A semana que passou foi marcada, indiscutivelmente, pelas palavras de Joseph Blatter, em Oxford. Perante uma plateia composta por jovens daquela prestigiada faculdade, o Presidente da FIFA não se coibiu de dizer que preferia Messi a Cristiano Ronaldo, chegando mesmo a satirizar o internacional português. A Federação Portuguesa de Futebol exigiu de imediato um pedido de desculpas, enquanto Ronaldo respondeu à “provocação” dizendo que não era respeitado, desejando, ainda assim, longos anos de vida a Blatter.

Tanta polémica em torno deste incidente fez com que o futebol dentro das quatro linhas tenha passado para segundo plano. Quarta-feira, dia 30 de Outubro, um dos melhores jogadores da história, Diego Armando Maradona, comemorou o seu 53º aniversário, mas grande parte da comunicação social preferiu continuar a falar nas tricas de uma modalidade cada vez mais desgastada pelas polémicas.

Felizmente, há excepções e locais onde o futebol jogado ainda marca a actualidade e pinta as primeiras páginas dos desportivos. Em Nápoles, o aniversário de D10S foi festejado ao ritmo de mais uma vitória da equipa napolitana para a Serie A. O Sul de Itália luta há décadas por maior igualdade, perante o poderoso Norte, e o Nápoles tem sido, através do futebol, uma das bandeiras desta luta.

Maradona envergando a camisola do Nápoles em 1990 / Fonte: imortaisdofutebol.com
Maradona envergando a camisola do Nápoles em 1990 / Fonte: imortaisdofutebol.com

Em crescendo nas últimas temporadas, a formação treinada este ano por Rafa Benitez assume-se indiscutivelmente como candidata a um título de campeã nacional, que foge desde 1990. Nesse ano, Maradona era a figura principal do mítico Estádio San Paolo. Hoje, sem nenhuma figura de proa, a formação azul-celeste é sobretudo uma equipa sólida, forte e muito competitiva.

A jogar a Liga dos Campeões, onde luta pela passagem aos oitavos de final com Borussia Dortmund e Juventus, o Nápoles tem como grande objectivo a reconquista do scudetto, 24 anos depois. Neste momento, a formação do Sul de Itália divide, com a Juventus, o segundo lugar do campeonato com 25 pontos, menos cinco que a líder e invicta Roma.

As vendas de Cavani e Lavezzi nos dois últimos defesos permitiram o encaixe de 95 Milhões de Euros ao Nápoles, que, com os bolsos cheios, foi capaz de contratar jogadores como Higuain, Albiol, Callejon, entre outros.

Jogando preferencialmente num esquema de 4-2-3-1, o Nápoles tem a segunda melhor defesa do campeonato italiano com apenas sete golos sofridos em dez partidas. Os grandes responsáveis deste bom desempenho defensivo têm sido o guarda-redes Reina, mas também a dupla de centrais hispano-argentina formada por Albiol e Fernandez. Fundamentais são também os suíços Behrami, Inler e Dzemaili, que têm jogado nas duas posições mais recuadas do meio campo. Na passada quarta-feira, foi Dzemaili o preterido, mas a rotação destes três homens tem sido uma constante e é de crer que se vá mantendo até ao final da época.

Mais à frente, Benitez tem colocado Callejon, Hamsik e Insigne no apoio ao ponta-de-lança Higuain. Pandev é o quinto homem a poder entrar num dos lugares mais adiantados do onze e, diga-se, tem sabido aproveitar bem as oportunidades. O Nápoles conta com 22 golos marcados na Serie A, sendo que Hamsik, Higuain e Callejon são os mais concretizadores com cinco golos cada.

Os tiffosi napolitanos vão alimentando o sonho da conquista do campeonato, ao ritmo do bom futebol da equipa. A emoção e apoio são de tal forma grandes, que o centro de sismologia napolitano já registou pequena actividade sísmica aquando dos golos da equipa no seu Estádio. Enquanto for a cidade a abanar e não a equipa, está tudo bem no seio de uma das mais fantásticas cidades do Sul do Velho Continente.

Panorâmica do San Paolo / Fonte: panoramio.com
Panorâmica do San Paolo / Fonte: panoramio.com

Eu, que me assumo como um adepto do Nápoles, espero poder ver pela primeira vez o scudetto tricolor (símbolo de campeão) nas camisolas mais bonitas de Itália. Cá estarei a torcer.

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