Quando falamos de um clube como o Inter há grandes nomes nos vêm à cabeça: Giuseppe Meazza, Lothar Mattaus, Javier Zanetti, Ronaldo. Com eles vêm ancorados muitos e enormes títulos, não só nacionais como internacionais. Apesar de ser uma equipa com uma das mais belas histórias em todo o mundo, o sucesso de outrora parecia andar desaparecido. No entanto este ano a maré mudou e o céu parece o limite para esta constelação de jogadores.

Antes de qualquer análise técnico-tática não podemos nunca dissociar o sucesso da turma nereazzurri do novo treinador, Antonio Conte. Com um passado recheado de alguns títulos, o técnico italiano encarou este novo desafio com toda a determinação e está a fazer um trabalho exímio, superando provavelmente todas as expetativas iniciais da direção.

Atualmente colocado no segundo lugar da Serie A, este parece um dos poucos conjuntos dos últimos anos que vai conseguir fazer frente à hegemónica Juventus, natural líder do campeonato com apenas um ponto de diferença. É de destacar que já foram jogadas 13 partidas e o Inter ganhou 11, perdeu uma e empatou outra. Na Liga dos Campeões a situação não é igualmente promissora, uma vez que, para passar à fase seguinte precisa de fazer com o apurado Barcelona o mesmo resultado que o Borussia Dortmund fizer com o Slavia de Praga. Não se esperam facilidades, mas estes homens já nos mostraram de que força são feitos.

O Inter Milão tem o terceiro melhor ataque e a terceira melhor defesa da Serie A
Fonte: Inter

Procedendo à análise tática da equipa facilmente percebemos que se dispõe num 3-5-2 alicerçado nos mesmos jogadores, ao contrário do que temos visto pela Europa fora. Antonio Conte mostra não ser o maior adepto dessa rotação constante e apresenta quase sempre o mesmo 11 inicial, fazendo variar apenas dois ou três nomes. Sobre esta questão é de referir que o técnico já mostrou o seu descontentamento pela falta de planeamento da época, queixando-se das poucas opções que tem. Também por isso não sabemos se esta pouca rotação é por opção ou por escassez de recursos.

Assim, na baliza aparece o capitão Handanovic, acompanhado por Godin, de Vrij e Skriniar numa defesa a três. Nas laterais é onde há mais incertezas, podendo variar na direita entre Candreva e D’Ambrosio e na esquerda entre Biraghi e Asamoah. Do meio campo é dono Brozovic, que conta normalmente com o apoio de Barella e Gagliardini, que podem dar lugar a Vecino ou Sensi. Na frente os dois indiscutíveis: o segundo melhor marcador do campeonato, Romelu Lukaku, e a grande revelação argentina, Lautaro Martinez.

Falando em estatísticas e uma vez que elas também nos dizem algumas coisas, é de constatar quem num total de 18 jogos realizados marcaram 38 golos (nunca ficaram em branco) e sofreram 19, o que acaba por ser revelador da consistência da equipa, que foi talvez o aspeto onde ela mais cresceu. Para além disto é ainda de notar que os cinco pontos perdidos no campeonato foram em casa, contando com uma performance perfeita fora de portas: sete jogos, sete vitórias.

Posto tudo isto e ainda que hajam arestas que precisem de ser limadas, o clube italiano goza neste momento de uma confiança notável e de uma saúde aparentemente duradoura. Os ingredientes para fazer uma época como os seus mais velhos adeptos estão habituados parecem reunidos e resta saber se este conjunto terá pedalada para aguentar até ao fim. A nós resta-nos esperar para ver e, enquanto isso, apreciar o belo futebol que a equipa pratica.

Para além disso temos finalmente oportunidade de relembrar os remotos tempos em que o campeonato italiano era realmente disputado e onde o vencedor tinha de correr muito para lá chegar.

Talvez acabe este ano a hegemonia da Juventus e comece uma nova Era, bem à imagem da década passada onde o clube ganhou uma Liga dos Campeões, um Campeonato Mundial de Clubes e cinco campeonatos italianos.

O último período dourado deste clube teve a marca de um treinador português: José Mourinho muito contribuiu para os êxitos atrás mencionados. Quem não se recorda de ver Samuel Eto’o a jogar no setor defensivo no mítico jogo contra o Barcelona nas meias finais da Champions? Ou aquela final contra o Bayern Munique onde se apresentaram com uma garra e determinação inigualáveis?

Conte parecer reunir os atributos necessários para fazer a equipa retornar a níveis de competitividade elevados e só desta forma o Internazionale poderá almejar tão ambicionados títulos.

Foto de Capa: FC Internazionale Milano

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