A CRÓNICA: JUVENTUS AGARRA O CAMPEONATO COM DUAS MÃOS

Jogo grande em perspetiva na 32.ª jornada da Seria A italiana. Provavelmente, a melhor partida que o calcio nos pode oferecer neste momento. A octacampeã Juventus FC recebeu a cada mais inevitável Atalanta BC, a equipa contra quem ninguém quer jogar neste momento. Frente a frente, a melhor defesa contra o melhor ataque da Liga italiana.

A Atalanta sobe ao relvado com tudo a ganhar: em caso de vitória, subia ao segundo lugar e ficava a seis pontos da líder. Em caso contrário, nunca perdia pontos para a desmotivada Lazio que voltou a perder na receção ao Sassuolo. A ideia era continuar a perseguição ao objetivo da época: atingir a melhor classificação de sempre. Já a vecchia signora ou ganhava e saía ainda mais líder da Serie A, ou empatava e ganhava um ponto à Lazio… ou poderia deitar tudo a perder.

Para fazer justiça à entrada da Atalanta, importa dizer que nos primeiros 15 minutos, os nerazzurri tiveram 75% de posse de bola e que a Juventus ficou mais de seis minutos sem tocar na redondinha. O ímpeto só acabou quando numa recuperação de bola de Freuler (potencialmente faltosa, que o árbitro não assinalou), Gomez e Zapata fazem uma série de passes curtos entre eles que desfazem a defesa da Juventus, permitindo ao ponta de lança colombiano fuzilar Szczesny e fazer o 1-0 aos 16 minutos.

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Desde o primeiro golo, a vecchia signora conseguiu ter mais bola mas não parecia encontrar forma de desmontar o xadrez defensivo da Atalanta, que foi sempre a equipa mais perigosa ao longo da 1.ª parte. Aos 29 minutos, Zapata só não bisa porque lhe faltam dois centímetros de cabeça, depois dum cruzamento milimétrico de Castagne. A primeira e única ocasião com algum perigo da Juventus no primeiro tempo nasce por intermédio de Paolo Dybala, que recebe um passe fantástico de Bentancur e remata ao lado das redes defendidas por Gollini. No fim da 1.ª parte, a posse de bola já estava mais equilibrada, mas a Juventus estava a jogar francamente abaixo daquilo que se pedia. Maurizio Sarri tinha de dizer a equipa para fazer muita coisa diferentes da 1.ª parte.

A Juventus arranca a segunda parte sem mexer na equipa, com certeza surpreendendo os milhões de telespetadores por todo o mundo. Entra bem melhor, e se calhar porque sente a conquista do campeonato a ficar tremida pela quarta ou quinta vez esta época.

Como consequência da pressão imposta, os bianconeri conseguem ganhar um penálti. Dybala tenta cruzar, mas encontra a mão de Marten De Roon à frente, e o árbitro apontou para a marca da grande penalidade. Cristiano Ronaldo não perdoou. Fuzila o guardião Gollini e faz o empate aos 55 minutos.

O intervalo acaba por fazer pior à Atalanta, que teve tempo para pensar no cansaço que por si se abatia. O técnico dos Bergamasca, Gian Peri Gasperini, viu-se obrigado a substituir o visivelmente desgastado tridente de luxo: Ilicic, Goméz e Zupata. A equipa perdeu, aos 65 minutos, o ataque mais perigoso do campeonato, e faz entrar os seus suplentes.

No fim da segunda parte, o jogo voltou a aquecer. Aos 74 minutos, Malinosvkyi recebe um passe do defesa Djimsiti e tirou tinta ao poste da baliza da Szczesny. A resposta não demorou. Dois minutos depois, Cristiano Ronaldo recebe uma boa bola de Cuadrado, tira Caldara da frente e remata de pé esquerdo para uma grande defesa de Gollini.

No minuto 80, a Atalanta força o erro da defesa da Juventus e faz a bola chegar a Muriel. O colombiano assiste Malinovskyi, que remata forte do meio da rua para o canto inferior direito da baliza da Juve. Estava feito o 1-2. Um golo difícil, que deu muito trabalho, mas foi muito justo.

Decorria o minuto 89 quando a Atalanta se tentava agarrar ao resultado e Muriel vê a bola ir ao seu braço, e o árbitro volta a não perdoar a casualidade e aponta para a marca do castigo máximo. Cristiano Ronaldo converte o segundo penálti da noite e fixa o 2-2 final aos 90 minutos.

A melhor equipa não ganha, e quem sorri é a Juventus, que agarra o campeonato com duas mãos. Literal e figurativamente. Fica a sensação que a Atalanta merecia mais e melhor, mas dois lances de azar acabam por ditar o destino dum jogo que resolve um campeonato onde, creio, não ganha a melhor equipa, mas sim os melhores jogadores.

Menções honrosas para as exibições de Bentancur e De Ligt, os melhores da Juventus a par de Cristiano Ronaldo. Os três melhores duma Juventus muito cinzenta e felizarda. 

A FIGURA 


 Atalanta – A jogar assim, que se cuide quem se puser à frente. Se jogar como nas últimas semanas, arrisca-se a ser caso sério na Liga dos Campeões. Acontece que quem olha para uma lista do plantel da Atalanta não vê nada especial. Não há um nome que sobressaia. Mas quem os vê, reconhece. São a melhor equipa da Serie A, porque são isso mesmo. Uma equipa fora de série. E, não canso de dizer, mereciam mais.

 O FORA DE JOGO


 Danilo – Custa sempre “bater” num destro a jogar no lado esquerdo, mas hoje tem de ser. Entrou para defender, acabou fintado. Devia envolver-se no ataque, mas só atrapalhou. Danilo foi sempre um a menos, até que Maurizio Sarri decidiu substitui-lo por Alex Sandro.

ANÁLISE TÁTICA – JUVENTUS FC 

Maurizio Sarri levou um 4-3-3 híbrido para defrontar a sensacional Atalanta. Híbrido porque se transmutava rapidamente num 4-4-2 nos momentos defensivos, fazendo os alas direitos (Bernardeschi e Douglas Costa) ajudar no lado direito da defesa e Cristiano no lado esquerdo. Com isto, quereria certamente ter à mão de semear o talento dos extremos bianconeri para lançar um contra-ataque rápido e tirar proveito da tendência ofensiva da Atalanta. Os golos acabam por chegar só e apenas de grande penalidade. Abordagem pobre de Sarri contra um adversário muito potente. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Szczesny (5)

Cuadrado (6)

De Ligt (7)

Bonucci (6)

Danilo (4)

Rabiot (6)

Bentancur (7)

Matuidi (5)

Bernardeschi (5)

Cristiano Ronaldo (7) 

Dybala (6)

SUBS UTILIZADOS 

Douglas Costa (5)

Alex Sandro (6)

Higuaín (-)

Ramsey (-)

 ANÁLISE TÁTICA – ATALANTA BC 

Gian Piero Gasperini encontrou a fórmula para o sucesso. A equipa está tão bem oleada que o 3-5-2 é inegociável. A Atalanta quer o controlo do jogo, da posse de bola, do resultado e de tudo o que puder. Uma equipa autoritária que se serviu da qualidade alas Castagne e Hateboer para fazer pouco dos laterais da Juventus. Um meio-campo imperial, que matou toda e qualquer tentativa de construção da Juventus por culpa dos imperdoáveis De Roon e Freuler. Um ataque cruel, que já leva 87 golos no campeonato e deixou mais vítimas no seu caminho.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES 

Gollini (6)

Toloi (6)

Palomino (6)

Djimsiti (6)

Hateboer (7)

De Roon (6)

Freuler (6)

Castagne (7)

Ilicic (6)

Gomez (7)

Zapata (7)

SUBS UTILIZADOS 

Pasalic (7)

Muriel (6)

Malinosvkyi (7)

Tameze (-)

Caldara (-)

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