cab serie a liga italiana

É já neste fim-de-semana que começa o futebol “a sério” por terras transalpinas. A Serie A está de volta e traz motivos de sobra para reunir uma vasta legião de adeptos em redor do calcio. Se a Juventus inicia mais uma edição da Liga italiana como grande favorita à conquista do título, os rivais históricos não quiseram ficar (muito) para trás. Contratações sonantes, e outras mais cirúrgicas, prometem aquecer o habitualmente frio ‘catenaccio’, que, cada vez mais, se está a transformar numa miragem do passado.

Campeões, para (não) variar?

Finalista vencida da Liga dos Campeões e tetracampeã italiana, a Juventus volta a partir na linha da frente rumo a mais um título. Se as saídas de Andrea Pirlo, Tévez e, principalmente, Arturo Vidal parecem difíceis de colmatar, foram dados meios em quantidade suficiente para o treinador Massimiliano Allegri conseguir debelá-las. A ‘Vecchia Signora’ atacou o mercado em força e fez aterrar em Turim artilharia pesada (Dybala, Simone Zaza e Mandžukić), além de Khedira e da mais recente coqueluche: o nosso bem conhecido Alex Sandro.

A matriz do futebol idealizado por Allegri parece ainda envolta em mistério: irá o treinador manter-se fiel ao mais tradicional 4-3-1-2 que tão bem funcionou na última época, ou regressará ao 3-5-2 de Conte, que já era uma das imagens de marca da Juve de Conte? Contas feitas, o objetivo passa claramente pela conquista do pentacampeonato e, como já veio a público dizer o treinador, por “voltar a estar entre as oito melhores equipas da Europa”. Alguém quer apostar contra?

Históricos potenciam-se com um português à espreita

Apesar do favoritismo da Juventus, parecem reunidas as condições para uma corrida mais apertada ao título de campeão da Serie A. A Roma, segunda classificada na temporada transacta, conseguiu manter a sua base de jogadores titulares e reforçou-se com alguns nomes de peso como Edin Džeko, Salah e com os promissores Rüdiger e Iago Falqué. Está, com toda a certeza, mais forte e poderá dispor de mais opções importantes para atacar, em simultâneo, a competição interna e a Champions. Deverão voltar a ser o principal rival dos atuais campeões, mas, desta vez, com argumentos renovados sob a batuta do já eterno Francesco Totti.

Numa segunda/terceira linha de candidatos ao trono, surgem os históricos rivais de Milão, os clássicos Nápoles e Lazio e a Fiorentina de Paulo Sousa. O Inter optou por algo a que já não se assistia há alguns anos: uma política de contratações pensada, planificada e com sentido. Miranda (ex-Atl. Madrid) e Kondogbia (ex-Mónaco) acrescentam valor à defesa e meio-campo e Murillo, Montoya e Jovetić chegam para alargar o leque de opções de Roberto Mancini. Nota ainda para o jovem luso Pedro Delgado, que surgiu em bom plano nalguns jogos de preparação dos ‘nerazzurri’. Kovačić foi a saída mais sonante e fragiliza um pouco o miolo, mas há qualidade para o substituir.

Stevan Jovetić foi um dos (bons) reforços do Inter de Milão neste defeso Fonte: Facebook do Inter de Milão
Stevan Jovetić foi um dos (bons) reforços do Inter de Milão neste defeso
Fonte: Facebook do Inter de Milão

O AC Milan não quis ficar atrás do eterno rival e apetrechou-se com os avançados Luiz Adriano e Bacca, que fizeram excelentes épocas ao serviço de Shakhtar e Sevilha, respetivamente, e ainda o italiano Bertolacci, médio do qual sou um confesso admirador e que pode ajudar o timoneiro recém-chegado, Siniša Mihajlović a pautar o ritmo a meio-campo e acrescentar cultura tática à equipa. Na defesa, ainda reina alguma confusão, mas a aposta parece estar virada, finalmente, para o futuro. Os milaneses abriram os cordões à bolsa e “roubaram” o jovem central Romagnoli à Roma por uns módicos 25 milhões de euros.

O Nápoles, que já se tornou um habitué nas lides cimeiras da tabela classificativa, preferiu retocar cirurgicamente o seu plantel: o novo técnico Maurizio Sarri trouxe consigo do Empoli p médio Valdifiori, 29 anos, e o defesa Hysaj, que têm em comum o vasto conhecimento do tipo de futebol praticado em Itália. Nota ainda para a entrada de Vlad Chiriches (proveniente do Tottenham), do regresso do guarda-redes Pepe Reina e para a saída do experiente Inler, que experimenta agora a Premier League, ao serviço do Leicester. A Lazio de Roma também não entrou em excessos e, apesar de poder vir a marcar presença na fase de grupos da Liga dos Campeões, mantém as bases da época passada, salpicadas com os jovens defesas Wesley Hoedt (ex-AZ Alkmaar) e Patríc Gil (ex-Barcelona B) e os irreverentes Ravel Morrison (ex-West Ham) e Ricardo Kishna (ex-Ajax).

Depois, a Fiorentina. Orientados pelo ex-internacional português Paulo Sousa, os ‘viola’ já mostraram um fio de jogo bem consolidado na pré-época. Mesmo que o título seja praticamente uma impossibilidade, a premissa deixada é a de bom futebol e ideias frescas, introduzidas pelo antigo técnico do Basileia. Astori e Mario Suárez trazem experiência a uma equipa que se pode considerar jovem e há que estar atento à evolução dos promissores avançados Bernardeschi e Khouma Babacar. Por falar em frente de ataque, a saída do panzer Mario Gómez foi suprimida pela chegada de outro “pinheiro”: Nikola Kalinić, croata de 27 anos que se reencontrou no Dnipro, da Ucrânia. Para seguir com especial cuidado.

Mario Suárez juntou-se ao compatriota Joaquín nos quadros da Fiorentina de Paulo Sousa Fonte: Facebook da Fiorentina
Mario Suárez juntou-se ao compatriota Joaquín nos quadros da Fiorentina de Paulo Sousa
Fonte: Facebook da Fiorentina

Duas estreias e luta… até ao fim

Algumas das restantes equipas, que ainda são bastantes, poderão, com alguma sorte, procurar uma vaga europeia deixada em disputa para as últimas jornadas. Falo de emblemas como o Génova, que acaba de receber Diego Capel nas suas fileiras, da Udinese, do português Bruno Fernandes, da Sampdoria, que volta a ter em Cassano a sua referência ofensiva, e o histórico Torino, liderado pelo experiente treinador Giampiero Ventura (67 anos) e com o lateral direito da moda nas suas fileiras: Zappacosta, que deu nas vistas no Europeu de Sub-21.

Os que sobram, deverão lutar com “unhas e dentes” pela permanência. É importante relembrar que os recém-promovidos Carpi e Frosinone fazem a sua estreia no escalão primodivisionário de Itália e apresentam argumentos interessantes para se digladiarem com as outras equipas, mais rodadas. O Carpi tem integrados no seu plantel atletas como Zeljko Brkić, Spolli, Lazzari e Ryder Matos, e o Frosinone conta com Federico Dionisi (que já passou pela Olhanense) e Arturo Lupoli (formado no Parma e no Arsenal) como duas das suas principais armas no ataque.

Os dados serão lançados no sábado. O Hellas Verona – Roma abre o campeonato e o prato forte da primeira jornada será servido no Artemio Franchi, quando a Fiorentina receber o AC Milan. O Bola na Rede vai estar em cima do acontecimento e, em maio, será altura de voltar a ler este texto. Teremos um penta da Juventus? Um histórico como Inter ou Milan de regresso ao topo? Ou serão a Roma, o Nápoles ou, quem sabe, a Fiorentina a desafiar as probabilidades e a presentearem-nos com uma gracinha? Em suma, que comecem os jogos!

Previsões

Campeão: Juventus

Melhor jogador: Paul Pogba (Juventus)

Melhor marcador: Mario Mandžukić (Juventus)

Melhor assistente: Miralem Pjanić (AS Roma)

Revelação: Alessio Romagnoli (AC Milan)

Foto de Capa: Facebook da Juventus

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