internacional cabeçalho

O amor é uma coisa que não se consegue explicar apesar das mil traduções que a palavra em si possa ter. Desde o rapaz que cruza olhares com a rapariga da paragem, aos casamentos de 50 anos em que tudo começou com uma troca de sorrisos de rua a rua, ninguém consegue explicar o amor. Claro que a mais encantadora e melhor das histórias de amor foi aquela estereotipada pelas películas norte-americanas, a clássica girl next door, onde o rapaz desespera sofregamente pela vizinha e, no final, acaba por ter sorte.

O conto que vos trago é um desses, mas não envolve um rapaz que dá por si numa situação constrangedora, e que no final resolve tudo, beija a rapariga, e toca de passar os créditos. Este, apesar de já estar perto do fim, ainda tem uns pontos a serem acrescentados.

“Ele já andava lá aos toques e a chutar, mas curiosamente nunca partiu nada lá em casa”. Isto foi dito por Fiorella, mãe de um pequeno rapaz nascido a 27 de Setembro de 1976, na capital italiana. O amor pela Giallorossi nasceu com ele, não lhe foi incutido como a maioria dos casos em que os pais educam os filhos para serem do A, do B, ou do C, este nasceu com as cores do clube tão agarradas a ele como a própria pele. Verdade que o seu pai, Enzo, também era um fanático do clube e levava o filho a ver os treinos, mas tudo isso, por muito importante que seja, neste caso em particular, pouco importa.

Que caia já aqui o mito de que ele sempre lá jogou, não é bem assim. Só aos 13 anos e depois de passar pelo Fortituto, Smit Transtevere, e pelo Lodigiani, é que Francesco Totti vestiu as cores da Associazione Sportiva Roma, vulgarmente conhecida por AS Roma.

Anúncio Publicitário

Em 1989 entrou para os escalões mais novos do clube e começou a perceber o que era ter o estatuto e a ser a referência de uma equipa, ou não fossem mais que muitas as vezes com que se cruzava com os ídolos da altura como Giuseppe Giannini, dono do meio-campo e personagem cujos posters eram o papel de parede do quarto de Totti, e o ponta-de-lança alemão, o inevitável, Rudi Voller. Sim, Totti começou a jogar na Roma na altura em que estes astro pontificavam no campeonato italiano, que na altura, em completo contraste com hoje, era dos melhores do mundo.

aa
Totti está na 25ª temporada ao serviço da AS Roma
Fonte: AS Roma

Pouco tardou até que Totti concretizasse o seu sonho de criança. Com 16 anos, e depois de uma grave lesão num joelho, Francesco Totti estreou-se pela Roma numa vitória por 2-0 frente ao Brescia. Caniggia e Mihajlovic marcaram os golos, Totti entrara na segunda parte par ao lugar de Rizzitelli.

A titularidade veio mais tarde. Época 93/94, jogo da taça frente à Sampdoria, tanto Rizzitelli como Balbo estavam de fora. Carlo Mazzone não tinha outra alternativa a não ser pôr o miúdo a jogar. Contudo a estreia não correu de feição, Tottia saiu a sete minutos do fim lesionado.

Mas se havia pessoa que acreditava nele era Mazzone, que comandava a Roma numa época onde só não desceram por sorte. Totti foi titular nos últimos 8 jogos do campeonato e o “miúdo” fazia tanta diferença que o treinador atribuiu parte do sucesso que a equipa teve na ponta final da época ao espirito e garra de Totti. Mas a explosão veio mais tarde.

Decorria o campeonato de 1997 quando o checo Zeman chega ao comando técnico da Roma e sem apelo nem agrado choca logo no seu primeiro dia. Com apenas 21 anos Totti foi nomeado capitão e passou a jogar nas costas do avançado, e em boa hora. Nesse ano marca 13 golos na Serie A, no ano seguinte faz 12. As boas prestações fizeram com que a 10 de Outubro de 1998, Dino Zoff, então seleccionador italiano, o convocasse para um particular diante da Suíça. A Totti só faltava uma coisa, conquistar o scudetto, algo que acabou por acontecer com Fábio Capello, na temporada 2000/01, depois de uma vitória por 3-1 frente ao Parma.

Daqui para frente a Roma e Totti não conquistaram mais campeonatos, mas as taças, supertaças, e algumas boas prestações nas competições europeias, fizeram com que o casamento fosse durando até hoje. Ao longo do tempo houve rumores de divórcio, mas nenhuma das partes apresentou os papéis. Há muito tempo atrás Roma era um império que governava com punho de ferro o seu território e que tinha em Júlio César a sua voz e imperador. Totti não é um imperador, mas é a voz de uma cidade, de uma cultura, e de um clube. Il Capitano está perto de se retirar, mas para já, aproveitemos o que ele ainda tem para nos dar.

Foto de capa: AS Roma

Comentários

Artigo anteriorAfinal o outro é que tinha razão…
Próximo artigoReforços de Ouro?
João Valente é um apaixonado pela arte do futebol. Nascido e criado durante boa parte do tempo em Lisboa, começou a seguir este desporto com uns tenros quatro anos e, desde então, tem sido um namoro interminável. É benfiquista de gema – mas não um que só vê Benfica à frente! É alguém que sabe ser justo quer o Benfica ganhe ou perca e que está cá para salientar os porquês, na sua opinião, dos resultados. Como adepto de futebol que é não segue só a atualidade do futebol português; faz questão também de acompanhar a par e passo o que de mais importante acontece nos principais campeonatos. A conjugar com o seu interesse pelo futebol, e pela malha, desporto que descobriu porque o seu avô era campeão lá na rua, veio a escrita, forma que encontra de expor os seus pensamentos na esperança de um dia se tornar num grande jornalista de desporto, algo que dificilmente acontecerá mas, tudo bem, ele um dia há-de perceber isso.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.