O golo é a “roda” do futebol. É o que dá vantagem ou o que motiva uma reviravolta. É o que dá pontos, e mais pontos dá, caso se marque mais do que o adversário. A propósito da arte de marcar golos, em quantidade, Ciro Immobile, um dos melhores pontas de lança italianos da atualidade, referiu-se à conquista da “Bota de Ouro” do campeonato como uma sorte, visto que Cristiano Ronaldo chegou a Itália já com a edição seguinte do campeonato no horizonte.

Sensivelmente a metade da época, vemos o quadro dos goleadores em Itália num prisma bem equilibrado: Ronaldo, como se previa, ao lado de uma equipa milionária e devastadora para lá dos Alpes, encontra-se no topo dessa mesma lista. Contudo, conta com a companhia de alguns matadores, como Quagliarella, típico e bem conhecido ponta de lança transalpino, que atua na UC Sampdoria e enquadra-se num elenco bem apreciado pela crítica desportiva italiana. A fazer 36 anos no final deste mês, o avançado faz jus à tradição italiana e traz o melhor de si, ou pelo menos ainda algo bom de si, com tal idade. Piatek, por sua vez, juntou-se agora ao AC Milan, vindo do Génova CFC, para substituir Higuaín. Leva 19 golos marcados.

Jogar numa equipa de dimensão baixa, em regra, faz baixar as aspirações de um atleta. Porém, a Serie A é um campeonato com excelentes jogos: embora se dê prevalência ao aspeto defensivo, o andar da carruagem de muitas partidas faz com que o ritmo de jogo acelere, e em algumas segundas partes que tive a oportunidade de assistir, reparei que em momentos de desvantagem, ou mesmo de empate, o rigor tático, tão preso na retaguarda, de certa forma, ia-se desintegrando, fazendo aumentar a adrenalina dos jogadores e resultando em muitas investidas ofensivas sucessivas de parte a parte.

Gasperini, cérebro da equipa com mais golos marcados na Serie A
Fonte: ItaSportPress

Os jogos de equipas como a Sampdoria, por exemplo, são bastante atrativos. Nota-se talento na equipa, bem como mão do treinador. À imagem da Sampdoria, coloco também nessa linha a Atalanta BC. Uma equipa dinâmica, bem organizada e, sobretudo, ofensiva. É a equipa com mais golos na Serie A (44), encontrando-se em sétimo lugar. De realçar que os jogos entre equipas de “renome” inferior são tidos como grandes embates, cheios de golos. Frente a equipas como Inter de Milão, AS Roma, SSC Nápoles ou Juventus FC, já é notória uma certa retração (na medida em que se posicionam defensivamente), todavia, também um certo atrevimento, o que é positivo!

Curiosamente, Duván Zapata é o ponta de lança da Atalanta, cedido pela Samp. Primo do outro colombiano, Christian Zapata, atinge agora, aos 27 anos, o auge da sua carreira. Emprestado com opção de compra, mas também já com mercado, dá a chance, não só à Atalanta de contar com os seus serviços por mais tempo, como também vendê-lo, se assim quiser, por um valor acima do que irá desembolsar (correm notícias de que West Ham United FC e Everton FC já mostraram interesse no colombiano).

Apareceu, não esqueçamos, no topo dos goleadores de Itália, após um póquer! Posto isto, não esqueçamos nomes como Ciro Immobile, Icardi, Mertens, Mandzukic, Belotti, Milik, entre outros, que se encontram com menos golos, mas têm uma enorme capacidade de balançar a rede adversária. Mas não esqueçamos a Europa em geral, em que encontramos Messi, Suárez, Salah, Aubameyang, Kane e Mbappé como maiores goleadores das principais provas nacionais, todos a par de Zapata!!

A Atalanta tem por hábito alinhar em campo num esquema com três defesas, cinco médios, um “10” e dois avançados. Ilicic e Zapata, por norma, são apoiados por Alejandro Gómez. Os médios e os defesas atuam em bloco, estando o argentino logo à frente dessas linhas. “Papu” Gómez é quem espera pela bola, de modo a fazê-la chegar à linha da frente.

Pelos resultados, essa ideia tem tido bom desfecho, principalmente na arte de marcar. É uma equipa que sofre alguns golos, mas não suficientes para quebrar toda a manobra estratégica do conjunto de Bérgamo.

Dessa manobra tem sido aliado Zapata. Tem-se apresentado prolífero e em forma. É um dos principais responsáveis pelo sucesso das ideias de Gian Piero Gasperini, que passam, como qualquer individuo que siga a escola italiana, pela eficiência da transição ofensiva e rigor defensivo acima da média.

Zapata marcou cinco num jogo em que um ou dois bastavam. Veremos se continuará a deixar o seu selo nas próximas jornadas e a acompanhar Ronaldo e companhia na escalada à Bota de Ouro italiana.

Foto de capa: Gian Luca Di Marzio

Artigo revisto por: Jorge Neves

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