Dele se diz ter pés de veludo. João Mário é daqueles jogadores que qualquer treinador gosta de ter ao seu dispor. Tanto a atuar encostado a uma das linhas, como no centro do terreno, cumpre com grande rigor tático as suas funções, de uma forma até pouco habitual, para quem tem somente 23 anos. Com uma capacidade técnica acima da média, tem a inteligência necessária para não se perder em dribles e soltar o esférico quase sempre na hora certa.

Aquando da formação de um jogador, um dos pontos em que os treinadores mais insistem é em jogar de cabeça levantada. E nisso João Mário é exímio, dá a sensação que consegue fazer um jogo inteiro sem olhar para o relvado, sabe de cor onde cada colega de equipa anda. Dessa forma, como que percebe quais as zonas do terreno a pisar em função do que vai sucedendo em campo.

Depois de uma época fantástica ao serviço do Sporting, que culminou com a conquista do campeonato da Europa, onde foi das peças mais importantes ao serviço da seleção nacional, chega ao futebol italiano. Chega a um Inter que parece não descobrir o caminho para o título. Os nerazurri levam já 6 anos de jejum e esta época começaram com uma falsa partida. Apesar dos milhões gastos todos os anos (o fair play financeiro colocou mesmo em risco a transferência do português), o clube italiano parece andar meio à deriva e no meio de constantes tempestades. Prova disso é a troca de treinador ainda antes da época arrancar. Roberto Mancini fez toda a pré-época, mas foi Frank de Boer a iniciar as competições oficiais sentado no banco.

O técnico holandês chega ao comando da equipa sem qualquer experiencia em ligas mais poderosas (5 épocas completas no Ajax e uma breve passagem como adjunto pela seleção das tulipas). Não se adivinha uma tarefa fácil, o Inter na época passada ficou a 24 pontos da campeã Juventus e nunca apresentou um futebol que agradasse aos adeptos.