelentes executantes. Lembro-me bem de um passado recente em que o Liverpool não conseguia manter os seus melhores trunfos: Torres, Suarez, Raúl Meireles, Sterling, entre muitos outros. Posso estar enganado, mas acredito que Klopp tem a sua parte de influência no que se refere à coesão de uma equipa, ao grau de empenho dado por cada elemento da equipa.

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Penso que Emre Can saiu, mas não saiu sem o clube ter quem garanta um jogador que desempenhe a um nível semelhante essa posição (Fabinho ou Naby Keita). Penso que é nesse sentido que o clube soube voltar ao topo da montanha e saber subsistir por lá. Não basta vender o que tem de melhor e usar a verba recebida em dois ou três “apostas”. O lugar é preenchido por um, não por três ao mesmo tempo!

A musculatura de Xherdan Shaqiri nos membros inferiores deixa os seus companheiros perplexos
Fonte: Liverpool FC

Na mesma linha que os brasileiros Alisson Becker e Fabinho, ou o guineense Keita, chega Shaqiri. Para mim, um prodígio. Um jogador muito imprevisível e extremamente desiquilibrador. Vi-o jogar pela primeira vez quando o Basileia jogou contra o Benfica. Por volta de 2011 ou 2012.

Grande craque. Desde então, foi para o Bayern (pouco espaço), andou emprestado em Milão, no Inter, e depois foi regalado para o 2.º escalão, ao serviço do Stoke… No Stoke… Um jogador destes no Stoke só pode ser brincadeira. E ainda mais estranho, é o facto de que num mercado tão quantificado a nível de transferências entre clubes, o suiço nascido no Kosovo “apenas” ter sido negociado por 15 milhões de euros… Definitivamente, não percebo nada disto já.

É um baixinho cheio de força e genica, e parece-me que não vai desiludir. A sua estreia promete… Uma exibição bem convincente, e uma bicicleta como brinde… Fácil. Porém, com Salah e Sadio Mané, à priori, em cada ala do ataque, resta saber se Klopp o vai “enfiar” lá no meio, ou se o vai lançar mais recuado, ligeiramente atrás do trio atacante, à imagem do que aconteceu com Philippe Coutinho.

O renascimento deste magnífico emblema não deve tardar, qualquer adepto “red” tem de estar bem ansioso pela época que se inicia em breve. Shaqiri é reconhecido pelo seu talento, já fez golos incríveis. Contudo, fica a sensação que ainda não explodiu verdadeiramente. E “já” conta 26 anos! Foi com Jurgen Klopp que Salah soltou o génio que Mourinho não vislumbrou; terá Klopp agora a fórmula para ativar Shaqiri?

Foto de Capa: Liverpool FC

Artigo revisto por: Jorge Neves